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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

CONCURSO NACIONAL DE MÉIS DE ABELHAS SEM FERRÃO – AME-RIO - 2018

Em setembro deste ano de 2018 foi realizado a 6ª Edição do nosso já tradicional CONCURSO NACIONAL DE MÉIS DE ABELHAS SEM FERRÃO – AME-RIO, que tem sido realizado bienalmente.

E este ano mais uma vez realizamos o nosso concurso no maravilhoso cenário do Parque da Catacumba, de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Mais uma vez pudemos contar com a simpatia e presteza do pessoal do Parque aos quais agradecemos. Em especial ao apoio e ajuda estratégica que nos foi dada pela Elaine, com ideias e suprimentos de última hora.
Nosso concurso teve nesta edição patrocínio de parceiros que nos ajudaram a enriquecer a comemoração do evento.
O Bondinho do Pão de Açúcar contribuiu com dois ingressos que está disponível ao Meliponário dono do Mel Campeão deste ano, e também ofereceu um passeio aos jurados.
 E a empresa Mbee que atua junto no mercado de méis Gourmets, vai buscar entres os participantes e principalmente entre os melhores colocados um canal para colocação comercial dessas Jóias Gastronômicas.
Quem  liderava a AME-RIO na 5ª edição do concurso era Gesimar, nesta 6º edição quem comanda nossa associação é Carlos Ivan.

Na equipe, 4 jurados bem representativos: Dra. Ortrud Monika Barth da Fiocruz que nos oferece uma análise palinológica. Eugênio empresário da Mbee méis gourmet, acostumado com os melhores paladares. Prof. Rogério Alves da UFRB e renomado pesquisador e conhecedor dos méis nativos. E Chef Caco Marinho do restaurante DOC, reconhecido por adotar ingredientes nativos em suas criações, inclusive os nossos méis e pólens de abelhas sem ferrão. Os quatro nos brindaram com excelentes apresentações sobre as abelhas sem ferrão em relação as atividades que exercem.
Acendo a curiosidade das pessoas para as novidades positivas que Prof. Rogério Alves nos trouxe em sua palestra sobre recentes pesquisas das abelhas Arapuá, Tataíra e seus pólens. 
Sensacional !!!
Também palestrou antes do início do julgamento o Prof. Igor Almeida do laboratório de farmácia da UFRJ. Ele propôs incluir na pesquisa de doutorado dele amostras dos méis que concorreram ao  prêmio, com o objetivo de buscar sinais de atividade farmacológica nos méis de abelhas sem ferrão. Esta pesquisa é muito longa, mas quem sabe descobriremos mais novidades nos méis de nossas abelhas!!

Bem vamos ao Concurso. Mesa arrumada.


Todos os jurados ansiosos por iniciar.
Ficha de julgamento prontas.
Méis todos codificados aguardando serem analisados.


E aí começa a viagem dos 4 jurados no universo das sensações. Degusta este, degusta aquele, e começam a vir lembranças sensoriais das mais diversas: sabores, aromas e sensações resgatadas até lá da infância. Cheguei e escutar o suspiro de um jurado a relembrar do cálido perfume da avó! 


E de degustação a degustação ouve-se elogios, vê-se o deslumbrar das feições denunciando prazer e surpresas! 
O que tantas jóias gourmet raras fazem escondidas nos sete cantos do Brasil ?!
Os resultados foram transferidos das fichas para a tabela de cálculo. Mas devido a um problema de falta de energia de última hora, ao invés de se contabilizar as fichas no notebook, tivemos que fazer em um back-up via Smatfone. O resultado saiu às 14:30 hs no celular, e os presentes foram todos informados. No entanto, por segurança, deixamos para transmitir o resultado oficial somente depois de repassar outra vez as fichas para o notebook.

O GRANDE CAMPEÃO este ano é um mel de URUÇU AMARELA de Teófilo Otoni - Minas Gerais, do Meliponário SERRA AZUL.


Para ele vai o Troféu, Certificado de CAMPEÃO e mais dois acessos para um passeio no Bondinho do Pão de Açúcar.

O Campeão foi seguido pelo Mel do Meliponário Costa do Sauípe (BA) com Uruçu Nordestina.
 E quase emparelhando o Meliponário do Sertão (RN) com Jandaíras.


Os dois também estão de parabéns!!!

E também receberão certificado, os três primeiros colocados de cada categoria, assim teremos:
Maturado - Meliponários Duquinha e Meliponário Oliveira
Desumidificado - Meliponário da Genna

Além de reconhecimento Nacional também terá divulgação Internacional, pois o jurado e Chef  Caco Marinho levou uma amostra desta jóia mineira para participar do evento Slow Food em Turim (Itália).

O mel de abelha sem ferrão tem sido o preferido dos chefs de cozinha, por ser mais úmido que o mel de abelha com ferrão, ter leveduras selvagens, e temperatura ideal para fermentação controlada. “Além de encantar pelo sabor, textura e odor, é um mel que enche a boca de água, com um teor de umidade que quebra o excesso de doçura. O mel é mais do que uma alternativa edulcorante, quando interage com a acidez, ele é também um elemento estimulante do paladar”, explica Caco Marinho.

A Mbee através do seu fundador Eugênio já abriu ou está tentando abrir canais de comunicação e negociação com os meliponários em evidência pelos prêmios ou dentre outros que chamaram a atenção pelos seus sabores peculiares.

Algumas passagens do Concurso:

Um minuto de silêncio no início da reunião em memória do associado Antônio que faleceu na mesma semana do concurso.

Público presente

Entre os presentes Nelson Victor da FAERJ

domingo, 23 de setembro de 2018

PRIMAVERA SEM FERRÃO


Quando eu flor.
Quando tu flores.
Quando ele flor ...
Nós flores seremos. 
E o mundo florescerá.
Que esta primavera perfume o seu coração com todos os aromas da alegria.
Que o calor seja suave.
E que a brisa seja amena.
Que o perfume seja doce.
E que cada dia valha a pena.
Que estes três meses lhe renovem a Paz, o Amor, a saúde e a força para seguir com os projetos da sua vida.
Deixe que a vida faça contigo, o que a primavera faz com as flores.
Encante-se!
Transborde cor!
Espalhe amor!
Primavere-se.
Os meliponicultores pedem a permissão do autor
Gilson Cavalcante
Para trazerem nossas Abelhas Nativas ao poema
Quando eu flor.
Eu abelho
Quando tu flores.
Outras abelhas
Quando ele flor ...
Muitas abelhas
Nós flores seremos.
E nós muito trabalharemos

E o mundo florescerá.
E nós enxamearemos
Que esta primavera perfume o seu coração com todos os aromas da alegria.
Porque nós compartilharemos sem ferrão estas alegrias
Que o calor seja suave.
Como o mel que fazemos
E que a brisa seja amena.
Como nossa presença
Que o perfume seja doce.
E o nosso Mel um prazer
E que cada dia valha a pena.
E cada pote uma surpresa
Que estes três meses lhe renovem a Paz, o Amor, a saúde e a força para seguir com os projetos da sua vida.
Pois trabalharemos com garra, dedicação para produzir o melhor mel da região
Deixe que a vida faça contigo, o que a primavera faz com as flores.
Compartilhe nossos sabores, agridoces, encantadores , conquistadores
Encante-se!
Nós somos sem ferrão
Transborde cor!
Pois somos verde amarelas
Espalhe amor!
Propague que somos nativas
Primavere-se.
Meliponiculture-se

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


AS PLANTAS FALAM. MAS ESTÃO COM PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO


Os gases das fábricas e dos veículos automotores se difundem silenciosamente, interagindo com as substâncias químicas emitidas pelas plantas. Isso altera a comunicação entre elas e pode explicar o fenômeno da diminuição do número das abelhas e de outros insetos polinizadores.

Por: Marta Zaraska
Fonte: Revista New Scientist, Londres
Publicado em 13/09/2018

Em O Dia das Trífides (Coleção Argonauta, Editora Livros do Brasil), o romance pós-apocalíptico de John Windham que se tornou um clássico, a humanidade é atormentada por plantas carnívoras gigantes que andam e que têm espinhos venenosos. A dimensão da ameaça advém da capacidade de comunicar e, consequentemente, conspirar contra nós.
Parece rebuscado, mas desde a publicação do romance, em 1951, que um dos elementos desta obra de ficção científica foi confirmado pela ciência: sim, as plantas falam. Se passearmos numa floresta e se inspirarmos profundamente, poderemos sentir as suas “palavras”, na forma de substâncias químicas complexas como o beta- pineno, que tem o cheiro da madeira do pinheiro.
 
Certos óxidos, como o de ozono e o de azoto, emitidos pelas centrais elétricas e pelos veículos, são os principais elementos perturbadores das mensagens entre vegetais.

As plantas produzem milhares de cheiros e os associam para criarem “frases”. Essa linguagem perfumada está ameaçada. A poluição do ar perturba os odores e transforma as mensagens em conversas confusas e sem nexo. Isso não só afeta a capacidade de sobrevivência das plantas como também é uma péssima notícia para os insetos polinizadores e até para nós, humanos, porque condiciona, entre outros, o cheiro das nossas flores favoritas. Felizmente, existe uma forma nova de ajudar os nossos amigos vegetais a contra-atacar.
Há muito tempo sabemos que os insetos polinizadores e até mesmo os insetos nocivos distinguem as plantas por causa da composição única de substâncias químicas que cada uma emite. A novidade é a ideia de que os vegetais usam essa capacidade para falar entre si.
“As plantas libertam na atmosfera substâncias químicas voláteis que podemos considerar uma linguagem, no sentido em que é possível afirmar que a planta que liberta a substância ‘fala’ com a que a recebe e ‘ouve’ a resposta”, explica James Blande, especialista em Ecologia Química da Universidade da Finlândia Oriental. “Algumas plantas informam outras em caso de ataque iminente de parasitas. Quando um tomateiro está infestado de vermes cinzentos (uma espécie de lagarta), por exemplo, liberta um coquetel de produtos químicos que é captado pelos seus vizinhos. Assim que estes “recebem” o alerta, começam a produzir glicosídeos (substâncias químicas, formadas pela união de moléculas de glucídeos), que desencadeiam a emissão de um veneno destinado a eliminar as lagartas. Outras plantas pedem ajuda a insetos amigos, usando um método semelhante: quando os pulgões invadem uma planta de soja, esta aciona um alarme químico que faz com as joaninhas venham em seu auxílio”.
 

De quem é a culpa?
Sabemos hoje que a poluição pode afetar essas comunicações. Para estudar o fenômeno, James Blande e sua equipe colocaram exemplares desses insetos em salas com flores de papel semelhantes às da mostarda-preta. A seguir injetaram na sala o odor de flores de mostarda-preta, que foi aumentado seja num ambiente saudável seja numa atmosfera poluída. A reação foi inequívoca: no primeiro caso, os insetos foram imediatamente atraídos pelo odor não poluído, mas no outro caso a poluição fazia com que andassem incessantemente em círculos em vários pontos da sala, demonstrando desorientação.
Por quê? Nos últimos anos, o óxido de ozono e o óxido de azoto apareceram como sendo os principais elementos perturbadores das mensagens entre vegetais. Estes dois óxidos são emitidos pelas centrais elétricas e pelos veículos, sendo os motores a diesel os mais problemáticos. Ambos reagem quimicamente com as substâncias voláteis emitidas pelas plantas, decompondo algumas mais depressa do que outras, modificando o seu aroma. Quando o limoneno, um monoterpeno (molécula aromática) que é uma “palavra” comumente usada pelas laranjeiras, é misturado com ozono, divide-se em várias centenas de elementos e chega a constituir 1.200 compostos diferentes.
Às vezes, esse fenômeno se produz a uma velocidade alucinante. Robbie Girling, da Universidade de Reading, no Reino Unido, e a sua equipe expuseram oito substâncias, produzidas normalmente pelas flores, a gases do escapamento de um motor a diesel. “Não esperávamos que isso acontecesse tão depressa”, afirma. Em um minuto, o período mais curto avaliado pelo nosso método, um dos compostos tinha desaparecido. Tomou-se indetectável instantaneamente.”
Não é apenas a clareza da linguagem que sofre: é também a sua “quantidade”. O odor libertado pelas plantas não viaja tão longe num ambiente poluído como num ambiente limpo. Para perceber como as coisas se modificaram, desde a era pré-industrial, José Fuentes (da Universidade da Pensilvânia, EUA) e a sua equipe, da Universidade da Virgínia (EUA), desenvolveram um modelo informático que integra os níveis de poluição no decurso da história e constataram que os odores, que antes podiam ser captados a quilômetros de distância, não percorrem hoje mais de 200 metros.
 
 Esses cientistas observaram a mesma redução de sinal entre um ambiente limpo e um ambiente poluído, como o dos nossos dias. Tomemos como exemplo o feijão (espécie leguminosa). Quando atacada por ácaros-aranha (uma das famílias desses parasitas), uma planta emite sinais químicos que incitam os vizinhos a produzir um néctar açucarado que atrai ácaros predadores, que atacam os invasores. “Se a atmosfera estiver limpa”, constatou James Blande, “as plantas comunicam sem problemas com os vizinhos situados a 70 centímetros, mas se a concentração de ozono ultrapassar as 80 partes por milhão (ppm), os seus gritos de alerta não serão captados a mais de 20 centímetros”.
Estas 80 ppm de ozono parecem muitas vezes ser o limiar em que os problemas começam, o que é uma má notícias porque a concentração de ozono na atualidade ultrapassa muitas vezes as 100 ppm e, nas zonas urbanas, chega a alcançar as 200 ppm. Não conhecemos tão bem os limiares problemáticos do óxido de azoto, mas não temos dúvidas de que os gases emitidos pelos motores a explosão danos: eles têm um tal impacto na saúde humana que em alguns países como no Reino Unido a regulamentação fixa limites para as emissões. Porém, na realidade, esses limites são regularmente ultrapassados. Por exemplo, o nível de dióxido de azoto não pode ultrapassar os 200 microgramas por metro cúbico/hora, mais de 18 vezes por ano. No entanto, em algumas zonas de Londres, esse limite foi ultrapassado já nos primeiros dias de 2017.
 
 Perfume das rosas afetado
Os jardineiros citadinos certamente já repararam nesse efeito. “Esses poluentes afetam os odores emitidos pelas plantas”, afirma James Blande. Os óxidos de azoto chegam a reduzir o tempo de alguns odores florais no ar de 18 horas para apenas cinco minutos. O perfume das rosas, por exemplo, é menos intenso nas cidades do que no campo, realça o investigador. É preciso estar muito perto para lhes sentir o cheiro e, mesmo assim, não conseguimos identificar todo o seu aroma, porque os poluentes destroem rapidamente alguns compostos como o beta-cariofileno (presente sobretudo no lúpulo, no alecrim e na canela).
Não é apenas o nosso nariz nem os poetas que sofrem, quando o odor das flores é perturbado. “Não acho que seja ir longe demais afirmar que a poluição doar constitui um fator redutor do número de insetos”, afirma Robbie Girling. A quantidade de insetos está diminuindo constantemente em todo o mundo. Esse é um fenômeno que produziu manchetes na mídia em 2017, quando os cientistas perceberam que as reservas naturais de insetos na Alemanha tinham diminuído 75% em apenas 27 anos.
Uma comunicação deficiente entre insetos e flores pode ter consequências particularmente importantes para os polinizadores, mesmo que ainda ninguém tenha medido o seu impacto no número de abelhas. Robbie Girling e a sua equipe constataram que o mirceno, um monoterpeno volátil corrente, é particularmente vulnerável aos gases emitidos pelos motores a diesel – e isso pode confundir os polinizadores: se retirássemos o mirceno do aroma das flores, apenas 37% das abelhas as reconheceriam.
A interferência na linguagem das plantas ameaça a sobrevivência dos insetos polinizadores, e as próprias plantas, e pode desestabilizar ecossistemas inteiros, com consequências graves para o mundo natural e a agricultura. Mesmo que nos esforcemos por reduzir a quantidade de poluentes, as coisas já foram tão longe que, agora, só poderão melhorar muito lentamente.
A boa noticia é que existe uma medida simples e imediata para ajudar as plantas a comunicarem: plantar mais, para que absorvam os poluentes. Algumas plantas são mais eficazes nesse processo de deputação ambiental do que outras. Segundo esses investigadores, a reflorestação é particularmente apropriada, porque as árvores possuem uma grande superfície que lhes permite absorver o ozono e o dióxido de azoto da atmosfera.
Os urbanistas já se colocaram no bom caminho. Várias cidades têm jardins verticais e paredes vivas. Em Londres, por exemplo, uma parede com 20 metros de altura e mais de 10 mil plantas foi construída junto à estação ferroviárias Victoria. Há mesmo quem plante árvores no topo dos edifícios. Em Milão, existe o primeiro arranha-céu florestal do mundo; construído em 2014, nas suas varandas há 800 árvores e cerca de 20 mil outros tipos de plantas.
O projeto Nanjing Green Towers, que está sendo construído na China, contará com 1.100 árvores e milhares de outras plantas. Há também uma cidade-floresta em construção perto de Liuzhou.
A interferência na linguagem das plantas
Claro que a poluição perturba também a comunicação no seio dessas florestas urbanas, mas tem menos impacto nos outros vegetais. Como as plantas estão mais perto umas das outras, não precisam gritar para se fazerem ouvir. Parece que já entendemos a situação. Jose Fuentes apela, no entanto, à prudência: alguns vegetais geram uma grande quantidade de moléculas orgânicas, as quais são as precursores (compostos que entram numa reação que produz um ou outros compostos) do dióxido de ozono e podem agravar a questão do ar poluído das cidades. “Carvalhos, álamos e choupos, por exemplo, estão fora de questão”, ele afirma.
E nos campos? Mesmo que estejam muitas vezes mais limpos, os poluentes têm efeitos nas plantas comercialmente importantes, o que pode desencadear consequências desastrosas. Para José Fuentes, a solução passa pelo plantio de flores ao redor dos campos, sobretudo as petúnias. Elas não apenas limpam os poluentes que perturbam a comunicação vegetal como também atraem insetos polinizadores. E se as flores cheirarem bom, melhor ainda para o nariz dos seres humanos. Todos ganham com isso.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

A HISTÓRIA DE UM ATAQUE

Segue abaixo mais uma colaboração do Prof. Harold Brand
Uma produção apresentando a vida de duas colônias de abelhas nativas que um dia se encontram : 
Um enxame de Jataís e outro de Abelhas limão 
Muito interessante apesar da baixa qualidade das imagens antigas.

Bom Vídeo




domingo, 24 de junho de 2018

FORÍDEOS E AS ABELHAS, CONHECENDO MELHOR O COMPORTAMENTO

Hoje temos o primeiro artigo de um novo colaborador, o Mestre Harold Brand, biólogo, meliponicultor e consultor da APA (Associação Paranaense de Apicultura).
Ele nos brindou com um tema que é de interesse de todo meliponicultor: 
FORÍDEOS E AS ABELHAS, CONHECENDO MELHOR O COMPORTAMENTO.


      O comportamento dessa espécie de mosca, na sua fase larvária desempenha dois papéis distintos, um na cadeia alimentar na função de decompositoras e outro como invasora eventual de colmeia como predata oportunista.

     Na natureza, por meio de suas larvas tem importante função na transformação da matéria orgânica em compostos mais simples, como os sais minerais necessários na continuidade da vida vegetal.
     Elas convivem bem no equilíbrio da natureza, para a sua postura apreciam o solo úmido das matas e em particular os locais onde se acumulam muitas folhas, restos animais e outros materiais orgânicos em decomposição. No espaço ocupado pelo homem, as fêmeas grávidas havidas na postura, procuram os lugares próximos à criação de gado, porcos, galinhas e outras criações principalmente onde a higiene é descuidada. Neles, as emanações do forte cheiro ácido funciona como atrativo ou sinalizador para as fêmeas grávidas na localização de um berço esplêndido para a postura de seus ovos e a garantia nutricional para sua descendência.

      Como predadora oportunista das colmeias em situação de desiquilíbrio, motivada muitas vezes pelo manejo inadequado, as suas larvas podem levar a destruição completa das famílias. Fato que levou a ser considerada por muitos meliponicultores como inimiga número 1 de seus enxames.

      As fêmeas adultas grávidas com sua notória agilidade lhes permitem penetrar em qualquer colmeia, burlando com a sua rapidez as atentas abelhas sentinelas posicionadas na entrada da colmeia. Entretanto, as famílias bem estruturadas os ovos postos são rapidamente descartados.

As abelhas: conhecendo melhor o comportamento.
      Na história evolutiva das abelhas há uma convivência com os forídeos que data de pelo menos 20 milhões de anos, nesse período as abelhas aprenderam a conviver, elas sabem como neutralizar a sua infestação desde que nós humanos não as atrapalhem com manejo inadequado.
      Sabemos que a infestação dessas “ mosquinhas” é mais frequente após as divisões das colônias, quando estas são resultantes de manejo que não foi levada em conta pelo meliponicultor as várias faixas etárias das abelhas na sua distribuição equitativa entre da caixa mãe e filha. Nos casos de divisão feita pelo meliponicultor em que a caixa mãe ou a filha recebam apenas abelhas novas, essas são incapazes de reconhecer e manipular os ovos postos por essas moscas e como resultado uma inevitável proliferação das larvas.

       Há uma crença generalizada de que em caso de necessidade as abelhas podem retornar as atividades a estágios anteriores “politeísmo etário”. Mas, esse mecanismo ou comportamento é relativo, pois muitas das atividades das abelhas estão relacionada a órgãos que se desenvolvem e que atrofiam no transcorrer da vida e que são indispensáveis para exercer certas funções especializadas. Por sua vez a mais novas passam a metade de suas vidas confinadas na colmeia, elas ainda não estão aptas a voar e como tal sem a capacidade de explorar o pasto floral.


        Fica claro, ao meliponicultor mais atento, os cuidados necessários e a importância ao dividir as suas colmeias para que as famílias resultantes recebam abelhas de várias faixas etárias. Ambas devem ter por exemplo as faxineiras, habilitadas em remover os resíduos e os ovos postos pelas moscas. Do mesmo modo no caso da caixa filha receber somente abelhas novas, essas não irão concertar as estruturas destruídas durante o manejo e muito menos remover os ovos postos pelas moscas. Os resultados são previsíveis, o caminho fica aberto para a infestação descontrolada. Ainda no caso da família filha que após a divisão ser constituída apenas por abelhas novas, na ausência das mais velhas nas suas proximidades, elas abandonam o disco de cria que é o local normal da sua permanência passando a percorrer o interior da colmeia e finalmente acabam saindo para o meio exterior onde sucumbem. Nessa faixa etária ainda não sabem voar e nem desenvolveram a capacidade de orientação. Nas abelhas existe o “sentido” de aprendizado (os pesquisadores alemães e ingleses denominam o aprendizado de “imitação deferida” a proximidades das mais velhas o exemplo é importante.

       A sociedade das nossas abelhas é uma estrutura complexa e às vezes muito parecida com a nossa.

     São esses cuidados que torna interessante adotar o manejo pelo método de divisão progressiva, pois ele permite uma distribuição mais equitativa das diversas faixas etárias e ainda por acréscimo pode ser usado para o melhoramento genético massal.

       Muitos meliponicultores ainda no intuito de gerar muitas famílias em pouco tempo realizam divisões seguidas que resultam em colmeias com pequeno número de abelhas. Nessas condições certamente elas não têm tempo de desenvolver todas as atividades e ainda coletar os ovos das moscas.  Em pouco tempo o destino fica selado e para o meliponicultor o desespero da perda.

     O manejo descuidado na divisão pode romper muitas estruturas como potes de pólen e mel ao ponto de as abelhas não darem conta de arrumar a casa e ao mesmo tempo de se defender da postura das fêmeas dos forídeos. Uma das vantagens da técnica da divisão em etapas progressivas “imita o processo de enxameação natural” é permitir o manejo sem rupturas, às estruturas se mantêm intactas em ambas famílias resultantes.

     Outro cuidado é com a alimentação artificial, os açúcares dos xaropes devem ser transformados pelas abelhas e para isso ocorra há necessidade da atividade enzimáticas das glândulas de secreção. Se a alimentação fornecida for excessiva as abelhas não conseguirão metabolizar e o conteúdo dos potes entrara em fermentação descontrolada, emanando aquele cheirinho que as fêmeas dos forídeos adoram. (A capacidade de produção de certas enzimas digestiva é uma característica de faixas etárias).


       Os Fórides uma observação e duas experiências

Uma observação:
       Uma observação pessoal que me fez refletir muito sobre a relação entre abelha e fórides; ela ocorreu em una tarde quente no cemitério da Água Verde. Este santuário, contornado por um paredão de pedra com 4 metros de altura, (obstáculo criado para impedir que os vivos não roubem os mortos) com frestas entre as pedras de granito. Esses nichos se tornaram alojamento tentador para as jataís e mirins a ponto de poder contabilizar na região leste do paredão oito famílias compreendidas numa pequena distância linear de 50 metros.
        O interessante nesse mesmo local são as verdadeiras nuvens formadas pela revoada de forídeos que aí proliferam. Sem pretender comentar aqui a origem dessa concentração alta de moscas, pois o nosso foco principal é explicar sua convivência “pacifica” com as abelhas.
    Esta situação é a prova que essas duas espécies podem conviver no mesmo ambiente e estabelecer adaptações de equilíbrio. As relações de predatismo larval com as abelhas só ocorrem em condições especiais e com certeza o maior responsável de uma forma ou de outra é do ser predominante no nosso planeta.
    Até na enxameação o equilíbrio é perfeito, ela é gradual, leva semanas na limpeza e preparação da nova morada na qual participam abelhas de quase todas as faixas etárias, habilitadas a exercer a maioria das funções que uma nova colônia requer.

     Nota: nesse processo não participam as inexperientes abelhas novas, pois são incapazes de voar, mas como são as produtoras de cera, talvez esta seja a razão porque a relação família mãe e filha se mantêm por muito tempo, é preciso voltar a casa mãe na busca da preciosa cera para as construções na nova morada.


Uma das experiências:

     Sabemos que as larvas têm respiração cutânea e que todo e qualquer processo respiratório requer umidade como intermediação na difusão do oxigênio necessário. Baseado nesse conhecimento, basta aplicar sobre o disco contaminado pelas larvas, uma substancia que absorva rapidamente a umidade. O talco inodoro cumpre bem esse papel, basta pulverizar toda a superfície do disco e após alguns minutos de espera podemos remover com um pincel macio o talco e as larvas, elas agora se desprendem facilmente. O disco assim tratado pode ser introduzido em uma colônia forte.  As abelhas irão completar o serviço e adotar o disco de cria.

A outra experiência:

      Introduzir o disco contaminado diretamente numa colônia forte. A resposta será imediata, podemos ouvir em poucos minutos o aumento do ruído das vibrações das asas das abelhas, é o chamamento para que as operarias passem a concentrar os seus esforços na limpeza do disco.  Em poucas horas as larvas mortas das abelhas no disco assim como, os ovos e larvas dos forídeos serão removidos.
      Na caixa contaminada devem ser removidos completamente os potes de mel e pólen, só deixando as abelhas para que finalizem a limpeza. Após dias a colmeia contaminada pode ter seu disco de volta, agora já limpo. A alimentação pode ser artificial, mas sem excessos.

Um recurso emergencial, os repelentes naturais;

    Muitos vegetais produzem substâncias que as protegem contra os agentes do meio ambiente, os botânicos as denominam de metabólicos secundários. Um exemplo é o óleo de andiroba e óleo de copaíba extraída das plantas Carapa guianenses e Copaifera officinalis .
Esses óleos têm entre seus componentes substâncias repelentes para alguns insetos, funcionam bem nas formigas e forídeos o que é muito interessante, praticamente não afetam as abelhas. Nas infestações sem controle pelas mosquinhas o recurso é passar as substancias no fundo da caixa e próximo à entrada da colmeia. No caso especial das formigas, passar um algodão embebido sobre o acetato uma vez que é o local onde elas normalmente costumam fazer seus ninhos.  Esses dois óleos também são repelentes naturais do cupim.
Apesar da atenta abelha sentinela na entrada da colmeia, à ágil mosquinha penetra com facilidade no interior da colmeia.

Harold Brand

sábado, 16 de junho de 2018

O MISTÉRIO SOBRE AS PREFERÊNCIAS FLORAIS


Aí rolam fotos para lá a para cá, confirmam-se espécies, debate-se alguns dias e fica ´por fim a dúvida : Plantamos ou não a “planta X”?

Afinal porque em pastos melíferos comprovadamente com flora de espécies idênticas, disponibilizados para abelhas da mesma espécie, percebe-se uma aceitação diferente pelas abelhas? Será o solo? Será o clima? Umidade na terra? 
O que poderia determinar este comportamento diferenciado, esta variação de paladar ou preferência da mesma espécie de abelha pela mesma espécie de flora, observado em regiões diferentes?
 
 Sempre fiquei pensando nisso. Com certeza algo referente ao néctar, ao aroma, talvez influência do solo em que a planta se encontra. Mas o que exatamente?


Um dia achei uma explicação mais detalhada que resolvi compartilhar com todos.

Encontrei um livro chamado “Fisiologia Animal” de  Richard W. Hill, Gordon A. Wyse, Margaret Anderson, e os autores revelam vários ciclos biológicos muito interessantes que eu desconhecia, vou tentar explicar o que mais me interessou: “A energética da vida diária em situações de rotina e extremas”

Eles estudam várias maneiras de se mensurar o metabolismo dos organismos, e montam equações capazes de determinar a energia abastecida, a energia transformada em trabalho, a energia acumulada e a energia dissipada.
É uma análise de balanço energético biológico.
Tal como um equipamento mecânico, um carro ou qualquer outro dispositivo criado pelo homem, nos seres vivos a energia nos dois lados da equação tem sempre que ser iguais!
Descobriram também que animais que precisam de algum modo manter uma temperatura constante do seu sistema em relação ao meio ambiente, pagam uma conta cara! 
O que os biólogos chamam de homeotermia.
Então devido a essa homeotermia, os mamíferos ou aves que vivem em ambiente selvagem necessitam de 12 a 20 vezes mais energia do que lagartos ou cobras de pesos equivalentes vivendo no mesmo ambiente. 
Desse modo, animais que mantêm constante o calor em seu sistema biológico necessitam priorizar em seu dia a dia a busca por fontes de energia.
 A seguir vou transcrever/adaptar alguns trechos do livro “Fisiologia Animal” que explica muito bem esta  questão “energética ecológica” nas abelhas mamangavas, a partir do entendimento de outra pesquisa pertencente a Bernd Heinrich sobre custos e recompensas .

As diversas espécies de abelhas possuem vários modos de obter recursos para sobreviverem. O ato de procurarem alimentos é denominado forrageamento. 
Existe uma teoria, chamada de Teoria do Forrageamento Ótimo, que tenta explicar qual é o ótimo de forrageamento de uma abelha na obtenção de recursos alimentares, ou seja, quais recursos ela utiliza melhor ou quantos recursos são utilizados para satisfazer suas necessidades energéticas. 
Existe a variação da amplitude de uma dieta, ou seja, a variação na quantidade de recursos que compõe a dieta da abelha, e essa variação é chamada de Amplitude Ótima da Dieta.

 A pesquisa leva em conta a questão de aquisição do alimento, que requer um custo. 
E em paralelo a recompensa energética obtida no néctar. 
A pesquisa teve como parâmetro mamangavas forrageando um conjunto floral de Rododendros.

O voo de uma mamangava é muito dispendioso, assim como o das melíponas, devido a sua aerodinâmica peculiar.
Quando em vôo as mamangavas elevam de 20 até 100 vezes a sua taxa metabólica em relação ao seu repouso.
E para conseguirem voar precisam que os músculos das asas estejam a pelo menos 30ºC.
Assim, se a temperatura ambiente for abaixo de 30ºC, as mamangavas precisam produzir calor suficiente para pré-aquecer os músculos das asas e conseguirem voar
.
Vou abrir um parênteses aqui.
Consegui dados de uma pesquisa sobre abelhas Apis, que podem ilustrar estes valores:

As abelhas Apis melífera conseguem voar com uma variação de temperatura do ar abaixo de 15°C, como também acima de 40°C. Além disso, elas também apresentam durante o vôo a temperatura da superfície corpórea não distribuída uniformemente entre as três partes do corpo (cabeça, tórax e abdômen) (HARRISON, 1987).

Em um experimento realizado com abelhas (Apis mellifera) em um bebedouro com xarope e a temperatura do ar variando de 20,9°C a 27,2°C, a cabeça e o abdomen foram somente 3°C a 2°C acima da temperatura ambiente. E a temperatura do tórax de abelhas coletando água foi similar da encontrada em abelhas bebendo uma solução de sacarose. Porém, quando ocorria um aumento de teor de açúcar na solução de sacarose, houve também o aumento na temperatura do tórax (SCHMARANZER, 2000).
 Voltando às Mamangavas, durante o vôo, o próprio funcionamento dos músculos gera o calor necessário, mas quando pousadas, seja no enxame ou em uma flor, se a temperatura ambiente impuser uma perda de temperatura corporal, as mamangavas correm o risco de não conseguirem levantar voo.
Para conseguirem levantar vôo, elas mantêm a temperatura mínima realizando o famoso Buzzy enquanto estão pousadas.

 Acredito que as nossas meliponas devem apresentar o mesmo comportamento!!
 Isto também explica porque em invernos rigorosos, muitos meliponicultores já observaram e relatam mandaçaias ou uruçus saem que em vôo da caixa e caem no chão logo após a saída da caixa! Depois batem as asas e voltam a voar.
     
Considerando os custos energéticos tanto do voo quanto dos tremores, o gasto metabólico médio por unidade de tempo necessário para uma abelha forragear tende a aumentar à medida que a temperatura ambiente diminui.

Agora vamos analisar a recompensa energética pelo voo de forrageamento.

Uma abelha, do porte da Mangangava, voando em um ambiente a 0ºC chega a gastar até 12,5J por minuto de atividade de forrageamento. 
O néctar disponibilizado por uma flor de rododendro (por exemplo) equivale a 1,7J de energia. 
Assim, neste ambiente esta abelha teria que forragear de 7 a 8 flores de rododendro somente para atingir suas necessidades de operação. 
As mamangavas conseguem forragear com eficiência até 20 flores de rododendro por minuto.

Desse modo, conforme a temperatura ambiente, as abelhas buscam fontes com mais ou menos disponibilidade energética, de modo que possam trabalhar e ainda sobrar alimento para levar para suas colmeias. Pois na colmeia terão também que vibrar para produzir calor e manter a temperatura das células de cria.

Em tempos mais quentes aceitam forragear flores que disponibilizam néctar mais aquoso como das cerejeiras (0,21J por flor), mas no inverno ou em regiões frias, passam direto pelas cerejeiras e buscam por espécies florais mais energéticas.
Dependendo da espécie da abelha, ela tem um custo maior ou menor para forragear, e voarão diretamente para as flores que apresentem néctar com quantidade suficiente de frutose e/ou glicose, e que ofereçam um ganho energético.

Guardadas as devidas proporções, todas as espécies de abelhas melíponas se comportam de maneira semelhante.
E assim acho que se resolve O MISTÉRIO SOBRE AS PREFERÊNCIAS FLORAIS.

Meliponicultores já relataram astrapéias plantadas perto de lagos, que chegam a escorrer néctar, certamente o teor de frutose e/ou glicose do néctar desta astrapéia é menor do que outra astrapéia plantada em solo não tão encharcado.

E o mesmo se dá com diversas outras flores, umas plantadas em solos mais ricos em nutrientes, ou submetidas a maior exposição solar e portanto sob maior atividade metabólica.

Então, o meliponicultor cuidadoso, deve se atentar para o tamanho da espécie de abelha criada. Dependendo do seu tamanho e volume de indivíduos na área do meliponário, o pasto melífero poderia ter seu solo mais enriquecido antes do inverno, por exemplo. Ou escolher locais mais ensolarados para plantar aquela mudinha melífera especial!   
Com certeza abelhas escoteiras, quando vão em busca de alimentos, conseguem perceber estas diferenças num tocar de língua!!
É toda a complexidade de uma equação matemática na ponta da língua de uma abelha!!

Esse "serzinho" tão inteligente só pode ter sido criado por uma Mente Maior!!  

Medina