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sexta-feira, 28 de maio de 2021

Legalização da Atividade de Meliponicultura

 Comecei na meliponicultura em 2008, quando me associei a AME-RIO. Era um tempo em que não existia WhatsApp, o YouTube era precário, e a busca no Google sobre “abelha sem ferrão” oferecia como retorno não mais do que 5 resultados válidos, entre eles a página do “Meliponário do Sertão” do nosso Mestre Kalhil. Os criadores trocavam informações e mantinham discussões pelo YahooGrupos, como o famoso ABENA. Telefone celular era um tijolão, fotos só com câmeras, internet só no PC em casa, com processadores Athlon ou Pentium e conexão de internet de 128 Kbps (kilobits por segundo).

ame-rio reunião guapimirim

Nesse tempo ter qualquer espécie de abelha sem ferrão era motivo de muita alegria e comemoração. Na associação estávamos todos aprendendo uns com as experiências dos outros, e a cada reunião mensal tínhamos notícias do resultado do desenvolvimento de novas caixas e técnicas de manejo que oferecessem mais eficiência e menor perda de enxames.


Foi o trabalho voluntário e de formiguinha dos amantes da atividade, espalhados pelo Brasil afora, que tornou o termo “meliponicultura” conhecido do público, e as abelhas sem ferrão um diamante recém garimpado de nossa terra. 

eventos ame-rio

publicações ame-rio medina
O amor de cada pequeno criador, de cada pesquisador solitário, atraiu a atenção e conquistou novos corações. Hoje nos tornamos centenas de meliponicultores e dezenas de pesquisadores, todos debruçados sobre nossas abelhas nativas.


ame-rio história

A atividade se concretizou como meliponicultura, e quem a adota tornou-se meliponicultor. E tudo que cresce tem que ser organizado, para não virar bagunça. Meliponicultores organizados em associações cobraram, e a resolução nacional sobre o tema foi alterada. Os estados, um a um, estão criando suas próprias Leis. 

Uma Lei nacional começou a tramitar no Congresso. No ”universo” legal a meliponicultura está sendo normatizada, mas no “universo” econômico a atividade ainda precisa de ajustes.


Leis estaduais já permitem a comercialização de produtos e serviços de meliponicultura, e a nível nacional temos o Selo Arte que veio somar facilidades. Mas para o Ministério da Economia ainda somos desconhecidos, isso porque não temos nossa atividade cadastrada no sistema CNAE.

AME-Rio meliponicultor

O CNAE - Classificação Nacional de Atividades Econômicas – é de suma importância pois é utilizada para determinar quais atividades são exercidas por uma empresa. É obrigatória a todas as pessoas jurídicas, inclusive autônomos e organizações sem fins lucrativos. É essencial para obtenção do CNPJ. Assim, se você quiser ser um micro empreendedor individual praticando a atividade meliponicultura, você não conseguirá. E a “solução” que vem sendo adotada é enquadrar a empresa como apicultura, ou seja, ser João no papel e Joaquim na vida real.

A existência de Leis que te permitem a comercialização de produtos e serviços não garantem uma existência legal da atividade perante o “universo” econômico, e portanto a atividade meliponicultura não existe de fato. 


O IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica - é responsável por rastrear as atividades econômicas para orientar o governo federal sobre as novas políticas de ordenação e incentivos.  E por não existir de fato, a atividade de meliponicultura não aparece nesse raio X, nos deixando de fora de políticas específicas que poderiam ser oferecidas ao setor.
QUANTO MEL DA MELIPONICULTURA ESTÁ REPRESENTADO NOS GRÁFICOS DO IBGE?

Pode parecer bem prático e até natural para um meliponicultor que ao tentar se enquadrar no CNAE, para prestar seu serviço ou vender seu produto melipônico, lance mão da atividade “apicultura” no cadastro, no entanto a “praticidade” desvia os olhos do “dono” do dinheiro.


 Aos olhos dos analistas econômicos a atividade não existe, e o cenário de criação de abelhas fica distorcido, consequentemente os incentivos fiscais, recursos para pesquisas e os programas de desenvolvimentos não são voltados especificamente para a meliponicultura.


A lei 14.119/21 que regulamenta o PSA - pagamento por serviços ambientais - foi sancionada. O PSA poderá ser aplicado em atividades que favoreçam a manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços que forneçam bens ambientais para consumo ou comercialização, e a serviços de regulação e manutenção ao meio ambiente como sequestro de carbono.


E quem melhor para prestar este tipo de favorecimento ambiental do que nossas abelhas nativas, que por milhares de anos estabeleceram uma estratégia simbiótica de sobrevivência com os nossos biomas? No entanto se o IBGE não enxergar a meliponicultura como uma atividade econômica em seus cadastros, portas começarão a se fechar ao acesso desses e de outros recursos possíveis de se obter.


Em 2019 a Câmara dos Deputados formou uma Frente Parlamentar Mista da Apicultura e Meliponicultura, e tem por objetivo acompanhar e fiscalizar as atividades de criação de abelhas e da produção de mel de modo sustentável e propor alternativas para resoluções de problemas ou entraves. 


E um dos assuntos que está sendo tratado por eles é exatamente a criação de um CNAE específico para meliponicultura, com os seus subgrupos possíveis. Então podemos apoiá-los e propor algo como:

- Grupo: Meliponicultura e como Sub Grupos: - Produção de mel; - Produção de própolis; - Produção de colônias; - Produção de insumos (caixas, etc); - Produção de pólen/Samburá;  - Agroindustria artesanal; - Serviços de polinização; - Prestação de Serviços ambientais; - Eco turismo; - Eco gastronomia; - Meliponoterapia; - Pesquisa; - Recuperação ambiental; - Educação Ambiental; - Produção de Sub-produtos e derivado da Melipinicultura; - Extratos de Propolis; - Compostos de mel + extratos vegetais; - Hidromel; - Aguardente de Mel; - Cervejas com mel; - Licores com Mel; - Frutas com Mel; - Cosméticos com Mel; - Produtos Naturais com Mel; - Resgate de colméia em risco; - Assessoria Técnica em Implantação e Manutenção de Meliponários; - Técnico em Meliponiterapia. 

Essa lista pode estar incompleta ou repetitiva, mas com muitas cabeças ajudando outras listas podem ser propostas.


 Estamos em 2021, já se foram muitos anos desde que a meliponicultura passava pela sua infância, aprendendo seus próprios manejos e particularidades para sobreviver. A fase pré-adolescente também já passou, quando descobrimos nosso potencial de crescimento e qualidades especiais que só a meliponicultura tem. Agora a meliponicultura entra em sua fase de adolescência, quer a chave do carro e chegar mais tarde em casa, mas para isso precisa conseguir os documentos necessários. Entretanto também temos que mostrar responsabilidade, e não só querer a chave do carro, mas ajudar a colocar combustível.


Temos que unir forças, e ajudar a Frente Parlamentar Mista da Apicultura e Meliponicultura a nos ajudar. Temos que nos organizar como entidades e financiar a defesa dos nossos interesses. Temos que levar aos que trabalham nessas frentes nossas dificuldades, nossas necessidades e nosso apoio. Pedir a ajuda necessária para conseguir o nosso documento para nós mesmos dirigirmos o carro, e demonstrar responsabilidade para conduzir esta atividade!

Medina

sábado, 22 de maio de 2021

DIA do APICULTOR - 22 de MAIO / DIA da ABELHA – 20 de MAIO

 Hoje, dia 22 de maio é dia do apicultor. E dia 20 de maio foi dia da ABELHA.

Para não passar em branco as datas, vamos falar um pouquinho sobre como essas datas foram escolhidas.

Talvez alguns colegas da meliponicultura mais ortodoxos estejam pensando: “_ Somos meliponicultores, temos que ter nosso dia reconhecido”; não discordo, penso também que devemos cobrar esse reconhecimento, e existem grandes nomes nacionais para serem referência para homenagem, e já coloco na fila de possibilidades o Padre Humberto Bruening – o Heroi das Jandaíras.


Mas não se acanhem, podemos nos incluir nessa grande comemoração, pois o prefixo “API” é da grande família Apidae, que ramifica para várias tribos e entre elas a Tribo Apinae bem como a Tribo meliponine. Então vamos comemorar e levar a mundo a mensagem da Tribo Sem Ferrão, a tribo cool !!


O dia do Apicultor é uma homenagem ao dia de Santa Rita de Cássia, para quem não conhece é para lembrar o Milagre das Abelhas. Vou tentar resumir aqui:


Conta a tradição que Rita, nascida em 1381  e batizada em uma igreja em Cássia. Seus pais costumavam levá-la para a roça e a deixavam dormindo à sombra de alguma árvore próximo de onde trabalhavam. Certo dia um enxame de abelhas brancas entravam e saíam de seus lábios abertos, neles depositando mel sem a ferroar. Rita não emitia nenhum gemido que despertasse a atenção de seus pais, ao contrário, a menina se alegrava. Um dia, um lavrador que estava também trabalhando próximo feriu-se com uma foice, dando um grande talho na mão direita. Ao correr para cidade para procurar ajuda de médico, passou perto da criança viu as abelhas que zumbiam ao redor de sua cabeça. O susto maior do que a dor do ferimento, foi até ela e agitou as mãos para livrá-las do enxame. No mesmo instante, sua mão parou de sangrar e o ferimento se fechou.


É uma história muito linda, pois as abelhas nos trazem vida em todos os sentidos: polinizam as plantas que se tornarão nosso alimento, nos fornecem mel e pólen como alimento, própolis e veneno como medicamento, cera que foi a fonte de luz dos seres humanos por longos séculos!


Mas a história do dia 20 de MAIO, como dia da abelha é igualmente interessante. O dia foi instituído pela ONU em 2017 em homenagem a Anton Janša, nascido em 20 de maio de 1734 em Breznica, região Gorenjska da atual Eslovênia. Cresceu em uma família que possuía mais de cem colmeias, ele desenvolveu um fascínio especial pelas abelhas desde cedo. Por ser muito inventivo e observador, revolucionou a prática de criação de abelhas, ele inventou um novo design de colméia e aperfeiçoou as técnicas de produção do mel.


Suas novas técnicas foram tão eficientes que muitos criadores buscavam sua ajuda para melhorar as suas criações, o que o incentivou até a escrever livros. Devido a tantas novidades, Maria Teresa, arquiduquesa da Eslovénia, fundou a primeira escola de apicultura do mundo, em que o professor responsável foi Anton Janša.


O legal é que Anton Janša também era pintor, da mania dele de pintar as faces frontais das caixas de abelha, veio a tradição Eslovena de fazer até hoje pinturas nas faces frontais das caixas.

  

Quando eu soube dessas 2 histórias fantásticas fiquei pensando: dia 22 de Maio podia ter sido o dia da Abelha e dia 20 de Maio o dia do Apicultor, mas ....

Histórias de nossas abelhas e de nossos pioneiros não faltam, quem sabe um dia estarei aqui contando uma delas para comemorar o dia da Abelha Nativa e o dia do Meliponicultor ?

Medina




segunda-feira, 1 de março de 2021

ABELHAS NOS PARQUES PARCEIROS

BEM VINDO!

VOCÊ DEVE TER CHEGADO AQUI POR MEIO DE UM QR-CODE, E DEVE ESTAR EM UM DOS MELIPONÁRIOS EM QUE A AME-RIO MANTÉM EM PARCEIRA.

ATUALMENTE VOCÊ VAI ENCONTRAR MELIPONÁRIOS MONTADOS EM UM DOS NOSSOS PARCEIROS:

PARQUE NACIONAL DA TIJUCA; BONDINHO DO PÃO DE AÇUCAR; PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO COM OS PARQUES BOSQUE DA BARRA, PARQUE CHICO MENDES, PARQUE DA PRAINHA, PARQUE MARAPENDI, PARQUE BOSQUE DA FREGUESIA, PARQUE DA CATACUMBA E ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO HUMAITÁ COM O PARQUE DO MARTELO.

NO RIO DE JANEIRO EXISTEM VÁRIAS ESPÉCIES DE ABELHAS NATIVAS, ENTRE ELAS AS LISTADAS ABAIXO :

  • Uruçu-Amarela (Melipona rufiventris mondury);
  • Guaraipo (Melipona bicolor);
  • Iraí (Nannotrigona testaceicornes);
  • Jataí (Tetragonisca angustula);
  • Jataí-da-Terra (Paratrigona subnuda);
  • Scaura (Scaura Latitarsis);
  • Mandaçaia (Melipona mandaçaia) MQQ e MQA;
  • Manduri (Melipona marginata);
  • Tubuna (Scaptotrigona bipunctata);
  • Tubiba (Scaptotrigona tubiba);
  • Mirim Droryana (Plebeia droryana);
  • Mirim-Guaçu (Plebeia remota);
  • Mirim-Preguiça (Friesella Schrottkyi);
  • Lambe-Olhos (Leurotrigona muelleri);
  • Borá (Tetragona clavipes);
  • Boca-de-Sapo (Partamona helleri);
  • Mandaguari Amarela ( Scaptotrigona xanthotricha)
  • Guiruçu (Schwarziana quadripunctata);
  • Tataíra (Oxytrigona tataira tataira);
  • Arapuá (Trigona spinipes) e
  • Abelha-Limão (Lestrimelitta limao)

NO ENTANTO APRESENTAREMOS AS CARACTERÍSTICAS DAS ABELHAS QUE PODEM SER ENCONTRADAS NOS MELIPONÁRIOS PARCEIROS.

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Nome científico: Tetragonisca angustula 

Família: Apidae Tribo: Trigonini 

Nome popular: Jataí.


 Localização: do México a Bolívia, no Brasil encontra-se em todos os estados.

Características: Abelha loirinha de olhos verdes. Abdômen predominantemente tubular e longo, bem mais fino do que o tórax. É uma abelha sem ferrão de pequeno porte (5mm). Os ninhos possuem cerca de 2.000 a 5.000 abelhas. Espécie bem adaptada e facilmente encontrada nos ambientes urbanos.

Os enxames são construídos em ocos de árvores na natureza, mas por ocuparem pouco espaço nos ambientes urbanos refugiam-se em muros de pedra, blocos de cimento ou tijolos vazados e caixas de medição de luz ou água.


A entrada da colmeia é um tubo de cerume de aproximadamente 1cm de diâmetro. É característica de enxames fortes a presença de abelhas guardas ou sentinelas voando próxima a entrada do ninho.

O alimento é armazenado em potes ovoides. O mel é de excelente qualidade, considerado por alguns como medicinal, podendo-se obter de 0,5 a 1,5 litros de mel/ano de colônias fortes. 

Estas abelhas podem ou não apresentar comportamento agressivo, que consiste em pequenas beliscadas na pele e enrolando-se nos cabelos.

É uma excelente polinizadora, os morangos quando polinizados por elas produzem frutos maiores, mais doces e de forma perfeita.

Curiosidades: Enxames podem atingir muitos anos no mesmo local, relatos de ninho com mais de 35 anos no mesmo local. Assim, podemos dizer que os ninhos são perenes, apesar das rainhas serem trocadas periodicamente.

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Nome científico: Nannotrigona testaceicornis 

Família: Apidae Tribo: Trigonini 

Nome popular: Iraí.


  Localização: encontrada principalmente em zonas tropicais: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo.

 Características: Abelha fácil de reconhecer por apresentar olhos verdes e antenas vermelhas, corpo preto com pilosidade grisalha e asas esfumaçadas. É uma abelha sem ferrão de pequeno porte (3 a 4mm). Os ninhos possuem cerca de 2.000 a 3.000 abelhas. Espécie bem adaptada e facilmente encontrada nos ambientes urbanos. Os discos de cria são quase sempre construído em formato espiral.

Os enxames são construídos em ocos de árvores na natureza, mas por ocuparem pouco espaço nos ambientes urbanos refugiam-se em muros de pedra, blocos de cimento ou tijolos vazados e caixas de medição de luz ou água.

A entrada da colméia é um tubo de cerume de aproximadamente 2 a 2,5 cm de diâmetro. É característica desta espécie apresentar uma colar de abelhas posicionadas  na borda do pito, olhando para fora. O pito é feito de cera fina e maleável e toda noite é fechado para impedir a entrada de inimigos. Condição que permite notar bem seus olhos verdes contrastando com as antenas vermelhas.

O alimento é armazenado em potes ovóides de aproximadamente 1,2 cm de diâmetro . O mel é geralmente doce, e não é aproveitado comercialmente. 

Estas abelhas são totalmente mansas e muito tímidas, se escondendo para dentro do enxame se algo se aproximar da entrada delas.

É uma excelente polinizadora, desde goiabeiras a morangos, quando polinizados por elas produzem frutos maiores, mais doces e de forma perfeita.

 Curiosidade: A origem do seu nome Iraí, como não poderia deixar de ser, vem do Tupi e significa (Ira: abelha, mel/ Y: rio). O “Rio do Mel”, o “Rio Doce”.

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Nome científico: Mandaçaia quadrifasciata anthidioides(MQA)

 Família: Apidae Tribo: Meliponini 

Nome popular: Mandaçaia


Localização: Apesar de controverso existem registros da Melípona quadrifasciata anthidiodes distribuídas em Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, no Espírito Santo, Goiás, Mato grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.

Características: Abelha muito mansa de cabeça e tórax pretos, abdome com 4 faixas amarelas interrompidas no meio de cada segmento e asas ferrugíneas. É uma abelha sem ferrão de grande (10 a 11 mm). Os ninhos possuem cerca de 800 a 1200 abelhas. Espécie NÃO encontrada nos ambientes urbanos. Na natureza os ninhos são comumente encontrados nos ocos naturais das árvores acessados por um furo, de 1 a 3 metros acima da superfície do solo, que permite a passagem de apenas uma campeira por vez, envolto por uma estrutura composta por raios concêntricos, construído com geoprópolis, uma mistura de barro e resinas extraídas das plantas e incorporam argila. 

Já foram encontrados enxames em ninhos de saúva (Atta pp) e nos ninhos de João de Barro abandonados, no sudeste é comum encontrar nos ocos naturais do Pau Jacaré e no Ipê Branco Cinco Folhas.


Começam suas atividades de forrageamento de madrugada, com o raiar do sol, no meio do dia reduzem bastante essa atividade. O mel da mandaçaia muito palatável com excelentes características organolépticas e portanto muito apreciado. Consistência mais liquefeito devido ao alto teor de umidade, com baixa acidez e doçura discreta. Independente das flores visitadas o mel sempre apresenta o aroma e o sabor característicos da espécie. Quando criada racionalmente na sua região de origem e havendo uma boa florada, a produtividade do mel pode alcançar 1,5 a 2 litros/caixa/ano, que são armazenados pelas abelhas em potes ovóides com aproximadamente 25 ml de volume, encostados e empilhados entre si.

É uma excelente polinizadora, e imprescindível na polinização do bioma nativo, devido a sua grande capacidade de vibração abdominal durante a coleta de néctar e/ou pólen, essa característica garante a polinização das espécies nativas. E por isso são importantes em áreas de reflorestamento.

É uma abelha que apresenta um comportamento mais seletivo no forrageamento, procurando espécies mais específicas da flora nativa, por isso é também uma ótima bioindicadora quanto a saúde do bioma em que se encontra. Tem se tornado cada vez mais escassas de se encontrar devido a falta de flora para alimentação e de ocos naturais para nidificação.

Curiosidade: Mandaçaia é uma palavra indígena que significa “vigia bonito”, que deriva da possibilidade de se observar, no orifício de entrada da colméia, uma abelha sempre presente, com a função de proteger o ninho contra a entrada de invasores.

Ninhos fortes, quando incomodados, formam uma revoada de abelhas que tenta envolver o invasor, dando leves beliscadas, recolhendo-se tão logo se afaste.

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Nome científico: Melipona rufiventris mondory

 Família: Apidae Tribo: Meliponini 

Nome popular: Bugia - Uruçu Amarela

 

Localização: Existem pelo menos 10 tipos de abelhas pelo Brasil denominadas Uruçus Amarelas, devido a coloração predominantemente amarela.

As abelhas Meliponas mondory (Bugias) são encontradas no domínio morfoclimático Mata Atlântica nos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em florestas de umidade elevada e geralmente abaixo de 400 m de altitude.

Características: Abelha mansa, de cabeça e tórax ferrugíneo a amarelo intenso, com o corpo coberto de pelos amarelos dourados. É uma abelha sem ferrão bem grande (11 a 12 mm). Os ninhos possuem cerca de 3000 a 5000 abelhas. Espécie NÃO encontrada nos ambientes urbanos, e cada vez mais raras também em ambientes naturais.

Os ninhos são comumente encontrados nos ocos naturais das árvores acessados por um furo, localizado até 40 metros acima da superfície do solo, permitindo a passagem de apenas uma campeira por vez. A entrada é envolta por uma estrutura composta por raios concêntricos, construído com geoprópolis, uma mistura de barro e resinas geralmente avermelhada extraídas das plantas e incorporam argila.

Estudos já realizados mostraram a estreiteza da Bugia com a mata úmida, que apresenta as condições ideais para as abelhas construírem seus ninhos, além de encontrarem, em árvores de grande porte, espécies com floradas muito abundantes, que são seus principais recursos alimentares, bem como locais de morada e reprodução.

O mel de Bugia é muito saboroso por apresentar características organolépticas diferenciadas. Liquifeito, como de outras melíponas, devido ao alto teor de umidade, com baixa acidez e doçura variada. Bugias são altamente produtivas, e quando criadas racionalmente na sua região de origem e havendo uma boa florada, a produtividade do mel pode alcançar 5 a 10 litros/caixa/ano, em épocas favoráveis, embora a média seja de 2,5 a 4 litros/ano/colônia. O mel é armazenado pelas abelhas em potes ovóides com aproximadamente 4 a 5 cm de altura e até 50 ml de volume, encostados e empilhados entre si.


Seu comportamento no forrageamento é mais generalista, tendo um ótimo desempenho na polinização e nos serviços ambientais primários, bem como em plantações comerciais. Vive em fragmentos florestais bem preservados sendo a principal polinizadora da Mata Atlântica, mas tem se tornado cada vez mais escassas de se encontrar devido a falta de flora para alimentação e de ocos naturais para nidificação.  Em Santa Catarina foi incluída como espécie vulnerável no livro vermelho de espécies ameaçadas.

 Curiosidade: Uruçu é uma palavra que vem do tupi “eiru su”, que nessa língua indígena significa “abelha grande”.

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PARA SUA GARANTIA E PARA A CONSERVAÇÃO DAS ABELHAS NATIVAS.

MONTE ISCAS PETs EM LOCAIS AUTORIZADOS.

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COMPRE ABELHA APENAS DE MELIPONICULTORES ESPECIALIZADOS EM DESDOBRAS.

NÃO INCENTIVE O COMÉRCIO EXTRATIVISTA.

domingo, 9 de agosto de 2020

Taxonomia de Abelhas para Iniciantes | AME-RIO

Palestra online que ocorreu dia 08/08/2020 às 20 horas.
Tema "Taxonomia de Abelhas para Iniciantes"
Palestrante dra. Favízia Freitas


Link para a palestra:

Guia ilustrado das abelhas "Sem Ferrão" das reservas Amanã e Mamirauá, Amazonas, Brasil (Hymenoptera, Apidae, Meliponini):

Livro "Abelhas Brasileiras: Sistemática e Identificação" de Fernando Silveira:

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Mesa-Redonda. Mel Nativo: Agregando Valores | AME-RIO

Mesa-redonda online que ocorreu dia 01/08/2020 às 18 horas.
Tema "Mel Nativo: Agregando Valores"
Palestrante Eugênio Basile, empresa mel MBEE, e Dr. Rogério Marcos Alves



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A Química da Abelha Limão | AME-RIO

Palestra online que ocorreu dia 18/07/2020 às 18 horas.
Tema "A Química da Abelha Limão"
Palestrante Dr. Lucas von Zuben



Link para a palestra:

Link para a tese do Dr. Zuben mencionada durante a palestra:


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segunda-feira, 27 de julho de 2020

A Diversidade da Meliponicultura no Brasil | AME-RIO


Palestra online que ocorreu dia 25/07/2020 às 18 horas.
Tema "A Diversidade da Meliponicultura no Brasil"
Palestrante Me. Jerônimo Villas-Bôas



Para assistir, clique no link abaixo:

Livro "Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão" de Jerônimo Villas-Bôas:

Livro "Manual de aproveitamento integral dos produtos das abelhas nativas sem ferrão" de Jerônimo Villas-Bôas:


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terça-feira, 26 de maio de 2020

BUIRA DE UMA GUIRUÇU

Buira no vocabulário Tupy significa ninho que certas abelhas fazem no chão.

Vou postar a seguir a história do resgate de uma Guiruçu. 
A história começa em Paty do Alferes, cidade serrana do Rio de Janeiro.

Um apicultor e amante de abelhas da região, que conhecia meu contato com abelhas sem ferrão, me procurou para repassar 3 enxames de abelhas sem ferrão que ele havia resgatado. Ele se dedica apenas às APIS, mas não queria ver morrer as abelhas que ele conseguiu resgatar de situações extremas.

Uma delas, foi resgatada de um terreno que sofreu uma terraplanagem. Abelha de abdómen amarelo e muito mansa. 


ATALHO => Caixa de Papelão

E por ser uma abelha de chão precisava de todo um cuidado especial no manejo, pois as caixas de madeira não dão o conforto térmico que elas requerem. Qualquer erro, e o enxame salvo poderia se perder ao longo do tempo.

Pensei em alguém com experiência em abelhas de chão e me veio a mente logo o nosso associado Wagner Torres. Liguei e perguntei se ele topava ficar com ela e tentar salvar o que restava do ninho, que já definhava em uma caixa de papelão.

Olhem o estado dramático em que ela se encontrava dentro da caixa:



Empreitada aceita, iniciou então a operação "Salva Guiruçu". E lá fomos nós de Paty do Alferes direto para Itaípu, 150Km e 2:30hs de viagem.

Enquanto dirigia, meu amigo já pesquisava na internet como fazer uma caixa ideal para Guiruçu. 
E quando cheguei, ele já havia achado um vídeo sobre o assunto, bem como já havia providenciado um vaso de barro para iniciar a transferência.


No vídeo que Wagner achou (atalho abaixo) o meliponicultor Pizzato comentava algumas dicas importantes, como por exemplo: esse tipo de abelha precisa ter contato direto com o barro vermelho, nem que seja apenas um pouco, senão definham. 


Entrega feita só à noite, Wagner Torres protegeu a caixa de papelão, e deixou as abelhas se aclimatarem no novo local, onde ficaria a nova caixa que construiria. 
As bichinhas sofriam, pois na semana seguinte o tempo mudou  para chuvas atípicas. Mas o cabra foi rígido e não pulou nenhuma etapa do ciclo de adaptação.

Lembro das dificuldades pelas quais ele passou.  Um dia quando liguei para saber como estava indo a construção do novo ninho, me disse estar com dificuldade de encontrar barro vermelho em Itaipu, para colocar entre a o vaso externo e o vaso interno. Já havia rodado varias casas de construção e nada. O terreno em Itaipu é predominantemente arenoso. 

Abaixo algumas imagens da construção:

O fundo do vaso externo ganhou argila expandida para absorver alguma umidade que venha a ocorrer, evitando de passar ao vaso interno. 


Por cima da argila expandida vem a argila vermelha. O detalhe importante:  o vaso interno tem que ter um furo no fundo para que as Guiruçus tenham contato direto com essa terra. É importante para elas.




A montagem da entrada é importante, pois o tubo que leva do exterior ao interior tem que ter um trecho de barro também. 




  
O tubo de entrada é um pedaço de PVC dobrado à quente



Nessa imagem dá para ver bem como ficou o orifício de entrada do vaso interno em relação ao vaso externo.


Após algumas modificações do projeto ensinado no vídeo, a caixa recebe o acabamanto superior.


No final a caixa ficou assim:




Para não perderem o caminho de casa, Wagner colocou a entrada da caixa de papelão pela frente da nova entrada. Só para garantir que todas voltariam para casa depois da mudança!


Feita a transferência, e já aclimatadas no local definitivo, não foi difícil se acostumarem com a nova casa, mais aconchegante.

A seguir mais alguns vídeos de como essas lindas abelhas se adaptaram tão bem ao nova casa em Itaipu. Com certeza os cuidados e dedicação do Wagner Torres foram imprescindíveis para o sucesso da operação.

Esse cabra vai ser o representante da AME-RIO na próxima parceria de meliponário a ser firmada no Horto de Niterói, junto aos escoteiros.

Antes que venham as perguntas, todos pensamos ser a Guiruçu schwarziana quadripunctata. Mas em uma consulta feita ao amigo Marco Abelha, parece que não foi confirmada como quadripunctata. 


Vamos aos vídeos:






ATALHO => RAINHA GUIRUÇU


Medina