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sábado, 4 de novembro de 2017

As 3 Leis da Abelhadinâmica

Eu e minhas divagações!

 Não sei como, mas meu “vício” por abelhas é tão grande que começo a enxergá-las em vários assuntos que me envolvem. Estava lendo um texto sobre entropia e sintropia que me enviaram, e como tenho estado afastado das terminologias da termodinâmica, resolvi dar uma relembrada lendo algum material. Não teve jeito, foi ler as 3 leis e logo fazer uma abelhuda associação, talvez possam até achá-la absurda!
Então a Primeira Lei da Abelhadinâmica – por associação - "Se dois corpos A e B estão separadamente em equilíbrio térmico com um terceiro corpo C, então A e B estão em equilíbrio térmico entre si." Traduzindo: Se as abelhas e a civilização estiverem separadamente em equilíbrio com a natureza, então abelhas e civilização estarão em equilíbrio entre si!
Segunda associação - “O calor não pode fluir, de forma espontânea, de um corpo de temperatura menor, para um outro corpo de temperatura mais alta.” Traduzindo: Os resultados da polinização não podem fluir, de forma espontânea, de um gênero de insetos que trabalham em prol da natureza para um conjunto de animais que destroem a natureza.
E finalmente a última lei da Abelhadinâmica. “Sempre que um sistema encontra-se em equilíbrio termodinâmico, a sua entropia aproxima-se de zero.” Traduzindo: Sempre que a natureza encontra-se em equilíbrio abelhadinâmico, a sua entropia aproxima-se de zero!
Para deixar mais clara a nomenclatura usada na 3ª Lei da Abelhadinâmica, podemos entender que o termo entropia, criado pelo físico alemão Rudolf Clausius, significa desordem/confusão que tende a aumentar e se propagar, e foi cunhado para explicar os princípios de Carnot. Classicamente define-se entropia como sendo a quantidade energia de um sistema que não pode ser convertida em algo útil. O termo entropia significando uma desordem sem função útil, também foi aplicado nas mais diversas áreas do conhecimento, tais como: a Teoria da Informação, a Fisiologia, a Ecologia e a Economia, e até no Criacionismo!
Já o termo "sintropia", por sua vez, foi cunhado pelo matemático italiano Luigi Fantappiè, (do grego syn=juntos, tropos=tendência), a fim de descrever as propriedades matemáticas da solução de ondas avançadas da equação de Klein-Gordon, que une mecânica quântica com a relatividade.  Mas tem sido aplicada como a tendência para a concentração de energia, ordem, organização e vida. Não tem o conceito diretamente oposto à entropia como muitos pensam, mas sim complementar. Sintropia define o crescente nível de organização de forma complexa e inteligente sobre um ambiente entrópico, de modo a sempre dar uma finalidade útil, retroalimentando um sistema.

Meio estranha esta lógica, aparentemente sem lógica, mas é mais ou menos por aí que o conceito de sintropia caminha. Um princípio regido por uma inteligência complexa, que tende a buscar a ordenação e finalidade útil do que se encontra em desordem.
Ernst Götsch traduziu sintropia como a tendência ao aumento da organização e da complexidade na rede de atores que atuam da natureza, de forma a aumentar os recursos e energia disponível no ecossistema. Para Götsch essa lógica se manifesta tanto no microcosmo quanto no macrocosmo, e é entendida como a força motriz dos sistemas naturais que organizam e otimizam sistemas entrópicos, gerando mais complexidade sintrópica.
O que gostei na explicação que ele deu, foi o exemplo com as abelhas! Ernst Götsch explica que apesar das abelhas parecerem seres que poderiam ser consideradas como entrópicas (geradoras de desordem) em si, pois consomem uma grande quantidade de néctar e pólen ao longo de sua vida (trazendo desequilíbrio com esta coleta em grande volume e maneira continuada), no balanço geral de um sistema maior são altamente sintrópicas (ou seja, geradoras de equilíbrio).
A mensagem brilhante neste exemplo do Ernst, é que ele leva em conta os diversos efeitos benéficos da ação polinizadora das abelhas dentro de um macro sistema acima das abelhas. Os efeitos da polinização são fundamentais tanto para o equilíbrio quanto para a potencialização dos recursos do macro sistema como um todo. Resumindo o que ele quer dizer, é que apesar das abelhas extraírem muitos recursos florais, retribuem com o efeito da polinização, que não só beneficia a própria planta doadora de recursos, mas também toda a cadeia alimentar que é formada a partir da polinização, e assim o ciclo se mantém, e a planta continuará a poder ceder recursos fartos para as abelhas sem se extinguir.
Baseado nesta lógica, aplicarei a abelhadinâmica em nossas vidas, analisando também a sintropia e a entropia!
A civilização atual apresenta capacidade investigatória científica suficiente para conseguirmos analisar com clareza os impactos e consequências das várias atividades da vida moderna sobre o meio ambiente, é só querer ser honesto e verdadeiro. E deve-se deixar claro que NÓS estamos contidos no meio ambiente! Por estarmos diretamente implicados no sistema, temos que desenvolver a capacidade de parar, e analisar fria e honestamente, se os resultados são entrópicos ou sintrópicos ao grande sistema a que pertencemos!
Posso deduzir rapidamente que o homem moderno não aplica as 3 Leis básicas da Abelhadinâmica!

Vou tentar destacar e comentar algumas atividades que, em minha opinião e acredito ser também da maioria dentro da AME-RIO, são perigosamente entrópicas (desorganizadas) e prejudiciais às abelhas, e por tanto aplicando-se a 2ª Lei da Abelhadinâmica, também à civilização.

Vamos colocar em pauta um Tendão de Aquiles da nossa civilização: a agroindústria, por exemplo.
Qualquer discussão que se dê início em uma roda de pessoas sobre as consequências entrópicas da agroindústria, vem a tona argumentações que apontam o total desequilíbrio que está sendo gerado: ser praticada nos atuais moldes exploratórios, pode-se dizer extrativista; ser baseada em uma lógica de produção sem preocupação com o solo ou com o meio ambiente; e ser associada a um pacote de agrotóxicos e fertilizantes químicos, que alteram todos os ciclos naturais.

O primeiro e único contra-argumento trazido em pauta pelos seus defensores é: “Já somos 7 bilhões de pessoas, se a agropecuária não fosse praticada nos atuais moldes, a humanidade morreria de fome”...

Ernst Cassirer diz que "o inimigo da ciência não é a dúvida, mas o dogma". Esta contra-argumentação dos 7 bilhões engessa a visão dos acadêmicos, e dificulta que voltem suas atenções às pesquisas alternativas aos pacotes Tech!

Atualmente esta ideologia tem sido vinculada como: “Agro é tech, Agro é pop, Agro é tudo” Concordo em gênero, número e grau em relação ao slogan da campanha. A agropecuária tem que estar embasada na tecnologia, e tem que ser voltada para a população. Mas o triste desvio é quererem impor uma associação de “tecnologia” ao uso da química como “defensivos fitosanitários”. Isso mesmo, “defensivos fitosanitários” é o eufemismo criado para dissociar qualquer relação entre o perigo de usar veneno na agricultura, e a ingestão contínua deste veneno pela população! A publicidade é tão forte que a maioria dos envolvidos na agricultura familiar considera agrotóxicos como um"remedinho" ou uma "enxada rápida"!   
Eu me pergunto, como artifícios químicos e altamente tóxicos como estes podem ser considerados “Tech” ou “Pop”? Não fecham o ciclo, não trazem agregação ou vida para o ciclo em que estamos inseridos. Matam abelhas, matam pessoas, quebram cadeias alimentares. São entrópicos tanto na visão micro cosmo, como no ponto de vista do macro cosmo, e só não percebe quem não quer!
Eu particularmente defendo a agropecuária sintrópica, orgânica, o “slow food”. A agricultura sintrópica é a que realmente agrega valor e vida ao alimento. 

Para os mais radicais, aqueles que defendem uma agropecuária mais intensa do que a orgânica ou sintrópica, ainda existem tecnologias alternativas como as que utilizam os biodefensivos, ou outras tecnologias que causam menor impacto ambiental. A meu ver não é a solução ideal, mas é menos agressiva, menos entrópica!
No contexto dos agrotóxicos tem lenha para muita discussão, mas acredito que temos a obrigação de conduzir o diálogo à luz da manutenção dos recursos futuros e das consequências diretas que estão ocorrendo ao adotarmos tecnologias entrópicas, como a dos agrotóxicos. Entendo que usar veneno é um conceito imposto de geração em geração de modo a formar uma nova ideologia, desta vez não a de gênero, mas a de propósito. O veneno trocou de nome: agora é “Defensivo Fitosanitário”, virou POP e estrela de comercial! Controle Fitosanitário é Tech, é Pop, graças a PL 6299/02 e PL 3200/15, propostas pela bancada ruralista, que proíbem o uso do termo “agrotóxico”. E qual é o propósito? Sanar a fome? 
Outra grande ideia imposta, associada aos venenos e adubos químicos são as sementes transgênicas. A grande ideia tecnológica é gerar “plantas veneno”, para matar as pragas que comem o precioso alimento que salvará o planeta da fome! Tecnicamente não se sabe se é uma planta realmente ou um veneno disfarçado!
Contra esta ideia mórbida não há como não argumentar: se a folha de uma planta transgênica mata um inseto centenas de vezes menor que o ser humano, pode em algum momento também causar algum dano neste mesmo ser humano que se alimenta deste mesmo tipo de planta por 50 ou mais anos seguidos!! É a associação mais básica que pode ocorrer até a uma criança! Mas os defensores da indústria do veneno logo citam Paracelsos, e declaram que o que torna uma substância em veneno é a dosagem! E ignoram premeditadamente o efeito cumulativo ou a toxidade crônica! Afinal as sementes destas plantas são patenteadas e as indústrias lucram uma fortuna, e uma pessoa não viverá tanto tempo para evidenciar os seus efeitos!
Abro um parênteses, para trazer abaixo maiores informações sobre a contra argumentação Paracelsos.

Hoje já se conhece mais sobre o processo de INTOXICAÇÃO, que pode ser desdobrado, para fins didáticos, em quatro fases:
Fase de Exposição: É a fase em que as superfícies externa ou interna do organismo entram em contato com a substância. Importante considerar nesta fase a via de introdução, a frequência e a duração da exposição, as propriedades físico-químicas, assim como a dose ou a concentração e a susceptibilidade individual.
Fase de Toxicocinética: Inclui todos os processos envolvidos na relação entre a disponibilidade química e a concentração da substância nos diferentes tecidos do organismo. Intervêm nesta fase a absorção, a distribuição, o armazenamento, a biotransformação, assim como a velocidade de sua eliminação do organismo.
Fase de Toxicodinâmica: Compreende a interação entre as moléculas da substância e os sítios de ação, específicos ou não, e consequentemente, o aparecimento de desequilíbrio.
Fase Clínica: É a fase em que há evidências de sinais e sintomas, ou ainda, alterações patológicas detectáveis mediante provas diagnósticas, caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do toxicante com o organismo.

 Como pode ser deduzido pelo resumo acima a única alteração, entre as 4 fases, que pode ser detectada pelo homem comum no SUS (Sistema Único de Saúde) é a fase clínica, onde as evidências se manifestam sem deixar dúvidas da toxicidade!
A outra alternativa de “Agro tech” que querem impor como coerente é usar outro tipo de plantas alteradas geneticamente, as que resistem a um veneno em específico. Desse modo pode-se aplicar veneno com mais “segurança” na lavoura.  O que significa “mais segurança” na lavoura “Agro tech”? Significa poder aplicar mais vezes veneno, pois a planta cultivada não morrerá pelo excesso daquele veneno!

Os defensores deste modelo agressivo e suicida de agricultura alegam que o agricultor aproveita desta resistência e excede desnecessariamente nas aplicações dos “defensivos fitosanitários”. Porém quem visa apena$ o lucro não quer ga$tar mai$ recur$o$ comprando mai$ veneno do que o nece$$ário. Afinal quem lida com estes grandes volumes de agrotóxicos são os grandes empresários da agroindústria, e não o agricultor da agricultura familiar! 

Mas a mídia não comenta que os tais “defensivos fitosanitários” não estão mais fazendo os efeitos esperados.

E com esta lógica incoerente, como justificar o “Agro pop”? 
Como justificar a população que consome frutos envenenados?
Ou como justificar a população de polinizadores, que morrem ao pousar nessas flores regadas a veneno? 
Nego tecer mais comentários, de algo tão evidente! Apenas pergunto: matar polinizador tem relação com tecnologia? Alimentar a população com veneno significa tecnologia? A meu ver estas atividades têm outros nomes!

Como este pensamento pode ser Pop, ou mesmo Tech? Para mim fere a 3ª Lei da Abelhadinâmica: - Sempre que a natureza encontra-se em equilíbrio abelhadinâmico, a sua entropia (desordem) aproxima-se de zero!

A partir de 2008, o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar no ranking mundial de maior consumidor de agrotóxicos. Segundo a ANVISA e o Observatório da Indústria dos Agrotóxicos da Universidade Federal do Paraná, enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, no Brasil o crescimento foi de 190%. A agricultura brasileira caracteriza-se pelo crescente consumo de agroquímicos, associado ao aumento proporcional das monoculturas, cada vez mais dependentes dos insumos químicos, um modelo de produção que difunde a falsa ideia de que a “modernidade" no campo gera progresso, emprego, renda e elimina a fome.
A presença de agrotóxicos nos alimentos é conhecida pela população, porém o impacto e malefícios na saúde ainda é vergonhosamente pouco divulgado. A pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer - Márcia Sarpa - afirma que há fragilidades nos critérios de classificação toxicológica dos agrotóxicos utilizados pela Anvisa. Para Sarpa a classificação é vaga uma vez que leva em consideração apenas uma exposição por um curto período de tempo. "Há os efeitos neurotóxicos, que são efeitos sobre o sistema nervoso central, por exemplo o Mal de Parkinson também já foi associado a exposição aos compostos” afirma.
Se agrotóxicos geram efeitos neurotóxicos constatados em seres humanos, por que não gerariam nas abelhas?  Para mim o uso de agrotóxicos para produzir alimentos é altamente entrópico!
Mas vamos mais adiante com as argumentações sugeridas pelos defensores da AgroTech, vamos tentar entender esta corrida pela produção de mais e mais alimentos para matar a fome de 7 bilhões baseada neste pacote tecnológico tóxico-químico.

Conseguimos manter o planeta equilibrado e alimentado com o que produzimos? Eu gosto de fazer associações palpáveis para poder chegar a alguma conclusão, e para isso fui buscar mais algumas informações, vamos a elas ...

Não sei por que razão, tomei como base de parâmetros o Município de JATAÍ, no meio de Goiás, cerrado brasileiro, distante 1098 km do porto de Santos. Jataí é considerada a capital da produção de grãos e leite de Goiás e o maior produtor nacional de milho. Tenho medo de pensar o porquê do nome Jataí para este município no meio de Goiás. Será que existiam muitas jataís?
Deixemos de lado as jataís do município de Jataí, pois elas devem agora ser muito raras, e vamos aos seus agricultores. Eles e os demais agricultores de Goiás esperam colher nesta safra mais de dez milhões de toneladas de grãos, mas escoar a produção é um desafio, já que várias rodovias estão em péssimas condições, o que já é um absurdo para um eixo integrador produtor/exportador!
Fora as condições das estradas, deve-se considerar as caçambas dos caminhões. São aquelas mesmas que também levam madeira, caixotes etc. Pode não parecer importante, mas estas caçambas chegam a perder até 700 quilos de grãos em um trecho de 450 quilômetros. Fazendo as contas, podemos supor que ao percorrer os 1098 km até o porto de Santos, pode haver uma perda de até 1700 kg de grãos jogados ao longo da estrada por um único caminhão! Reportagens supõem perdas de até 115 mil toneladas só no transporte dos grãos oriundos do cerrado.
A grande pergunta é: para que produzir mais, se a tecnologia de transporte não acompanha a de produção? 115 mil toneladas de grãos alimenta MUITA gente!!!  Onde está a sintropia, onde está a agregação de utilidade, de coesão, de ordenamento inteligente?  
Então agora vamos analisar a coleta de grãos. É sabido, no milho por exemplo, que a coleta mais eficiente é feita manualmente, e o método manual é inclusive usado como referência padrão nas comparações das máquinas colheitadeiras. Pois bem, a perda aceitável foi determinada em 60Kg/ha, mas na realidade estimam-se perdas nesta operação de até 109kg/ha. Só o município de Jataí que contabiliza 220 mil ha de milho plantado na safrinha de 2017, pode-se chegar a uma perda, só na colheita, de 11881 ton de grãos!! Cadê a sintropia (utilidade/agregação inteligente) nisso tudo?
Não bastasse o desperdício comprovado em toda a cadeia de produção, a tecnologia burra para alimentar 7 bilhões de pessoas conseguiu extinguir 80% do cerrado, o que se traduz de imediato na alteração da capacidade de absorção de água pela terra, e na alteração dos ciclos da chuvas só para começo de conversa...  O arqueólogo Altair Sales Barbosa, que há quase 50 anos estuda o papel do Cerrado na regulação de grandes rios da América do Sul alerta:
“O rio São Francisco está secando, haverá cada vez menos água em Brasília e a cidade de São Paulo terá de aprender a conviver com racionamentos.”
De quebra, o milionário agronegócio ainda levou junto com a extinção dos 80% do cerrado, quase 100% das abelhas nativas.  A visão “tecnológica” destes milionários investidores é que abelhas não são essenciais aos seus negócios! Se não fosse a paixão dos meliponicultores, enfrentando leis e regulamentos distorcidos impostos a nossa classe, muitas abelhas só poderiam ser vistas nos livros de histórias.
Me referi acima só a região central do Brasil, temos agroindústria suicida no sul, sudeste, norte e nordeste! É muito desmatamento! É muita abelha extinta! É muita incoerência!

Aplicação direta da 2ª Lei da Abelhadinâmica, o resultado do trabalho dos polinizadores não consegue fluir para os animais humanos que se mostram cada vez mais devastadores! A fome em diversas partes do planeta continua a existir, não pela falta de alimento, mas pelo egoísmo. A população brasileira e trabalhadores vem contabilizando um aumento de canceres. Tudo altamente entrópico (desordem generalizada)!
Não vou mais cansar ninguém com esta leitura chata, mas não posso deixar de trazer mais um dado para tentar responder a pergunta:

Vamos matar a fome do Mundo?

Soja no Brasil (segundo maior produtor mundial do grão) 
Fonte: CONAB

Produção: 113,923 milhões de toneladas

Área plantada: 33,890 milhões de hectares

Produtividade: 3.362 kg/ha

Consumo interno de soja em grão: 47,281 milhões de toneladas

Exportação de soja em grão: 51,6 milhões de toneladas - U$ 19,3 bilhões
Exportação de farelo: 14,4 milhões de toneladas - U$ 5,2 bilhões

Alimentamos toda a população brasileira (208 milhões) com 47 milhões de toneladas de grãos, e ainda exportamos um excedente de 66 milhões de toneladas somente de grãos e farelo, e pergunto: para onde vão estes grãos todos, o que levam junto deles para fora de nossas terras? Matam a fome das zonas esquecidas e famintas do planeta?

Junto com estes 66 milhões de toneladas de grãos e farelo estão sendo também exportadas a água de Brasilia e de São Paulo. Contabilizando só a região centro-oeste brasileira, cada grão leva junto, parte dos nossos 80% de Cerrado devastado, e a vida das nossas abelhas nativas que viviam lá! Exportam a cada ano nacos generosos dos nossos recursos naturais dos 5 cantos do Brasil que deveríamos entregar aos nossos filhos e netos. 

Proporcional ao crescimento das exportações, crescem casos de câncer que matam os brasileiros.  Isso só focando a produção de grãos, e se contabilizar os demais insumos exportados, carne, frutas, algodão, etc? E o lucro imediato e financeiro destas exportações, onde está? Em qual banco internacional, em qual investimento internacional?
O mais covarde em toda esta entropia é a imposição da ideologia dos “defensivos fitossanitários” às crianças que ainda não constituíram e acumularam informações suficientes para julgar! Lindos e bem editados desenhos animados são produzidos por empresas que fabricam veneno, e já tentam implantar a incoerente ideia nas crianças, de que as abelhas só nos cobram “respeito” e “o uso correto dos defensivos e tecnologias agrícolas” em troca da polinização!
Esta é a informação dada nos últimos segundos de exibição, após uma apresentação linda e impecável sobre a importância das abelhas!

Acho que já pensei e falei demais para demonstrar a incoerência em não se aplicar as 3 Leis da Abelhadinâmica em nosso sistema produtivo de alimentos. Um conjunto de Leis que mostram uma visão bem melipônica dos efeitos sobre nossas abelhas, e sobre nós mesmos, da tecnologia baseada em agrotóxicos!

A tecnologia que querem impor é agressiva à natureza, incoerente, destrói o palco agrícola, todos seus atores diretos (abelhas e produtores) e indiretos. Mata a fome e simultaneamente o próprio consumidor. Gera-se total desordem tanto ao nível micro como macro do sistema. A entropia causada não estabelece uma sintropia em um plano maior, tal como o exemplo das abelhas do Ernst Götsch. Não conseguimos matar a fome do Mundo, no entanto envenenamos milhares de pessoas, bilhões de polinizadores, destruímos centenas cadeias alimentares completas, e implacavelmente destruímos os recursos naturais futuros de nossos herdeiros, estamos transformando vida em deserto!

Não consigo ver qualquer sinal mínimo que seja de equilíbrio entre civilização, natureza e abelhas (1ª Lei), de haver fluência de algum benefício em prol dos polinizadores (2ª Lei), ou de um mínimo de sintropia/equilíbrio inteligente como consequência da ação da nossa civilização sobre a natureza (3ª Lei).

Situação muito triste, mas reversível! 

Existem 3 níveis de atuação dentro do “sistema civilização”, e um deles pode ser alterado trazendo equilíbrio: Dentro do sistema civilização existem os que lutam pela entropia, os que lutam pela sintropia, e os indiferentes.  
A virtude da nossa geração é a atividade intelectual, e nosso vício é a indiferença moral.
Não olhar para os lados é pior que ser cego.
Não olhar para o outro é o mesmo que desconhecer a si mesmo.
Não perceber o que acontece é ignorância, mas, perceber, e não interferir, é egoísmo.

Não sejamos indiferentes às tecnologias que nos matam!
Não sejamos indiferentes ao clamor dos polinizadores que vêm sendo extintos sucessivamente!
Sejamos como as abelhas: Vamos espalhar vida, cooperação, justiça por onde passarmos! 

MEDINA

domingo, 8 de outubro de 2017

CONTRA ATACANDO AS ABELHAS LIMÃO

O conhecimento tradicional é um bem inestimável, mas infelizmente costuma ser passada oralmente, e vai se perdendo. Felizmente inventaram as memórias eletrônicas que são capazes de armazenar muitas informações. Só que ainda temos que desenvolver ferramentas de busca ais poderosas, capazes realmente de mergulhar nesse mar de informações, juntando as tramas de um tecido comum.
A informática é engraçada, muito poder de armazenamento, mas para achar uma informação específica, é como procurar uma agulha no palheiro... aí recaímos ao “Acaso” para dar uma forcinha!!!
Por que estou falando tudo isso? Pois por “Acaso” consegui juntar três informações sobre o mesmo assunto, mas sem que eu tenha realmente como meta chegar a elas. Trata-se de informações do maior inimigo do meliponicultor: a ABELHA LIMÃO !
No meliponário que eu cuido, já tive o dissabor de ter caixas atacadas várias vezes por estas Irmãs Metralhas, cujo ninho pode ser composto por até 150 mil indivíduos. Com este número de indivíduos, e uma postura em ritmo louco,  esqueçam aquela velha estória de enfarinhar de branco alguns indivíduos para que os demais morram de rir quando chegarem ao ninho mãe, não faz nem coceira !!!
A estratégia é geralmente deste modo: Elas chegam de mansinho, apenas uma ou duas e ficam voando pelo meliponário. Chegam a ter o atrevimento de voarem frente a frente com a entrada do ninho estudando a possibilidade de ataque em cada caixa. Depois de escolhida a vítima, as batedoras somem, e em algum momento a caixa fica envolta por uma nuvem negra de abelhas. Como bandidas em um  banco, as “intrusas determinam”: quem tá dentro não sai e quem tá fora não entra! Fincam em forma de cera, sua bandeira de conquista, sobrepondo a entrada do ninho invadido e então fazem a festa! Pilham tudo o que o tempo de invasão permitir: larvas, ovos, cera, pólen, mel ...literalmente tudo.
A primeira informação interessante que resgatei sobre as abelhas Limão foi publicada aqui mesmo na AME-RIO pelo nosso fundador Pedro Paulo Peixoto (PPP), trata-se da abelha trigona "Duckeola ghilianii", apresentada a ele pelo mestre meliponicultor Padre Egídio. PPP nos trouxe a novidade com imagens e depoimento direto da cidade Presidente Figueiredo – AM, quando estava realizando o IV Concurso Nacional de Méis AME-RIO: “_É a predadora natural da iratim e, defendendo-se, as elimina impiedosamente, salvando as colmeias do entorno. É uma abelha mansa, esguia e de tamanho das uruçus, mais fina e esbelta”, diz ele.
Infelizmente é uma abelha de outro bioma e não incentivamos a propagação fora dele. Então “quem poderá nos defender” em nossos biomas?
Então navegando pela rede de internet em busca das possíveis aplicações de um princípio ativo, fora do contexto das abelhas, me surge nos resultados da busca um trabalho sobre as Lestrimelittas publicado pela USP. E lá estava a segunda informação importante sobre estas abelhas. Uma detalhada pesquisa do Biólogo Dr. Lucas Zuben. A pesquisa era tão interessante que convidamos o pesquisador para realizar uma palestra aqui no Rio de Janeiro: “Decifrando o Inimigo: a Comunicação Química da Abelha Limão”
Ele nos revelou a estratégia de ataque descrita acima, e também o composto que dá origem ao cheiro de limão, diferente do que todos pensam, não é mesmo responsável pela anulação da atividade das abelhas alvo dentro da caixa invadida. É comum encontrar em vídeos e em matérias da internet nas quais responsabilizam o composto que exala o odor citral como agente da desorientação das abelhas atacadas.    
Lucas Zuben conseguiu isolar substâncias distintas, que geram efeitos distintos durante o ataque: em suas glândulas madibulares ele isolou os compostos voláteis citrais (neral e geraniale), que exalam o odor de limão. E nas glândulas salivares o acetato de hexadecila e acetato de 9-hexadecenila.

Assim aprendemos que o composto citral (aroma de limão) na verdade estimula o contra ataque às abelhas Limão. Já os compostos ésteres acetato de hexadecila e acetato de 9-hexadecenila são os verdadeiros responsáveis pelo efeito de adormecimento/letargia imposto às abelhas do enxame atacado.
Uma vez dissipado, ou anulado, estes compostos ésteres de dentro do enxame as abelhas sob ataque “acordam” e as invasoras fogem. Uma simples ventilação no interior da caixa atacada já demonstrou eficácia.
Outro fato revelado pela pesquisa do Lucas Zuben é que a cera depositada pelas Lestrimelittas na entrada do enxame atacado é a bandeira guia da revoada que vem para o ataque. Se retirarmos este cerume da porta do enxame atacado, a tempo, e levarmos para outro local, todo a esquadrilha de metralhas vai para este novo local !!
Bem, destas duas informações podemos constatar: 1º - que existem abelhas imunes aos compostos da Limão. 2º - que uma vez descoberto algum solvente que anule a ação dos ésteres, podemos ao menos interromper um ataque de Limão.
Então trabalhar para descobrir um reagente aos ésteres acetato de hexadecila e acetato de 9-hexadecenila é campo para novas pesquisas. Os interessados já dispõem de uma direção a seguir!


A AME-RIO tenta disseminar esta importante pesquisa do Lucas Zuben, e sempre apoia a associação dos meliponicultores com os pesquisadores, para assim conseguirmos juntos informações novas desfazendo paradigmas e tabus da meliponicultura. Todos ganhamos com esta união!!

Em outro momento, mais uma vez me encontrava na internet, desta vez procurando respostas nos arquivos do bom e velho ABENA Yahoo grupos. Nada contra a modernidade, mas na minha opinião, os antigos grupos de discussão por serem acessados de computadores com teclado, e ainda não pelos atuais smartfones, permitiam aos usuários elaborar confortavelmente grandes textos, com citações, trocas de experiências, imagens, verdadeiras aulas on-line. O velho acesso exigia uma cadeira, um teclado e atenção exclusiva. Resumindo ... quem sentava para ler e responder tópicos do grupo, basicamente voltava sua atenção só a aquela atividade, e o resultado era mais rico do que as mensagens rápidas digitadas na tela de um smartfone, enquanto estamos no elevador, ou na condução ou em uma pausa rápida qualquer.
Assim mais uma vez o “Acaso” me levou ao resgate de um texto do Mestre Cappas que vou reproduzir parcialmente abaixo:
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Método Rotta / Paludo contra abelhas Limão
O meliponicultor Rotta fuma paieiros. E tem um condomínio de Plebeia nigriceps com muitas colônias na sua casa.  Influenciado pelo Meliponicultor Ben Hur Paludo, nasceu neste homem gaúcho o gosto por criar essas abelhas pequenas. No ano passado, o as suas colônias foram invadidas pelas famosas iratins; estas entram nas colmeias e estas Plebeia, tal como a remota e outras Plebeia, ficam sem ação e se isolam num canto, deixando as ladras fazerem o seu roubo. O Rotta, com o seu cigarro paieiro, observava essas pilhagens, e tentou afastar as Iratins com o bafo do fumo e as Iratins desistiram de seus ataques.
Um acaso… As grandes descobertas surgem e nascem de pessoas leigas… Pequenas coisas viram fenômenos estrondosos… Ele percebeu que o fumo afugentava as Iratins…
O amigo Ben Hur Paludo, este ano, viu uma colmeia de Plebeia droryana a ser pilhada pelas Iratins e chamou o Rotta, que veio com os seus cigarros… Paludo viu um monte de droryana decapitadas no chão da casa dele... Então chegou o Rotta, preparam os paieiros e abriram a caixa e deitaram o fumo dentro…
As Iratins abortaram logo o ataque e saíram em correria; elas libertaram o grito de retirada… Paludo que tinha colocado uma garrafa Pet na boca da colmeia de droryana invadida observou que esta ficou cheia de Iratins, umas 600. O fato curioso é que, enquanto as Iratins batiam em retirada, as droryana despertaram da sua letargia e começaram a atacar as pilhadoras.
Ora, como as Plebeia saíram da letargia, isto indica que a arma química das limão foi inutilizada. Eu,  Cappas, já vi ataques de Iratins a Plebeia e sei que basta uma limão para as invadidas entrarem em letargia, pois os Feromônios das Plebeia ficam apagados com o Desodorizante Apaziguador das Iratins (Tema da palestra do Lucas Zuben na AME-RIO). Então percebi, ao falar com os dois Meliponicultores amigos, que o fumo de paieiro neutralizava o ataque químico das Iratins, colocando estas em fuga e desarmando-as.
Nenhuma Plebeia sofreu com o fumo… Só as Iratins saíram em debandada, coisa que as Plebeia não fizeram. Assim se separa as abelhas… um método prático…
Agora, convido a todos do ABENA a usar este fumo nas suas abelhas-alvo a ser pilhadas pelas Iratins. Podem também usá-lo quando as Apis são atacadas… E depois escrevam no ABENA se a coisa resultou, pois só se sabe que em Plebeia dá resultado. Vamos ver se resulta com outros Meliponíneos.
Cappas
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Ao republicar nesta matéria parte do texto (acima) do Mestre Cappas de como combater as Lestrimelittas, as novas informações do Lucas Zuben e o registro do Pedro Paulo Peixoto, esperamos atualizar as informações até agora conhecidas sobre como se defender das abelhas Lestrimelittas.

Mas como eu não fumo, pensei como faria este combate. Então estou também propondo: Podemos construir um mini fumigador para aplicar fumaça de fumo de rolo em uma caixa sofrendo ataque das Limão. 
Repito o convite do Mestre Cappas de experimentarem o método em suas abelhas e me enviarem o resultado para eu postar aqui!!
Medina

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Conhecendo meliponicultores de Canela - por Fernando Conti

Em viagem pelo Rio Grande do Sul, mais precisamente na encantadora cidade de Canela, procurei fazer contato com Meliponicultores, e fui surpreendido logo no local onde fiquei hospedado, agraciado com um vizinho, criador de abelhas sem ferrão: Paulo Piva

Ele me recebeu com muita cordialidade, numa especial dedicação, para conversarmos sobre as nossas abelinhas. 
Um manejo melipônico, excepcionalmente incrível, extremamente perfeito, com muito zelo e uma dedicação exemplar.




Quero aqui, agradecer em meu nome e em nome da AME-RIO, a acolhida que recebi, por parte do  Paulo Piva.
Proprietário criador, e dedicado aficionado pelas Abelhas Nativas. 
Eu sem sombra de dúvida, ainda não havia encontrado nada igual. 






Ele cuida com esmero e carinho de aproximadamente 100 enxames, tendo ali Mandaçaias, Guaraipos, Manduris, Jatais, vários tipos de Mirins, Mandaguaris e Tubunas. 
O cuidado do amigo Paulo Piva é incrível, o capricho das suas caixas e de todo o ambiente é exemplar, mesmo com temperaturas abaixo dos 9ºC.




Expresso aqui todo o meu encanto e gratidão com a recepção, e o cuidado com a preservação de todas as abelhas gaúchas da região de Canela. 
Obrigado Piva!  
Grande abraço, e mais uma vez obrigado por eu poder ter participado de uma verdadeira aula , sobre as nossas Abelinhas.
Carlos Fernando Conti.
AME-RIO