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quinta-feira, 20 de julho de 2017

NOVA PROPOSTA TECNOLÓGICA PARA COLETA DE MEL DE ABELHAS NATIVAS PEQUENAS - (TRIGONAS)

Como já foi propagado aqui na nossa página, iniciamos uma parceria com um experiente e dedicado meliponicultor australiano, mais conhecido como Bob Bee Man. Quem ainda não teve acesso pode ler a matéria aqui:

Ele já veio em 2011 ao Brasil em visita a nossa associação, quando a família AME-RIO teve a oportunidade de conversar pessoalmente sobre as características das abelhas australianas, aquela foi uma das ótimas tardes da associação.


Em 2013 já fizemos experiências aqui no Brasil, no meliponário do Ivan, utilizando potes plásticos em enxames de Uruçus Amarelas.

 E travando conversa com Bob Bee Man descobrimos que o comportamento de nossas meliponas frente a um pote de plástico como base de produção do seu mel, é bem diferente do comportamento das Trigonas Australianas quando recebem melgueiras plásticas como adianto de trabalho.   
  


Nosso interesse então é realizar pesquisas aqui no Brasil, utilizando o método de extração centrífugo do Bob, e consequentemente seus modelos de melgueiras. Vamos tentar experimentar as melgueiras plásticas com nossas trigonas: Jataís, Borás, Mandaguaris e muitas outras cujos potes sejam menores, e que não se justifique o método tradicional de sucção direta, utilizado nos potes de mel das grandes meliponas.

Atualmente as trigonas aqui no Brasil sofrem com um gargalo no manejo. Foram desenvolvidas caixas apropriadas, mas devido ao tamanho pequeno dos potes de mel a extração do mel continua prejudicada, ou em nível de eficiência e produtividade ou em grau de contaminação.

Queremos realizar diversas experimentações, tais como:
=>  adaptabilidade de várias espécies de trigonas à estrutura e material da melgueira.
=>  eficiência da coleta de mel.
=>  nível comparativo de contaminação do mel - método tradicional vs nova centrífuga
=>  produtividade final
=>  facilidade e custo de construção das melgueiras
=>  reprodução do equipamento e necessárias adaptações no processo de construção para fornecer a outros interessados a um custo razoável


Bem para isso tivemos que trazer um protótipo para o Brasil, e depois de um trabalho a "quatro mãos" de vários associados, conseguimos finalmente uma unidade do Extrator Centrífugo do Bob. 
Deixamos nossos agradecimentos a todos os associados e parentes que se envolveram nesta importante conquista da meliponicultura brasileira!!


Pretendemos começar os testes de adaptabilidade em enxames nativos já na próxima primavera, no meliponário de algum associado. Mas vamos também estudar a possibilidade de expandir esta pesquisa, com maior velocidade, para outros estados em que estas abelhas menores apresentem boa produtividade. Para isso peço que interessados para seleção entrem em contato com:

Abaixo algumas imagens da apresentação do Extrator Centrifugo na nossa Reunião Aberta do Mês de Julho no Bosque da Freguesia.

Conforme formos obtendo resultados de cada etapa das experimentações, faremos novas matérias para deixar todos os interessados atualizados.



video

Medina  

quarta-feira, 31 de maio de 2017

RRR COM O PLENO AMBIENTE

A meliponicultura é uma atividade que por muitos anos foi Rara, mas a cada dia que passa tem sido Reconhecida pelos seus benefícios à natureza, e vem Recuperando seu justo prestígio junto aos órgãos oficiais e às instituições de ensino. 
Isso tem acontecido porque o meliponicultor é um cabra persistente. Como diria na dialética da moda, o meliponicultor tem uma personalidade resiliente, ele chega a ser melipoliente, pois Resiste heroicamente a falta de amparo legal, ao desconhecimento generalizado da atividade por parte da população, e ao desmatamento crescente.
Mas na verdade é o amor a estas abelhas, de personalidade mansa, que o faz um exímio administrador de recursos naturais. 
Antes desta modernidade de conceitos, o meliponicultor já tentava ajudar suas abelhas desenvolvendo manejos e condições mais apropriados.

Antes da crise de recursos naturais ganhar status na mídia, já ficava atento a possibilidade de aplicar a regra dos RRR, mesmo sem saber que um dia tal comportamento receberia este nome: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
Reduzir o trabalho das abelhas é sempre o objetivo, e para isso providenciar pasto melípono bem próximo ao meliponário. Quanto mais próximo as abelhas estiverem da fonte de pólen, néctar e resinas, mais vão produzir. Plantando alimento para as abelhas, defendendo os resquícios de natureza que já existiam, passou a ser reconhecido como amante de plantas e defensor do "pleno ambiente"!
Uso o termo "pleno ambiente", pois acho que o ser humano em sua dialética moderna, perdeu o conceito de "meio ambiente", e em vez de colocar-se "no meio" de um contexto preferiu cortar "ao meio" o cenário que o envolve, criando uma metade para a natureza e outra metade civilizada, somente para si. E com o tempo, achou pouco e também invadiu a metade da natureza!!! 

Viver em pleno ambiente requer saber Reutilizar. 
E saber reutilizar em meliponicultura também aumenta a produção. 
Então os melipolientes desenvolveram métodos para realizar uma coleta higiênica com sugadores que acessam o pote de mel por um único ponto, sem rasgar toda a estrutura de cera, permitindo que as abelhas reutilizem o pote vazio. Ou técnicas mais apuradas com centrífugas portáteis.
Além de Reutilizar matéria prima ainda Poupa Tempo na fila da produção! Afinal têm poucas flores disponíveis neste tal "meio ambiente", e permitir que voltem logo à produção sem perda de tempo, significa fazer frente à dura concorrência com as abelhas exóticas na obtenção de recurso floral.

Reciclar também é uma palavra de ordem atualmente.
O bom melipoliente instintivamente recicla madeiras na confecção de suas caixas racionais. Recicla telhados, recicla estacas, PETs, etc... 
Não foi a moda que o levou a ter este cuidado. É impossível um meliponicultor cuidadoso ver madeiras tão boas descartadas, quando poderiam estar servindo de abrigo às abelhas, ou PET's que poderiam servir de isca, lonas, plásticos e uma infinidade de materiais úteis que jazem no lixo da "metade civilizada do ambiente" ... 
 
Atualmente RRR também pode ser entendido como Redução de Risco Relativo.



Por exemplo, quando se faz a coleta de mel seguindo as boas práticas, e utilizando sugadores, não só reduz-se o trabalho de limpeza das melgueiras pelas abelhas, aumenta a produtividade do mel, mas também e principalmente reduz o risco de atração de forídeos e outras pragas para dentro do enxame.
Utilizar caixas e alças somente com as arestas bem esquadrinhadas e padronizadas, não deve ser considerado um Requinte, ou excesso na atividade. Tampouco passar fita crepe nos encontros das alças. Quem já teve enxames atacados por moscões sabe bem o prejuízo e tristeza que advém de uma fresta exposta, uma única fresta pronta para servir de ponto de postura dessa praga.
 

Poderia descrever linhas e mais linhas lembrando atitudes e manejos do bom meliponicultor que se enquadram como Redução de Risco Relativo.

Outra faceta do RRR é de Respeitar, Recordar e Repetir.
Um meliponicultor em primeiro lugar respeita a natureza, e portanto só coloca em seu plantel abelhas obtidas por captura em iscas ou compradas de outro meliponicultor idôneo que execute desdobras. 
Basicamente dentro do conceito RRR de Respeitar, Recordar e Repetir o mais importante seja a observação criteriosa e com sensibilidade dos hábitos e características de cada espécie, e de cada enxame, pois cada uma se destaca por um comportamento típico.

Atenção, pois observações que possam parecer bobas devem ser Respeitadas. Em seguida Recordadas quando o cenário se apresentar outra vez, e finalmente as soluções ou conclusões resultantes dessas observações respeitadas, devem ser Repetidas, fechando o ciclo.


Enxames da mesma espécie podem se comportar de maneira diferenciada ao padrão descrito nas literaturas. Podem apresentar nuances comportamentais de acordo com o ambiente em que se encontrem. 
Talvez o que melhor exemplifique, seja uma comparação ao dono de 3 cachorros da mesma raça. Cada um se comporta diferente no mesmo ambiente, e o dono sabe. Um é o cachorro alfa da comunidade, outro é mais sensível a mudanças na alimentação, outro é bom sinaleiro de perigo, etc, etc, e todos são da mesma raça e vivem sob o mesmo teto!



 Da mesma forma o bom melipoliente deve estabelecer uma comunicação, por meio da boa observação dos comportamentos característicos de seu enxame, para que sejam respeitados, e para que sirvam como um sinal. Sempre Recordar das situações observadas e as soluções encontradas para então ser capaz de Repetí-las quando as circunstâncias se apresentarem outra vez.
   
  
Quanto mais o melipoliente estiver sintonizado ao Pleno Ambiente, mais suas observações podem servir como comunicação com seus enxames. Por exemplo: Batume muito espesso na caixa indica temperatura interna inadequada. Excesso de pontos de resina espalhados por fora da caixa, o enxame pode estar sendo rondado por algum predador. A falta do desenho característico na entrada, pode indicar dentre outras coisas um lugar não bem aceito pelas abelhas. O aroma interno da caixa. O brilho e maleabilidade da cera. A quantidade de lamelas. A disposição da postura. O comportamento delas antes da chegada de uma frente fria, ou quente. O nível de vigilância na entrada. Para cada situação uma solução que pode ser repetida em respeito às abelhas e ao seu trabalho.



Finalmente os últimos RRR's seriam: Reconciliação (com a sensibilidade), Ressonância (com a natureza) e Reintegração (com o Pleno). 
Desejo a todos RRR com o Pleno Ambiente, e um bom manejo de suas abelhas nativas!!! 


Medina

segunda-feira, 22 de maio de 2017

CURSO AME-RIO MAIO 2017

Mais uma turma de amantes da natureza sai à rua com uma visão despertada em relação as nossas queridas abelhas nativas. É incrível como a percepção do cenário que nos envolve se expande quando temos acesso a novos conhecimentos.
Albert Einstein dizia que " a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original", e assim acontece aos que conhecem o mundo das abelhas nativas.

O Curso como sempre traz um embasamento teórico junto a uma imprescindível parte prática. A parte teórica é ministrada durante dois dias inteiros de um final de semana, onde não só fazemos projeções como também mostramos material e realizamos algumas atividades de bancada com a participação dos alunos. A parte prática é sempre dada em campo, em um dos meliponários da associação. E para não sacrificar as abelhas, costumamos montar uma logística em que se combinem: poucos alunos, enxames fortes e dia com condições meteorológicas adequadas. E entre as aulas teóricas e práticas, um grupo da AME-RIO fica dando apoio à distância aos participantes do curso.    

Apresento em imagens, a turma de Maio 2017. Assim como nossas abelhas são bem diversas, a turma também. Professor, sapateiro, marceneiro, biólogos, engenheiro, produtor, informática, meio ambiente, médico, aposentados, etc... em comum, o interesse pelas abelhas nativas!!



A parada para reabastecimento é muito importante ...como dizem: 
Saco vazio não para de pé, e muito cheio não dobra. 
Então tivemos previsão de pit-stop distribuídos no café da manhã, almoço e café da tarde!!
 Alguns casais que participaram unidos. 



É uma preocupação, desde a primeira edição dos cursos da AME-RIO, oferecer vagas aos nossos parceiros, de modo a disseminar o conhecimento da importância das abelhas para os parques, bem como seu manejo entre toda a equipe: servidores, estagiários, colaboradores, voluntários e guardas. Mas esta turma foi diferente, além das tradicionais vagas reservada aos parceiros, oferecemos mais 4 vagas para índios Mbyá das aldeias de Paraty-Mirim e de Araponga. Como eles chegaram ao curso da AME-RIO, isso é papo para outra matéria.    
Aqui nosso atual Presidente Carlos Ivan, surpreendido assinando compenetradamente os certificados, que são emitidos em conjunto com a FAAERJ.
Nelson Vitor da FAAERJ também participou deste curso. Quem quiser conferir, tente achá-lo na primeira foto desta matéria!! 
Também já é tradicional em nossos cursos o sorteio de brindes como livros, estacas de mudas, loção de captura, isca-pet, camisetas e uma caixa de jataí vazia, e um enxame de Mandaçaia.
Desta vez quem ganhou o enxame de mandaçaia foi um biólogo, Marcio Alcântara!!!






Todos esses foram sortudos, e levaram para casa alguma lembrança do sorteio!!
Está é a TURMA 2017, com toda a equipe da AME-RIO. 
Uma equipe unida, formada não só pelos instrutores, mas principalmente por uma galera eficiente dando o suporte de retaguarda para que toda a programação fosse cumprida.
Não podemos deixar também de agradecer ao Parque Nacional da Tijuca, servidores e colaboradores de plantão que cedeu o local, e que está sempre nos apoiando!  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

AME-RIO FAZ PARCERIA COM AUSTRALIA PARA TRAZER TECNOLOGIA DE EXTRAÇÃO DE MEL DE TRIGONAS

Nós da AME-RIO vimos pesquisando métodos de coleta mais eficientes e principalmente que respeitassem as boas práticas, e resultassem em um mel de boa qualidade. Mas todas as tentativas foram em aperfeiçoamentos inspirados na boa e velha "Tampinha Mágica" que o Pedro Paulo usava, a partir de uma pera de aparelho de pressão com válvulas invertidas. 
  Já testamos vários outros modelos usando o mesmo princípio de funcionamento, incluindo tentativas com modelos elétricos a partir de compressores de ar para aquário com válvulas também revertidas. 





Até uma patente já foi requerida lançando alguns aperfeiçoamentos específico para esta modalidade de equipamento elétrico.
Bem...., todas estas tentativas tem como objetivo tornar a meliponicultura uma atividade competitiva, e deixar para traz costumes de coletar mel com técnicas tradicionais em que rasga-se os potes para que o mel escorra, ou alternativamente espremendo-os.
Neste sentido, pode-se salientar que já começaram a aparecer regulamentos nos quais há sugestão às boas práticas de coleta, como na Bahia através da Portaria ADAB nº 207 DE 21/11/2014, em que descreve nos itens:
2.3.2. Segundo o procedimento de processamento do mel de abelhas social sem ferrão:
2.3.2.1. Mel desumidificado: é o mel obtido por sucção dos potes, submetido a filtração ou não e posteriormente retirada a umidade.
2.3.2.2. Mel refrigerado: é o mel obtido por sucção nos potes, submetido a filtração ou não, refrigerado imediatamente após a coleta e armazenado até 8ºC/+- 2ºC.

A sucção de mel direto do pote para a embalagem nas meliponas resultou em uma ótima alternativa de coleta que mantém a saúde do mel. Mas as trigonas, geralmente constroem potes de mel bem menores e continuam sendo submetidas a práticas de coleta por meio da tradicional técnica de rasgar potes para depois escorrer ou espremendo-os diretamente. Inevitavelmente esta prática leva a graus diversos de contaminação do mel, que carreiam, enquanto escorre, as possíveis sujidades que estejam do lado de fora do pote de mel.

A tecnologia de sucção, bem aplicada nas meliponas, se mostra extremamente trabalhosa, e requer muita paciência por parte do meliponicultor, além de afunilar a produção de quem tem grandes volumes de mel de trigonas para coletar.

Um meliponicultor da Austrália, Robert Luttrell, que já esteve aqui na AME-RIO em visita de pesquisa, para melhor conhecer nossas tecnologias de caixas e de extração de mel, e assim tentar aplicar em suas abelhas trigonas carbonarias, desenvolveu uma tecnologia de melgueira/caixa/extrator de mel.
A tecnologia não é nova, temos notícia que brasileiros já tentaram desenvolver tecnologia neste sentido. (Tem reportagem na Doce Mensagem da APACAME - http://www.apacame.org.br/mensagemdoce/70/experiencia.htm)
Mas Bob Bee Man foi persistente e materializou um Kit com caixa/melgueira/centrífuga especificamente para a espécie Tetragonula carbonaria, que além de construir potes pequenos, os mesmos são dispostos em cachos. 
Pode ser visto uma das demonstrações do equipamento dele no vídeo abaixo. Observem a praticidade, a eficiência e principalmente a enorme redução do risco por contaminação com sujidades carreadas da parte externa do pote de mel. Poderia citar diversas outras vantagens, mas estas são as principais.
video
Extrator Centrífugo Bob Bee Man
Ele viajará para a Malásia para demonstrar sua centrífuga trabalhando, lá eles também criam trigonas.
A AME-RIO entrou em contato com o velho amigo de caminhada e firmamos uma parceria para realizar testes com esta tecnologia com nossas jataís, e posteriormente com outras trigonas. O teste inclui a construção de uma caixa para receber as melgueiras, e adaptabilidade do comportamento das jatais ao método de produção. Em uma segunda etapa faremos teste laboratoriais para constatar a redução do nível de sujidades típicas do método tradicional.

Estamos trazendo um KIT de melgueiras e o respectivo extrator centrífugo com a permissão dele para realizar todos estes testes e trocarmos informações para que o método/equipamento possa ser aplicado aqui no Brasil. Com o decorrer do tempo, vamos postando as etapas e seus resultados, que certamente vão ser um sucesso.
"Tamos aí Bob Bee Man!!"