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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Encontro de Gerações - Só preserva, quem conhece.


Na quarta-feira passada, a AME-RIO, representada por nosso Presidente, Pompílio Vieira de Souza e pelo nosso diretor secretário, Carlos Ivan. Siqueira, ministrou uma palestra para o Centro de Ensino Faria Brito, Unidade Meier - O Faria Brito é uma escola tradicional aqui do Rio de Janeiro, com unidades em diversos bairros. Eu tive o prazer de acompanhar os dois e participar de um evento por demais interessante.


Logo no início tive uma certa decepção, ao descobrir que, no grupo de cerca de 50 crianças e adolescentes, ninguém conhecia e nem tinha ao menos ouvido falar de nossas abelhas nativas.


Mas essa má impressão logo desapareceu e se transformou, ao notar a curiosidade com que os alunos acompanharam a explanação do Pompílio.


E depois um pequeno video sobre o assunto, mostrando nossas abelhas, seus ninhos, os potes de mel, os potes de pólen, etc...

Pompílio, assistindo o vídeo, entre os alunos.

Ao fundo o Carlos Ivan e os professores.

E quando o Ivan apresentou para eles uma colméia de Jataís, ao vivo, foi díficil convencê-los que ele precisava mantê-la fechada e ele só poderia mostrar as abelhas através das lâminas de acetato, com que ele previamente vedou as aberturas da colméia. Todos queriam que ele abrisse a colméia para comprovar que elas não tinham ferrão.
Mostrando a colméia de Jataís.


Foi uma pena, nós não termos como deixar a colméia lá por algum tempo tempo, pois se assim fosse, poderíamos ter levado uma colméia com antecedência e a instalado em algum lugar na escola, deixando as abelhas reconhecer o espaço, aí na hora do evento era só levar os alunos até lá, abrir a colônia e deixar que comprovassem que as nossas abelhas não são perigosas,  por conta própria. Depois, já a noite, era só recolher a caixa.


Essa palestra foi a convite da Prof. Andrea Carla Moura de Queiroz, coordenadora pedagógica da Unidade, acima vemos a Prof. Andrea, mostrando o Dicionário de Apicultura, de autoria do Pompílio e que ele ofereceu para a biblioteca da escola.


Depois da palestra, fomos recebidos pela Diretora da Escola, Prof. Antonieta Passos de Farias.



Além do dicionário, o Pompílio também ofereceu um vidro de mel para a Prof. Antonieta. A Prof. Andrea também tinha ganho um, mas ela deixou os alunos provarem e eles gostaram tanto que entraram várias vezes na fila, enquanto o mel não acabou tinha gente querendo mais.


Assim como a Prof. Andrea, a Prof. Antonieta também ficou bastante interessada nas Jataís que o Carlos Ivan levou para mostrar aos alunos do Faria Brito e nos disse que essa foi a primeira oportunidade para seus alunos conhecer de perto as abelhas nativas. 

Colocamos para a direção do Faria Brito que a AME-RIO estava totalmente a disposição daquela escola, para outras apresentações, inclusive com a possibilidade de mostrar as abelhas em caixa aberta, se assim elas o desejassem. 

Ivan, Pompílio, Winckler, Prof. Antonieta e Prof. Andrea.

No final nossa associação foi convidada para fazer uma mostra de abelhas nativas, no dia primeiro de outubro desse mês, quando a escola vai estar aberta também para os pais de alunos e seus amigos. O Pompílio prometeu que a AME-RIO se fará presente, levando dessa vez, além de Jatais, outras abelhas nativas do Rio de Janeiro, como Iraís, Mandaçaias, Uruçus amarelas e Guaráipos.

Na reunião do dia 27, lá no sítio do Antonio Abreu, o Pompílio nos contará melhor, sobre isso.

Um dos principais objetivos de nossa associação é a preservação de nossas abelhas nativas e dentro dessa  linha estamos prontos a levar às escolas e outras entidades, palestras, mostras de caixas e de abelhas, inclusive, quando possível, com degustação de méis de nossas nativas.
Nosso principal interesse é difundir o conhecimento sobre abelhas nativas, pois ...

"Só preserva, quem conhece".

UGA,

José Halley Winckler

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Abelha ou abelhaS?

Semiárido - Portal de monitoramento, informação e educação sobre o Semiárido Brasileiro.:

"Abelha ou abelhaS?

por Marcelo Teles
10 de Agosto de 2011

Biólogo, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFCE / Campus Sobral.

Uma prática agrícola que tem se se tornado popular ultimamente é o aluguel de colmeias da abelha Apis mellifera, (conhecida como abelha-italiana ou abelha-africana). Centenas ou milhares de colmeias viajam extensas distâncias para polinizar imensas áreas de monocultura.

Essa atividade já é uma febre na Europa e EUA e começa a chegar no Brasil. Só não é mais popular porque o “turismo” das abelhas sai um pouco caro, principalmente devido às colmeias precisam ser transportadas em ambiente climatizado, em caminhões, por centenas de quilômetros, até a plantação de destino."

Na natureza existem 270 mil plantas selvagens que precisam de animais polinizadores para se reproduzir; e até agora, existem entre 100 e 200 mil polinizadores conhecidos para elas (praticamente um para cada planta – incluindo aves, morcegos, moscas, besouros, borboletas, mariposas, etc). Será que somente uma única espécie de abelha (Apis mellifera) seria realmente capaz de polinizar todas as 9.500 espécies domesticas/cultivadas?
Os locatários das abelhas alegam haver grande incremento na produção agrícola devido à presença das colmeias, mas isso não é regra. As plantas e seus polinizadores geralmente coevoluem em um modelo de chave-fechadura, onde cada planta possui uma espécie ou grupo de espécies que se encaixa perfeitamente em forma, tamanho, comportamento e sazonalidade para promover sua polinização. Um bom exemplo é a flor do tomate, que é polinizada por abelhas nativas das Américas. Neste caso, as visitas de Apis mellifera não polinizam pois ela não possui o comportamento de vibrar a flor – presente nos polinizadores naturais do tomate e necessário para a liberação do pólen.
Assim como o tomate, existem várias outras espécies que requerem comportamentos específicos por parte das abelhas ou mesmo de outros visitantes florais para a polinização efetiva – e não se sabe até que ponto a abelha-europeia contribui realmente para a polinização dessas plantas. Também não se sabe qual o impacto de sua introdução sobre a reprodução das plantas selvagens nem sobre as populações de abelhas nativas que as polinizam, visto que a abelha-europeia é uma competidora ecologicamente agressiva.
Historicamente, a introdução de espécies exóticas têm trazido enormes problemas ambientais e até econômicos, especialmente elas tornam-se pragas. Com os erros do passado, deveríamos ter aprendido que a introdução biológica é uma “faca de dois gumes” e portanto, devemos ser cautelosos antes de fazer esse tipo de atividade.
Alterar a composição de comunidades biológicas e interferir em processos ecológicos geralmente traz muito mais prejuízos coletivos que lucros particulares. Talvez a pesquisa mostre que manter fragmentos de mata nativa e promover o manejo das comunidades de abelhas nativas causa muito menos impactos e pode ainda ser mais eficiente para a polinização que introduzir abelhas exóticas sobre as quais pode se perder o controle e causar sérios desequilíbrios ambientais.
O mais sensato seria realizar pesquisas para saber quem realmente são os polinizadores de cada planta cultivada / domesticada e o que fazer para manter o “serviço” ambiental prestado por elas  às nossas plantações, polinizando-as. Nesse sentido, para que nossos empreendimentos sejam mais eficientes e menos prejudiciais ao ambiente é fundamental que as federações do setor produtivo e as agências de amparo à pesquisa desenvolvam políticas de maior interação entre produtores e instituições de pesquisa.

Nota da Redação


Essa matéria foi reproduzida a partir de publicação no site www.semiarido.org.br

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Porto Alegre já tem programa que defende criação de abelhas sem ferrão na Capital

Aprovado programa que defende criação de abelhas sem ferrão na Capital :: Notícias JusBrasil:

"Os vereadores de Porto Alegre aprovaram, na tarde desta segunda-fkeira (8/8) projeto do vereador Adeli Sell (PT) que altera o artigo 74 e inclui o artigo 74-A na Lei Complementar nº 12, de 7 de janeiro de 1975, o qual a proíbe a criação de abelhas no perímetro urbano. A proposta de Adeli prevê a criação de um Programa Municipal para o Desenvolvimento da Apicultura e da Meliponicultura (Proabelhas) que possibilite criar espécies nativas de abelhas sem ferrão, muitas das quais, ameaçadas de extinção.

O vereador argumenta que no Estado são cerca de 20 tipos de abelhas que não oferecem riscos. Salienta que além do mel, as abelhas auxiliam na preservação do meio ambiente, além de constituir-se em fonte de emprego e renda para inúmeras comunidades. 'Estudos apontam que centenas de espécies são responsáveis por 90% da polinização das plantas brasileiras', lembra Adeli.

Vítor Bley de Moraes (reg. prof. 5495)
Regina Andrade (reg. prof. 8423)"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Partamona helleri, seis ninhos numa só árvore!

por José Luiz S. Vieira - de Cuiabá - MT

A abelha nativa brasileira Partamona helleri, conhecida popularmente como "boca de sapo", leva esse nome haja vista sua peculiar entrada, engenhosa e bonita escultura feita em barro, de formato que no dizer de muitos, lembraria a boca aberta de um sapo.
No santuário ecológico de abelhas nativas da fazenda de Eurides Furtado, em Diamantino, localizada junto da rodovia sentido Posto Gil - Nova Mutum, Estado de Mato Grosso, existe uma árvore "carvão branco", que foi estrangulada pelo abraço mortal de uma gameleira.

Em minha visita, quando mostrou-me diversos ninhos de abelhas nativas diferentes, já no entardecer convidou-me a conhecer essa árvore onde tinha "uns três ninhos" de Partamona helleri . E lá fomos pra satisfazer minha curiosidade.

E não é que na verificação desses iniciais três ninhos, contornando a árvore, encontramos na realidade o dobro, um total de SEIS NINHOS! Nem Eurides tinha conhecimento de que eram tantos! Veja foto abaixo - clique para ampliá-la.

Pra não deixar que minha surpresa fosse "esquecida", meu amigo fez uma traquinagem.

Pegou seu canivete e disse: "-Perai, não podemos dizer que são seis ninhos, porque esse aqui parece que não tem abelha, vamos ver..." E deu ligeiras batidas perto da escultura de barro.

Eu ali, preocupado em fotografar cada entrada que contamos, de repente, justo no momento que focalizava essa entrada... dezenas de Partamonas, irritadas com o barulho, sairam em defesa, grudando em todos à volta.


Não tive alternativa senão correr pelo pasto, diga-se com muitos pés de assa-peixe ainda floridos, facilitando o alimento das abelhas. E não muito distante, uns 300 metros, tem um açude que com certeza facilita o trabalho dessas "arquitetas voadoras", fornecendo-lhes o barro umido necessário a construção dos ninhos, portanto, seis enxames diferentes de mesma espécie numa só árvore. Algo raro de se ver na Natureza.

I Encontro de Meliponicultores do Espírito Santo



A princípio era de uma pequena reunião com os criadores de abelhas nativas da Grande Vitória, mas a proposta foi tão bem recebida que logo se tornou no que será o Encontro de Meliponicultores do Espírito Santo.

De 03 e 04 de setembro no Oiutrem, situado no belíssimo distrito de  Mathilde,  município de Alfredo Chaves - ES, distante 90 km da capital.
  
A idéia é lançar a base para uma futura associação.

O plano é fazer uma apresentação mostrando o que é possível realizar quando os meliponicultores estão devidamente organizados. É claro que para voos mais altos é importante o apoio oficial e também das empresas. Mas este apoio só virá quando as instituições souberem da imensa importância da meliponicultora para o meio ambiente e também do seu potencial como geração de renda. Serão apresentados alguns projetos de sucesso, tais como como ocorrem na Amazônia, no Maranhão - Associação Amavida, e também pelos aqui ao lado, no Rio de Janeiro - AME-RIO e outros. Projetos do ES, em desenvolvimento ou mesmo ainda em fase de planejamento, também serão mostrados. É o caso do trabalho que a Oiutrem  já desenvolve em Alfredo Chaves e também do projeto que o Meliponario Capixaba, junto com alguns outros idealistas, pretende propor para a Região do Caparaó. Este projeto inclui dentre outras ações, a instalação de um meliponario e do Centro de Formação em Meliponicultura.

O Instituto Estadual do Meio Ambiente, também foi convidado para falar sobre o a meliponicultura em seus parques. Como lidamos com animais silvestres e a legislação brasileira para meliponicultura é confusa e contraditória, não poderíamos deixar de abordar o tema. Devemos ser congruentes com espírito essencialmente preservacionista da atividade e queremos ajudar nas causas ambientalistas. Porém, isto deve ser feito sempre dentro da legalidade. Enquanto não conseguimos uma reforma na legislação devemos trabalhar respeitando a atual. Para isto devemos conhece-la. Para tanto, convidamos o IBAMA a enviar um representante para esclarecer a muitas dúvidas existentes. Caso não seja possível, já que ainda não temos a confirmação do Instituto - O que aguardamos para breve - Faremos um estudo das normas.

Também foi convidado o meliponicultor Eurico Novy, de Sabará, MG, que  estuda e trabalha na fabricação de caixas racionais com materiais que possam substituir a madeira. Caso até a data ele esteja com o último modelo pronto, levará uma para mostrar e depois ser sorteada ou leiloada.

Não vamos ficar apenas na teoria, a prática, não será esquecida. O Judismar Barbosa, mais conhecido por Julio, vai coordenar uma oficina e elaboração de isca feitas com garrafas PET. Julio conseguiu sucesso de quase 80% com as iscas que espalhou no ano passado. Serão confeccionadas e distribuídas muitas iscas no evento. Além disto, fserá uma transferência de  uma colônia de jataí de uma isca para caixa racional.

Outra importante prática prevista é  o desdobramento de colônias de uruçu e  mandaçaia alojadas em caixas caixa INPA explicada passo- a - passo pelo pessoal do meliponario do Oiutrem.

Em linhas gerais são estas algumas das atividades previstas. Mas o mais importante é a convivência dos meliponicultores, compartilhando dois dias de troca de experiências e de opiniões. Esse o encontro será apenas o primeiro entre muitos que virão.

A inscrição inscrição é gratuita e mesmo pessoas sem conhecimento de meliponicultura, ou de outros estados serão bem-vindos. Qualquer ajuda que venha a enriquecer a evento será muito importante.

Os meliponicultores que comparecerem poderão se alojar em sistema de albergue, contribuindo com apenas R$30,00 pelos dois dias.

Para participar entre em contato pelos endereços abaixo.

contato@oiutrem.com.br.
meliponariocapixaba@gmail.com

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João Luiz Santos - ES
meliponariocapixaba.blogspot.com



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I° SIMPÓSIO MINEIRO DE APICULTURA E MELIPONICULTURA


O evento

Apresentação


De 26 a 28 de agosto de 2011, será realizado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (IFSULDEMINAS) - Campus Muzambinho o IV CONGRESSO MINEIRO DE APICULTURA e o I° SIMPÓSIO MINEIRO DE APICULTURA E MELIPONICULTURA. No evento, serão abordados temas diversos relacionados à apicultura e à meliponicultura. O objetivo é reunir contribuições teóricas e práticas no manejo destas culturas, estimular o uso de tecnologias corretas e novas relacionadas à atividade, divulgar a produção científica do setor e promover estudos interdisciplinares e oficinas voltados para a atualização e o aperfeiçoamento no manejo de abelhas.
O programa consiste em minicursos, palestras, debates, painéis, oficinas e mesas-redondas, além de trabalhos científicos apresentados na forma de painel e de concursos de atividades relacionadas, como fotografia, pintura, desenho e culinária. Haverá ainda um espaço reservado para expositores (estandes).

Objetivos


- Reunir contribuições teóricas e práticas no manejo dessas culturas;
- Estimular o uso de tecnologias corretas e inovadoras relacionadas às atividades;
- Divulgar a produção científica do setor
- Promover estudos interdisciplinares e oficinas voltados para a atualização e o aperfeiçoamento no manejo de abelhas.

Justificativa do Evento


As abelhas apresentam em todo mundo um importante papel ecológico e econômico, pois são atores essenciais nas interações Inseto-Planta, garantindo uma alta produtividade destas e ainda contribuem com produtos importantes, como Mel, Própolis, Pólen, Cera, Geleia Real, Apitoxinas, com relevância nas indústrias alimentícias e de Produtos Medicinais.
No Brasil podemos observar um grande potencial de desenvolvimento, tanto da Apicultura, como da Meliponicultura, este evento pretende reunir produtores, pesquisadores, estudantes e empresários do setor em torno da discussão do desenvolvimento dessas atividades.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Meliponicultura e preservação, um exemplo

por José Luiz S. Vieira - de Cuiabá - MT.

Muito se fala em preservação da fauna e flora brasileira. Apesar dos esforços de muitas pessoas, sempre existiu uma linha contrária no meio do agronegócio que usando de nomes politicamente corretos, como agricultura sustentável, continuam destruindo milhares de hectares de florestas, matas, cerrados e até do bioma da caatinga.


Na linha da boa preservação da Natureza, no município de Diamantino, em Mato Grosso, encontrei um exemplo dessas pessoas idealistas que sem muito alarde fazem a diferença na meliponicultura brasileira. É o agricultor e meliponicultor, também entomologista entusiasta no estudo de lepidópteros com diversos trabalhos científicos já publicados. Trata-se de Eurides Furtado.

Em sua fazenda onde explora pecuária e plantio de abacaxi, possui uma área considerável de cerrado como área de preservação. Nesse espaço é possível encontrar diversos ninhos de abelhas nativas, desde jatai (Tetragonisca angustula), passando pela Partamona helleri (boca de sapo), até a bela boca de vidro (Tetragona dorsalis), ali vivendo sem qualquer interferência humana.

Na visita que fiz a essa pessoa extraordinária, chamou-me a atenção a existência de um ninho de uma abelha nativa que seria a "GUIRA" (Geotrigona mombuca Smith), segundo descrição de Paulo Nogueira Neto em "A criação de abelhas indígenas sem ferrão", 1970, 2a. edição - livro que Eurides tem um exemplar bem preservado.

O enxame dessa abelha existe nesse ninho ao longo de 27 anos. Dá pra tentar imaginar quantas gerações dela já passaram renovando-se ao longo desse tempo?

Vamos a singular estória por ele contada sobre esse ninho subterrâneo, existente dentro de sua casa.

Há 27 anos decidiu erguer a casa onde mora na fazenda e trouxe um cunhado do Paraná para o serviço de pedreiro. Quando já tinha feito todo o alicerce da futura casa e iam passar ao trabalho do aterro, mesmo pedreiro procurou-o dizendo: "-Ali naquele trecho da casa tem uma entrada dessas abelhas que saem do chão".

Eurides, preservacionista nato não pensou duas vezes e respondeu: "-Aguarda um pouco que vou resolver isso". Pegou uma curva de pvc de meia polegada, e no anoitecer, quando tinha certeza de que todas as abelhas campeiras já tinham se recolhido, foi até a boca do enxame, e colocou a curva de pvc, cimentando em cima. Na sequência, usando de um pedaço de mangueira de mesma bitola, acoplou na curva para que sua ponta ficasse fora da casa, alcançando onde seria a calçada lateral, que foi construida depois (Não medi, mas essa mangueira tem uns 2,5m de comprimento). Em seguida, cobriu com cimento a mangueira no espaço onde seria necessário nivelamento e aterro naquele trecho... e pronto, as "GUIRA"(?) foram preservadas e estão vivendo no mesmo enxame subterrâneo ao longo desses 27 anos, desde a época em que a casa foi ali contruida naquilo que seria, como era, o espaço natural de nidificação delas, que foi mantido, sem mudanças efetivas, a não ser a entrada, que ficou... um pouquinho mais longe da anterior.


A foto mostra Eurides apontando a entrada da enxame como está hoje. Sobressai na calçada lateral azulejada, onde fez uma ligeira elevação, pra evitar excesso de água escorrendo ali na época das chuvas.

O zelo de Eurides com as nativas não para ai. Numa área coberta, tida como área de serviço externa, e onde ele mesmo fabrica suas caixas modelos PNN, e os suportes para elas, num carinho e amor extremo por abelhas nativas, mantem ao nivel do chão, dois enxames de jatai que enxamearam ali em vasos cerâmicos como iscas que ele cimentou na época da construção dessa área.

Contou-me que pegou desses vasos de cerâmica para plantas, emendou um no outro, fez o buraco de entrada, ligou num um pedaço de mangeira e no outro um pedaço de bambú, cimentando-os nos locais mostrados nas fotos, sem nenhum enxame dentro.



Depois de tudo pronto, com o piso já colocado a cerâmica, com uma seringa injetou um extrato "mistura de restos de enxame de jatais, tipo própolis, restos de cera, polen, enfim, quase o lixo de um enxame velho, diluidos no alcool".


Palavras dele, "com o tempo não demorou muito e duas enxameações de jatais descobriram essas novas moradias e se instalaram".

Digno de todos os elogios nosso amigo Eurides Furtado, um jovem de 63 anos de idade, que pode ser encontrado na fazenda dele, e eventualmente na lanchonete que mantem juntamente com a esposa dona Ana Lucia, na beira da estrada entre o Posto Gil e Nova Mutum, num local chamado "Lanchonete Abacaxi - Vale da Solidão" - onde podemos matar a sede com delicioso suco de abacaxi da produção de sua fazenda, além de gostosos pasteis. Passando pela região não deixe de ir conhecê-lo.

sábado, 6 de agosto de 2011

Reunião da AME-RIO de agosto vai ser no dia 27, no Nosso Sítio.

A nossa reunião mensal de agosto vai ser no dia 27/08/2011, um sábado. Diferente do que já estamos acostumados, dessa vez não vai ser no Meliponário Escola de Guapimirim, também não vai ser na Escola de Agricultura Wencesláo Bello, como no mês passado.

Desta vez fomos convidados a conhecer o meliponário de nosso amigo e associado, o Antônio Abreu. 

Antônio Abreu

O Sítio do Antônio fica no Vale das Pedrinhas, também em Guapimirim, só que do outro lado, perto da rodovia que liga Magé a Manilha. 

Pórtico de Vale das Pedrinhas
Estrada Mage - Manilha

Se o tempo estiver quente o suficiente, o Antônio Abreu vai nos convidar a auxiliá-lo na revisão de suas colônias.


E vamos ser honrados pela presenças do Heráclito Sette e do Christiano Figueira. 

O Heráclito, mora em Brasília, é um dos incentivadores da Meliponicultura naquela região e prometeu nos brindar com uma explanação sobre as Uruçus da terra (Melipona quinquefasciata), abelha ainda encontrada no Planalto Central e que em diversas ocasiões ele teve oportunidade de transferir para caixas racionais. Também vai nos contar como vai sua luta para promover a aproximação dos meliponicultores de Brasília e da pretensão de formar uma associação.

Heráclito Sette, auxiliando em curso de meliponicultura.

Já o Christiano mora aqui mesmo no Rio de Janeiro e também é um dos incentivadores da Meliponicultura, em sua região. Christiano é o meliponicultor responsável pelo registro e manejo das abelhas do Parque Estadual da Pedra Branca. Christiano vai nos contar como foi que conseguiu convencer a administração do Parque da Pedra Branca e a diretoria do Inea, a autorizar um meliponicultor pesquisar as abelhas do parque. Hoje o Christiano, além de ser o meliponicultor responsável desse parque, tem a sua disposição sala e equipamentos que lhe permitem oferecer, junto com os biólogos do parque, palestras e oficinas sobre meliponicultura.

Christiano Figueira apresentando abelhas nativas
Stand do Instituto Estadual do Meio Ambiente - INEA
Evento comemorativo dos 193 anos do Museu Nacional 

A Júlia  Galheigo vai nos trazer mais informações sobre pasto apícola e nos mostrar como se faz uma excicata e quais os detalhes que devemos observar quando formos guardar espécimes vegetais, para estudo.

O Carlos Ivan se propôs a convidar outros associados  para juntos mostrarem aos presentes como se prepara uma coletor manual de mel, um sugador de abelhas e garrafas iscas para Jataís e mirins.

Com certeza o Pedro Paulo irá nos oferecer um relato de sua ida a Viçosa e o nos mostrar o que aprendeu de novo na Semana do Fazendeiro, deste ano.

E ainda tem mais, mas isso vocês só vão saber se forem até lá.

A seguir, as formas de chegar até o sítio do Antônio Abreu.

a) Quem quiser ir pela Niterói-Manilha, só tem o pedágio da ponte.


  1. Pegar a ponte Rio Niterói
  2. Ao sair da ponte ficar a esquerda e pegar a estrada para Manilha
  3. Quando chegar a placa indicando Magé, pegar fazer o retorno e pegara a estrada para Magé
  4. Antes de chegar a Magé, vai encontrar o pórtico de Vale das Pedrinhas (do lado direito)
  5. Entrar para Vale das Pedrinhas e seguir o fluxo principal (você vai estar na Rua Dois),
  6. Siga sempre o fluxo principal, passando por cerca de 13 ou 14 ruas transversais.
  7. Entrar na primeira à direita, depois de passar a Igreja Católica  (é a Rua Dezessete).
  8. Na segunda rua transversal entrar à direita (Rua Quarenta e Nove)
  9. O sítio do Antônio Abreu é o segundo do lado esquerdo da rua. 
  10. O nome do sítio é "Nosso Sítio".
O pórtico fica a direita de quem veio de Manilha (Niterói)

Esta é a "Rua Dois", a principal, seguir sempre em frente.

Chegando a "Rua Dezoito", já dá para ver a igreja.

Igreja Católica, do lado direito.

Passando a igreja, pegar primeira rua a direita.
"Rua Dezessete"

Visão da "Rua Dezessete",
Na segunda transversal entrar à direita.
Você vai estar na "Rua Quarenta e Nove"

O "Nosso Sítio" é o segundo do lado esquerdo da Rua Quarenta e Nove.
Pedro Paulo e Antônio Abreu.

b) Quem quiser ir por Magé, vai encontrar dois pedágios.

  1. Pegar a Washington Luís (Rio-Petrópolis);
  2. Entrar a direita pela Rio Teresópolis (Rodovia Santos Dumont);
  3. Entrar a direita, para Magé;
  4. Depois de passar Magé, vai encontrar o pórtico à sua esquerda;
  5. Entrar para Vale das Pedrinhas e seguir o fluxo principal (você vai estar na Rua Dois);
  6. Siga sempre o fluxo principal, passando por cerca de 13 ou 14 ruas transversais;
  7. Entrar na primeira à direita, depois de passar a Igreja Católica  (é a Rua Dezessete);
  8. Na segunda rua transversal entrar à direita (Rua Quarenta e Nove);
  9. O sítio do Antônio Abreu é o segundo do lado esquerdo da rua;
  10. O nome do sítio é "Nosso Sítio".

Vindo de Magé, o Pórtico fica à esquerda..
Depois são as mesmas instruções.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Conhecendo abelhas sem ferrão da Chapada Diamantina



Como o Winckler disse na postagem anterior, eu visitei a Chapada Diamantina na Bahia e conheci dois criadores de abelhas sem ferrão, na localidade do Vale do Capão.

O primeiro se chamava Naldinho, ele tinha no seu meliponário abelhas mandaçaias, uruçu verdadeira (Melipona scutellaris), jataí, iraí, e outras.

Naldinho com sua uruçu.

No seu meliponário as caixas eram rústicas e não padronizadas em compensação os enxames eram um padrão só, todos estavam muito fortes.


Por está muito forte sofremos um ataque das uruçus já ao abrir a primeira caixa.
Provei do mel da uruçú e da mandaçaia, que por sinal estavam uma delícia, pena que não pude ficar muito tempo com ele mas fiquei impressionado com a dedicação que 
ele tinha com as suas abelhas.

Naldinho usa uma seringa para colher o mel.


Naldinho com o enxame de mandaçaia

Ao terminar de fazer a coleta do mel da mandaçaia e me mostrar o enxame , ele começou logo a calafetar as frestas com barro, que ele tinha num pote ao lado, diferente do manejo que fazemos aqui no Rio de Janeiro, onde usamos fita gomada para a vedação.A vedação com barro me parece ser mais eficiente pois em nenhuma 
das caixas, que ele abriu, vi os famigerados forídeos, além de ser mais econômica.

Usando barro para calafetar as caixas

No dia seguinte eu visitei o Sr. Luiz, criador de mandaçaias, ele me recebeu no seu meliponário, mas só permitiu que eu fotografasse as entradas das suas colônias sem mostrar todo o meliponário,pois não estava em “ordem”, segundo ele.
Ele me contou que criava dois tipos de mandaçaias, uma eu identifiquei como MQA ( Melipona quadifasciata anthidioides ),  a outra era bem menor.
Eu fotografei as entradas da abelha pequena, achando que seria a “mandaçaia menor” ( Melipona mandacaia smith), abelha endêmica do nordeste, mas diferentemente desta, ela não tinha as listras amarelas contínuas, como eu esperava.

A entrada das mandaçaias pequenas

As listras eram grossas.

Mas interrompidas

Acredito tratar-se de uma sub-espécie ou uma abelha que ainda não conheço.

Ela vista de lado


E por baixo

A Chapada é um lugar maravilhoso de se conhecer, e espero voltar muitas vezes, principalmente ao Vale do Capão.

Abraços a todos,

Carlos Ivan /RJ