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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Sugador de Abelhas

Muitos perguntam como sugar as abelhas em uma transferência ou em manejo do enxame em que as pequeninas que ainda não voam acabam fugindo do controle. Eu tenho usado este sugador de abelha, que me foi apresentado pelo amigo Gesimar, mas que teve o passo a passo de como construir publicado em 2009 pelo Meliponário Alencar, que abaixo reproduzo a publicação.

Esta sugador é especialmente eficaz no manejo de abelhas muito pequenas e delicadas, como jataís, iraís, mirins.

Sem nossa ajuda as abelhinhas recém nascidas não saberão ir para a caixa nova, em caso de transferência, ou votar para caixa antiga em caso de manejo. E elas são muito importantes para a saúde do enxame, afinal já cumprem tarefas específicas. Por exemplo como as tarefas apontadas na teoria das nutrizes de Klécio Souza.   

Quem quiser pode visitar o blog do Meliponário Alencar: http://meliponarioalencar.blogspot.com.br/2009/10/sugador-de-abelhas.html

    
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O sugador é um equipamento muito útil durante a transferência de uma colônia para outra caixa, pois nesse processo sempre ficam algumas abelhas novinhas perambulando pela antiga residência, é ai que entra o sugador para resgatar essas abelinhas que ainda não sabem voar. A substituição da caixa é necessária quando a antiga já está muito deteriorada ou o outro modelo oferece um melhor manejo para o meliponicultor por exemplo.
Pra você criador, que como esse que vos fala, transportou muitas abelhas uma a uma até a entrada da nova casa, ai vai um esqueminha simples para montar o seu sugador de abelhas:
Material:


2 Garrafas pet pequenas (pitchula), cortadas ao meio.



Colocar uma tela de proteção em uma das bocas, para você não acrescentar abelhas a sua dieta acidentalmente quando for sugá-las rsrs



Inserir mangueiras nas tampinhas das garrafas, no caso da tiúba usei de 1cm de diâmetro.

Finalmente é só encaixar as partes e cuidar para que esteja bem vedado, caso contrário haja fôlego! Como diria um amigo: Mais fácil do que andar pra frente!


Ai vai uma remessa pronta para entrega!
Grande Abraço!
Francisco Carlos Alencar
Meliponário Alencar
São Luis-MA

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Ode às abelhas sem ferrão

Hoje é um dia especial e o céu está repleto de zum zum zum de abelhas. Em homenagem ao nosso amigo Winckler, que sempre amou as abelhas, está aí um Ode às abelhas sem ferrão, por Mauro Prato

Do néctar, o mel
Da cera, o ninho
Um voo, no céu
O tubo, um caminho
A flor vai se abrindo
A operaria apressada
O Sol vai surgindo
A corbícula lotada

Pólen vem, pólen vai
De toda cor, todo gosto
A operária entra e sai
Pólen vem, pólen vai
Até mesmo em agosto
A colônia se mantém
 Nos favos, a cria
Nos potes, o sustento
Na realera, rainha seria
É a quantidade alimento!

O ovo frágil e flutuante
Pela rainha depositado
No alvéolo segue adiante
Pela operaria operculado
 
 Da forma ao abrigo
Tão diversas e tropicais
São as abelhas que vos digo

Da biologia à criação
Tão ricas e especiais
São as abelhas sem ferrão

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

COMBATENDO A CONDENSAÇÃO INTERNA, EM CAIXAS DE ABELHAS NATIVAS

Nesta matéria vou falar um pouco sobre o efeito da condensação que ocorre dentro das caixas de abelhas nativas quando submetidas a certas condições. Para começar o ideal é explicar um pouco sobre o fenômeno, e porque ocorre dentro das caixas das abelhas nativas.

A condensação é um processo pelo qual uma substância passa do estado gasoso ao estado líquido. Na natureza o processo dá origem às chuvas e ao orvalho. O orvalho, por exemplo, é o resultado da condensação de vapores d'água  presentes no ar, quando entram em contato com superfícies com temperatura mais baixa (abaixo do ponto de orvalho).



Aquelas gotículas que vemos pela manhã em objetos, nas gramas, folha, pétalas, mesmo quando não tenha ocorrido alguma chuva na madrugada, são na verdade deposição de orvalho, e não precipitação. Um exemplo muito bom para não só entender, mas também para ter uma boa ideia de suas variações, é um copo de água com gelo dentro. Se o copo estiver em um ambiente seco a formação de gotículas na superfície do copo será muito pequena. No entanto, se este mesmo copo estiver em um ambiente com um grau de umidade maior, ou mesmo se respiramos próximo ao copo, facilmente se notará a formação das gotículas !!


No inverno, época em que a umidade costuma aumentar, e a temperatura tende a baixar com mais intensidade, é mais comum notar a formação do orvalho na paisagem campestre.

Fenômeno semelhante ocorre dentro das caixas das abelhas nativas. Após a chegada do néctar dentro do enxame, algumas abelhas trabalham para retirar o excesso de umidade em formação dentro do pote de mel. Normalmente o interior de uma caixa de abelha tem um grau de umidade maior devido a este processo de preparo e conservação do mel.


Mas alguns cenários propiciam condições mais favoráveis para que ocorra este fenômeno dentro da enxame, o que em excesso pode vir a causar desequilíbrio no clima interno da caixa acarretando problemas.

Quando a condensação interna é muito grande, uma equipe de abelhas passa a recolher o excesso sobre as paredes, potes, lamelas e levam até a entrada, despejando para fora. 
Eu posso afirmar, pois já presenciei, que nas abelhas mandaçaias o volume máximo que cada abelha consegue jogar fora por viagem é de 3 gotas no máximo!!!
 
Imaginem o trabalho que dá para elas ficarem sugando as micro gotas uma a uma, por dentro do ninho, até completarem 3 gotas em seus abdomens! Já experimentaram secar um chão lotado de água com um único pano de chão? Têm ideia da quantidade de vai e volta ao tanque, para torcer?! Pois é ... elas devem ficar com o mesmo sentimento que você quando percebem que têm que fazer esse trabalho todo!!
E, por outro lado, quanto trabalho que deixou de ser feito por esta equipe de abelhas dedicadas!?



Outro problema é o tempo em que os elementos do ninho ficam expostos a este excessivo grau de umidade. Como sabemos a equação: UMIDADE + CALOR = FUNGOS.


Dentro do ninho com certeza existem fungos, mas quando o equilíbrio temperatura x umidade fica comprometido é uma porta aberta para uma super produção descontrolada de fungos, que podem influenciar na saúde do enxame como um todo!! Então não é uma situação que pode ocorrer ou perdurar por muito tempo, pois é arriscado!

Costumamos utilizar acetato em todas as tampas das caixas da AME-RIO nos parques, como também nas portas das caixas verticais. Usamos o acetato para evitar que tampas e portas sejam geopropolizadas pelas abelhas e fiquem lacradas. 
Este material não permite a respiração da caixa, o que acelera a formação de condensação na superfície interna dos acetatos no inverno. Especificamente no Parque Nacional da Tijuca, ambiente de floresta tropical densa, esta condensação ocorre praticamente todas as noites. Pois o ambiente é muito úmido e quente durante o dia e à noite esfria muito rapidamente. Todas as noites as caixas ficam em um vrum vrum forte gerado pelas abelhas em trabalho para manterem o calor interno, e a caixa esfria muito, consequentemente pela manhã muita condensação na superfície interna do acetato da tampa.
No último inverno a saúde das caixas dessas abelhas da floresta da tijuca foi mantida graças a uma rotina de secagem com pano de algodão da parte interna da tampa, no momento da colocação da alimentação de inverno.

Problema semelhante ocorre com as caixas pintadas ou envernizadas, pois a madeira tem um limite de capacidade de absorção de água, e estando revestida de tinta por fora, perdem a propriedade de respiração com o meio externo, que poderia ajudar na eliminação do excesso de umidade interna da caixa.

Não é incomum encontrar áreas internas de caixas, instaladas na Floresta da Tijuca, com enxames mais fracos, que estejam com uma proliferação mais acentuada de fungo em suas paredes internas. Isso não ocorre em enxames mais fortes, pois devem existir indivíduos suficientes para o trabalho extra de secar a caixa!! Já ouvi associados de Petrópolis e de Friburgo relatarem a mesma infestação de fungo em algumas de suas caixas!!

O excesso de umidade no interior da caixa combinado com a queda repentina de temperatura além de provocar a condensação interna sobre todos os componentes do ninho e da caixa, também contribui para a tal sensação térmica tão propagada pela Maju em suas previsões meteorológicas. Um grau de umidade muito grande no interior da caixa ajuda a dissipar cargas térmicas com mais rapidez, e um frio de 10ºC com alto grau de umidade é muito mais sentido e prejudicial, do que um frio 10ºC com baixa umidade. Assim para uma mesma temperatura, as células de um ninho na Floresta da Tijuca, Petrópolis e redondezas serão muito mais prejudicadas do que em uma mesma temperatura no cerrado do Brasil. A solicitação de trabalho para obter mais calor sobre o ninho será muito maior!

Não podemos nos esquecer que forídeos que adoram ambientes com alto grau de umidade e detestam lugares quentes e secos. Assim, uma caixa com este problema de descontrole de umidade interna, ao receber o calor do dia recupera sua temperatura rapidamente, porém como apresenta a umidade não retirada pelas extenuadas abelhas, forma paraíso para invasão dos forídeos!

Como podem notar, descontrole de umidade interna, condensação, alterações bruscas de temperatura são um prato cheio para diversos descontroles, especialmente se o enxame estiver fraco.  

Bem .... chega de problemas! Pesquisei e descobri que as abelhas apis melíferas europeias passam pelo mesmo problema, afinal lá também são submetidas a alterações de temperatura muito drásticas, e também produzem condensação interna. E os apicultores de lá já resolveram o problema.

Aqui no Brasil, muitos meliponicultores utilizam o porãozinho, e lá na Europa os apicultores desenvolveram o que eu vou batizar de Sótãozinho!! Olhem o resultado final em uma caixa de apis Melífera!



O Sotãozinho é uma alça mais baixa que fica no topo da caixa e sob a tampa. Vejam a montagem abaixo:
Inicia a construção com uma alça mais baixa, tal qual um porãozinho


A alça é provida com janelas laterais de circulação de ar.



Que por sua vez são protegidos por uma tela.



O fundo recebe um tecido de algodão, que no nosso caso pode ser combinada com uma tela tipo sombrite, para desencorajar abelhas roedoras, como as uruçus.   



Virando a montagem, temos a alça com um fundo, sobre o qual deve ser colocado um material ou substância capaz de absorver o excesso de umidade. 
No caso  das nossas abelhas nativas que adoram geopropolizar qualquer brecha, eu ainda colocaria uma borda fina de acetato somente entre a base do novo sotãozinho e a parede da melgueira, como um "paspatur", a fim de evitar que geopropolizem diretamente o tecido inferior do sótãozinho e a borda da melgueira. 



Na Europa é utilizado como material de absorção do excesso de umidade a serragem, que deve ser sem cheiro forte.
Podemos tentar substituir por vermiculita, não sei se faria efeito.



Bem, a nossa caixa cabocla de abelha nativa passaria a ter Porãozinho e Sótãozinho!!!
Olhem que máximo!! Mais luxuoso que o "Minha Caixa Minha Vida"

Bem, eu não sei se esta proposta seria uma solução adequada para nossas abelhas, eu vou convocar nosso habilidoso Presidente Carlos Ivan, para construir uns protótipos para serem testados no próximo inverno nas caixas do parque PNT, que sempre sofrem com este grave problema.

Medina 

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Dendrofobia

Nas minhas leituras e busca sobre plantas que melhor satisfaçam as necessidades de nossas abelhas, acabei me  deparando com este texto.
É tão verdade que não tem como não reproduzir aqui a postagem do Anderson Porto sobre a paixão brasileira por árvores!
Como meliponicultor, faço minhas as palavras dele, pois não há abelhas sem árvores!



Dendrofobia

por Anderson Porto
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Dendrofobia
Nelson M. Mendes
[Adaptação e edição de um texto escrito em setembro de 2005. É terrível perceber que ele está mais atual do que nunca.]

[De dendr(o)-  +  fob(o)-  +  -ia.]  S.f.  Horror às árvores
A definição do Aurélio é curta e grossa. Espanta, surpreende. Nem se imaginava que pudesse existir um nome para uma fobia infelizmente muito comum.
No dia 21 de setembro se comemora o Dia da Árvore.  Muitos eventos são programados por escolas, ONGs, instituições variadas. Árvores são plantadas por crianças que, em seguida, dão comoventes entrevistas a repórteres que “levantam a bola” na exata medida para que a resposta à pergunta seja a desejada, a “politicamente correta”, aquela que ensejará um sorriso complacente e aprobatório do âncora do telejornal. Os telespectadores jantarão, verão sua novela, dormirão sobre sonhos e ansiedades e, no dia seguinte, nem notarão que a árvore na sua calçada não existe mais, e que no lugar restou apenas hedionda cicatriz de terra e entulho.

O amor pelas árvores

“Eu acredito que, quando uma árvore é cortada, ela renasce em algum outro lugar. Então, quando eu morrer, é para esse lugar que eu quero ir. Um lugar onde as árvores são deixadas em paz.”  O autor da frase, Tom Jobim,  foi homenageado com uma placa ao pé da gigantesca samaúma que ele venerava, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mas fora dali, e talvez sobretudo na terra de Araribóia,  as árvores de modo algum são deixadas em paz. O brasileiro – dizia Tom – tem pavor de árvore.
Diz a escritora Gita Mehta, no livro Escadas e Serpentes:  “Para os filósofos da Índia antiga, a floresta simbolizava um cosmo idealizado. As grandes academias filosóficas da Índia ficavam todas em bosques – reconhecimento de que a floresta, autossuficiente e infinitamente regeneradora, combinava em si a diversidade e a harmonia que eram a aspiração, o objetivo da metafísica indiana. Não por acaso o grande corpus do conhecimento da Índia proveio das florestas: os Puranas, os Vedas, os Upanishads, os épicos Mahabharata e Ramayana, os sutras da ioga e os estudos médicos do Ayurveda.”
As antigas cidades indianas, ainda segundo Gita Mehta, tinham no centro um bosque, “de onde as ruas emanavam como galhos, recordando ao habitante urbano que o homem é simplesmente uma parte de um imenso organismo vivo”.  E era para a floresta que o homem, cumprida a sua missão mundana, se retirava para praticar a meditação na busca de Deus.
O desprezo
Infelizmente, tal veneração pelas florestas jamais foi uma tradição brasileira. Na verdade, o país nasceu sob o signo da derrubada de árvores: o primeiro ciclo econômico foi exatamente o da exploração predatória do pau-brasil.
O Brasil tem problemas do tamanho do Brasil. É natural, pois, que uma imensa parcela da população, preocupada em garantir o almoço do dia seguinte, não dê a menor importância a temas como preservação de florestas – até porque não está disseminada ainda a idéia de Gaia, da Terra como um organismo vivo, da qual o Homem é apenas uma das partes. O cidadão comum  e de poucas luzes está ainda no século XIX, acredita que a Natureza existe para ser indefinidamente explorada, e que seus recursos são infinitos.
O que surpreende, entretanto, é que também as classes média e alta parecem não nutrir muito apreço pelo verde. Árvores continuam sendo impiedosamente derrubadas, arrancadas pela raiz. E isso não acontece apenas em nossa fronteira agrícola, sob influxo  de fortes interesses econômicos. Acontece ao nosso lado, na nossa calçada.
O ódio pelas árvores é praga mais disseminada que a erva-de-passarinho que infesta muitas daquelas que são deixadas de pé. Alguns iniciam o processo de destruição de uma árvore pelo processo de descascamento (anelamento, segundo a linguagem técnica). Muitos, não confiando talvez na eficácia do descascamento, providenciam herbicidas, ou um prosaico óleo queimado para envenenar as raízes. Há também quem invente os mais estapafúrdios pretextos para convencer as autoridades de que é necessário remover uma árvore em que os pardais se aninhavam havia décadas. E o curioso é que, em calçadas que não são sobrevoadas por qualquer fio, onde não há qualquer entrada de garagem, qualquer motivo, enfim, que justifique a ausência de árvores, dá-se preferência à plantação de fradinhos (obstáculos de concreto); ou no máximo à construção de jardineiras risíveis, com plantas rasteiras e indigentes, que não oferecem qualquer sombra.
A árida nudez
Mas não são apenas as pessoas físicas – o dono de automóvel que deseja facilitar a entrada de sua garagem e não hesita em destruir um oiti de 70 anos, a velha senhora que se aborrece  com as folhas na sua calçada – que investem contra as árvores. Elas sofrem também uma ação institucional furiosa: a AMPLA (nome fantasia da companhia de energia elétrica, antiga CERJ) [ PS. Aqui no Rio de Janeiro se dá o mesmo com o LIHGT] promove podas cruéis e radicais. Certamente nenhum técnico orienta os funcionários sobre como proteger a rede elétrica sem ter que decepar as copas das árvores, transformando-as em tridentes, em galharias angustiadas a clamar aos céus por um pouco de respeito. A própria Prefeitura de Niterói desnuda as árvores como se estivesse interessada não em sua saúde e beleza, muito menos na sombra para os cidadãos, mas no aproveitamento econômico da matéria vegetal.
O resultado é que algumas calçadas de Niterói estão nuas, áridas como um deserto de sal. A palavra “nuas” não é casual: o que as caracteriza é exatamente a nudez, a árida nudez, a aridez. Onde hoje tudo é cimento ou terra revolvida houve há não muito tempo árvores, lindas árvores. Derrubadas por tempestades, ou removidas por motivos obscuros, não foram repostas.
O apreço pelo cimento liso parece maior ainda entre as pessoas da terceira idade. A velha senhora justifica a dendrofobia: “As árvores quebram as calçadas...” Inútil seria lembrar que nem todas as árvores quebram calçadas e que, de qualquer forma, em muitos casos é preferível sacrificar um tanto a plástica do calçamento urbano (aliás, freqüentemente bastante deteriorado, com ou sem árvores...) em benefício do verde, da sombra, da regulação térmica urbana, do resgate de carbono.
Quem sabe as crianças, mesmo que hoje manipuladas para posarem de ecologicamente corretas, não terminem por despertar para a realidade de que em matéria de proteção ao verde, não dá para quebrar galho. Muito menos cortar.
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Fonte: [ Satyagraha ]

sábado, 4 de novembro de 2017

As 3 Leis da Abelhadinâmica

Eu e minhas divagações!

 Não sei como, mas meu “vício” por abelhas é tão grande que começo a enxergá-las em vários assuntos que me envolvem. Estava lendo um texto sobre entropia e sintropia que me enviaram, e como tenho estado afastado das terminologias da termodinâmica, resolvi dar uma relembrada lendo algum material. Não teve jeito, foi ler as 3 leis e logo fazer uma abelhuda associação, talvez possam até achá-la absurda!
Então a Primeira Lei da Abelhadinâmica – por associação - "Se dois corpos A e B estão separadamente em equilíbrio térmico com um terceiro corpo C, então A e B estão em equilíbrio térmico entre si." Traduzindo: Se as abelhas e a civilização estiverem separadamente em equilíbrio com a natureza, então abelhas e civilização estarão em equilíbrio entre si!
Segunda associação - “O calor não pode fluir, de forma espontânea, de um corpo de temperatura menor, para um outro corpo de temperatura mais alta.” Traduzindo: Os resultados da polinização não podem fluir, de forma espontânea, de um gênero de insetos que trabalham em prol da natureza para um conjunto de animais que destroem a natureza.
E finalmente a última lei da Abelhadinâmica. “Sempre que um sistema encontra-se em equilíbrio termodinâmico, a sua entropia aproxima-se de zero.” Traduzindo: Sempre que a natureza encontra-se em equilíbrio abelhadinâmico, a sua entropia aproxima-se de zero!
Para deixar mais clara a nomenclatura usada na 3ª Lei da Abelhadinâmica, podemos entender que o termo entropia, criado pelo físico alemão Rudolf Clausius, significa desordem/confusão que tende a aumentar e se propagar, e foi cunhado para explicar os princípios de Carnot. Classicamente define-se entropia como sendo a quantidade energia de um sistema que não pode ser convertida em algo útil. O termo entropia significando uma desordem sem função útil, também foi aplicado nas mais diversas áreas do conhecimento, tais como: a Teoria da Informação, a Fisiologia, a Ecologia e a Economia, e até no Criacionismo!
Já o termo "sintropia", por sua vez, foi cunhado pelo matemático italiano Luigi Fantappiè, (do grego syn=juntos, tropos=tendência), a fim de descrever as propriedades matemáticas da solução de ondas avançadas da equação de Klein-Gordon, que une mecânica quântica com a relatividade.  Mas tem sido aplicada como a tendência para a concentração de energia, ordem, organização e vida. Não tem o conceito diretamente oposto à entropia como muitos pensam, mas sim complementar. Sintropia define o crescente nível de organização de forma complexa e inteligente sobre um ambiente entrópico, de modo a sempre dar uma finalidade útil, retroalimentando um sistema.

Meio estranha esta lógica, aparentemente sem lógica, mas é mais ou menos por aí que o conceito de sintropia caminha. Um princípio regido por uma inteligência complexa, que tende a buscar a ordenação e finalidade útil do que se encontra em desordem.
Ernst Götsch traduziu sintropia como a tendência ao aumento da organização e da complexidade na rede de atores que atuam da natureza, de forma a aumentar os recursos e energia disponível no ecossistema. Para Götsch essa lógica se manifesta tanto no microcosmo quanto no macrocosmo, e é entendida como a força motriz dos sistemas naturais que organizam e otimizam sistemas entrópicos, gerando mais complexidade sintrópica.
O que gostei na explicação que ele deu, foi o exemplo com as abelhas! Ernst Götsch explica que apesar das abelhas parecerem seres que poderiam ser consideradas como entrópicas (geradoras de desordem) em si, pois consomem uma grande quantidade de néctar e pólen ao longo de sua vida (trazendo desequilíbrio com esta coleta em grande volume e maneira continuada), no balanço geral de um sistema maior são altamente sintrópicas (ou seja, geradoras de equilíbrio).
A mensagem brilhante neste exemplo do Ernst, é que ele leva em conta os diversos efeitos benéficos da ação polinizadora das abelhas dentro de um macro sistema acima das abelhas. Os efeitos da polinização são fundamentais tanto para o equilíbrio quanto para a potencialização dos recursos do macro sistema como um todo. Resumindo o que ele quer dizer, é que apesar das abelhas extraírem muitos recursos florais, retribuem com o efeito da polinização, que não só beneficia a própria planta doadora de recursos, mas também toda a cadeia alimentar que é formada a partir da polinização, e assim o ciclo se mantém, e a planta continuará a poder ceder recursos fartos para as abelhas sem se extinguir.
Baseado nesta lógica, aplicarei a abelhadinâmica em nossas vidas, analisando também a sintropia e a entropia!
A civilização atual apresenta capacidade investigatória científica suficiente para conseguirmos analisar com clareza os impactos e consequências das várias atividades da vida moderna sobre o meio ambiente, é só querer ser honesto e verdadeiro. E deve-se deixar claro que NÓS estamos contidos no meio ambiente! Por estarmos diretamente implicados no sistema, temos que desenvolver a capacidade de parar, e analisar fria e honestamente, se os resultados são entrópicos ou sintrópicos ao grande sistema a que pertencemos!
Posso deduzir rapidamente que o homem moderno não aplica as 3 Leis básicas da Abelhadinâmica!

Vou tentar destacar e comentar algumas atividades que, em minha opinião e acredito ser também da maioria dentro da AME-RIO, são perigosamente entrópicas (desorganizadas) e prejudiciais às abelhas, e por tanto aplicando-se a 2ª Lei da Abelhadinâmica, também à civilização.

Vamos colocar em pauta um Tendão de Aquiles da nossa civilização: a agroindústria, por exemplo.
Qualquer discussão que se dê início em uma roda de pessoas sobre as consequências entrópicas da agroindústria, vem a tona argumentações que apontam o total desequilíbrio que está sendo gerado: ser praticada nos atuais moldes exploratórios, pode-se dizer extrativista; ser baseada em uma lógica de produção sem preocupação com o solo ou com o meio ambiente; e ser associada a um pacote de agrotóxicos e fertilizantes químicos, que alteram todos os ciclos naturais.

O primeiro e único contra-argumento trazido em pauta pelos seus defensores é: “Já somos 7 bilhões de pessoas, se a agropecuária não fosse praticada nos atuais moldes, a humanidade morreria de fome”...

Ernst Cassirer diz que "o inimigo da ciência não é a dúvida, mas o dogma". Esta contra-argumentação dos 7 bilhões engessa a visão dos acadêmicos, e dificulta que voltem suas atenções às pesquisas alternativas aos pacotes Tech!

Atualmente esta ideologia tem sido vinculada como: “Agro é tech, Agro é pop, Agro é tudo” Concordo em gênero, número e grau em relação ao slogan da campanha. A agropecuária tem que estar embasada na tecnologia, e tem que ser voltada para a população. Mas o triste desvio é quererem impor uma associação de “tecnologia” ao uso da química como “defensivos fitosanitários”. Isso mesmo, “defensivos fitosanitários” é o eufemismo criado para dissociar qualquer relação entre o perigo de usar veneno na agricultura, e a ingestão contínua deste veneno pela população! A publicidade é tão forte que a maioria dos envolvidos na agricultura familiar considera agrotóxicos como um"remedinho" ou uma "enxada rápida"!   
Eu me pergunto, como artifícios químicos e altamente tóxicos como estes podem ser considerados “Tech” ou “Pop”? Não fecham o ciclo, não trazem agregação ou vida para o ciclo em que estamos inseridos. Matam abelhas, matam pessoas, quebram cadeias alimentares. São entrópicos tanto na visão micro cosmo, como no ponto de vista do macro cosmo, e só não percebe quem não quer!
Eu particularmente defendo a agropecuária sintrópica, orgânica, o “slow food”. A agricultura sintrópica é a que realmente agrega valor e vida ao alimento. 

Para os mais radicais, aqueles que defendem uma agropecuária mais intensa do que a orgânica ou sintrópica, ainda existem tecnologias alternativas como as que utilizam os biodefensivos, ou outras tecnologias que causam menor impacto ambiental. A meu ver não é a solução ideal, mas é menos agressiva, menos entrópica!
No contexto dos agrotóxicos tem lenha para muita discussão, mas acredito que temos a obrigação de conduzir o diálogo à luz da manutenção dos recursos futuros e das consequências diretas que estão ocorrendo ao adotarmos tecnologias entrópicas, como a dos agrotóxicos. Entendo que usar veneno é um conceito imposto de geração em geração de modo a formar uma nova ideologia, desta vez não a de gênero, mas a de propósito. O veneno trocou de nome: agora é “Defensivo Fitosanitário”, virou POP e estrela de comercial! Controle Fitosanitário é Tech, é Pop, graças a PL 6299/02 e PL 3200/15, propostas pela bancada ruralista, que proíbem o uso do termo “agrotóxico”. E qual é o propósito? Sanar a fome? 
Outra grande ideia imposta, associada aos venenos e adubos químicos são as sementes transgênicas. A grande ideia tecnológica é gerar “plantas veneno”, para matar as pragas que comem o precioso alimento que salvará o planeta da fome! Tecnicamente não se sabe se é uma planta realmente ou um veneno disfarçado!
Contra esta ideia mórbida não há como não argumentar: se a folha de uma planta transgênica mata um inseto centenas de vezes menor que o ser humano, pode em algum momento também causar algum dano neste mesmo ser humano que se alimenta deste mesmo tipo de planta por 50 ou mais anos seguidos!! É a associação mais básica que pode ocorrer até a uma criança! Mas os defensores da indústria do veneno logo citam Paracelsos, e declaram que o que torna uma substância em veneno é a dosagem! E ignoram premeditadamente o efeito cumulativo ou a toxidade crônica! Afinal as sementes destas plantas são patenteadas e as indústrias lucram uma fortuna, e uma pessoa não viverá tanto tempo para evidenciar os seus efeitos!
Abro um parênteses, para trazer abaixo maiores informações sobre a contra argumentação Paracelsos.

Hoje já se conhece mais sobre o processo de INTOXICAÇÃO, que pode ser desdobrado, para fins didáticos, em quatro fases:
Fase de Exposição: É a fase em que as superfícies externa ou interna do organismo entram em contato com a substância. Importante considerar nesta fase a via de introdução, a frequência e a duração da exposição, as propriedades físico-químicas, assim como a dose ou a concentração e a susceptibilidade individual.
Fase de Toxicocinética: Inclui todos os processos envolvidos na relação entre a disponibilidade química e a concentração da substância nos diferentes tecidos do organismo. Intervêm nesta fase a absorção, a distribuição, o armazenamento, a biotransformação, assim como a velocidade de sua eliminação do organismo.
Fase de Toxicodinâmica: Compreende a interação entre as moléculas da substância e os sítios de ação, específicos ou não, e consequentemente, o aparecimento de desequilíbrio.
Fase Clínica: É a fase em que há evidências de sinais e sintomas, ou ainda, alterações patológicas detectáveis mediante provas diagnósticas, caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do toxicante com o organismo.

 Como pode ser deduzido pelo resumo acima a única alteração, entre as 4 fases, que pode ser detectada pelo homem comum no SUS (Sistema Único de Saúde) é a fase clínica, onde as evidências se manifestam sem deixar dúvidas da toxicidade!
A outra alternativa de “Agro tech” que querem impor como coerente é usar outro tipo de plantas alteradas geneticamente, as que resistem a um veneno em específico. Desse modo pode-se aplicar veneno com mais “segurança” na lavoura.  O que significa “mais segurança” na lavoura “Agro tech”? Significa poder aplicar mais vezes veneno, pois a planta cultivada não morrerá pelo excesso daquele veneno!

Os defensores deste modelo agressivo e suicida de agricultura alegam que o agricultor aproveita desta resistência e excede desnecessariamente nas aplicações dos “defensivos fitosanitários”. Porém quem visa apena$ o lucro não quer ga$tar mai$ recur$o$ comprando mai$ veneno do que o nece$$ário. Afinal quem lida com estes grandes volumes de agrotóxicos são os grandes empresários da agroindústria, e não o agricultor da agricultura familiar! 

Mas a mídia não comenta que os tais “defensivos fitosanitários” não estão mais fazendo os efeitos esperados.

E com esta lógica incoerente, como justificar o “Agro pop”? 
Como justificar a população que consome frutos envenenados?
Ou como justificar a população de polinizadores, que morrem ao pousar nessas flores regadas a veneno? 
Nego tecer mais comentários, de algo tão evidente! Apenas pergunto: matar polinizador tem relação com tecnologia? Alimentar a população com veneno significa tecnologia? A meu ver estas atividades têm outros nomes!

Como este pensamento pode ser Pop, ou mesmo Tech? Para mim fere a 3ª Lei da Abelhadinâmica: - Sempre que a natureza encontra-se em equilíbrio abelhadinâmico, a sua entropia (desordem) aproxima-se de zero!

A partir de 2008, o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar no ranking mundial de maior consumidor de agrotóxicos. Segundo a ANVISA e o Observatório da Indústria dos Agrotóxicos da Universidade Federal do Paraná, enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, no Brasil o crescimento foi de 190%. A agricultura brasileira caracteriza-se pelo crescente consumo de agroquímicos, associado ao aumento proporcional das monoculturas, cada vez mais dependentes dos insumos químicos, um modelo de produção que difunde a falsa ideia de que a “modernidade" no campo gera progresso, emprego, renda e elimina a fome.
A presença de agrotóxicos nos alimentos é conhecida pela população, porém o impacto e malefícios na saúde ainda é vergonhosamente pouco divulgado. A pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer - Márcia Sarpa - afirma que há fragilidades nos critérios de classificação toxicológica dos agrotóxicos utilizados pela Anvisa. Para Sarpa a classificação é vaga uma vez que leva em consideração apenas uma exposição por um curto período de tempo. "Há os efeitos neurotóxicos, que são efeitos sobre o sistema nervoso central, por exemplo o Mal de Parkinson também já foi associado a exposição aos compostos” afirma.
Se agrotóxicos geram efeitos neurotóxicos constatados em seres humanos, por que não gerariam nas abelhas?  Para mim o uso de agrotóxicos para produzir alimentos é altamente entrópico!
Mas vamos mais adiante com as argumentações sugeridas pelos defensores da AgroTech, vamos tentar entender esta corrida pela produção de mais e mais alimentos para matar a fome de 7 bilhões baseada neste pacote tecnológico tóxico-químico.

Conseguimos manter o planeta equilibrado e alimentado com o que produzimos? Eu gosto de fazer associações palpáveis para poder chegar a alguma conclusão, e para isso fui buscar mais algumas informações, vamos a elas ...

Não sei por que razão, tomei como base de parâmetros o Município de JATAÍ, no meio de Goiás, cerrado brasileiro, distante 1098 km do porto de Santos. Jataí é considerada a capital da produção de grãos e leite de Goiás e o maior produtor nacional de milho. Tenho medo de pensar o porquê do nome Jataí para este município no meio de Goiás. Será que existiam muitas jataís?
Deixemos de lado as jataís do município de Jataí, pois elas devem agora ser muito raras, e vamos aos seus agricultores. Eles e os demais agricultores de Goiás esperam colher nesta safra mais de dez milhões de toneladas de grãos, mas escoar a produção é um desafio, já que várias rodovias estão em péssimas condições, o que já é um absurdo para um eixo integrador produtor/exportador!
Fora as condições das estradas, deve-se considerar as caçambas dos caminhões. São aquelas mesmas que também levam madeira, caixotes etc. Pode não parecer importante, mas estas caçambas chegam a perder até 700 quilos de grãos em um trecho de 450 quilômetros. Fazendo as contas, podemos supor que ao percorrer os 1098 km até o porto de Santos, pode haver uma perda de até 1700 kg de grãos jogados ao longo da estrada por um único caminhão! Reportagens supõem perdas de até 115 mil toneladas só no transporte dos grãos oriundos do cerrado.
A grande pergunta é: para que produzir mais, se a tecnologia de transporte não acompanha a de produção? 115 mil toneladas de grãos alimenta MUITA gente!!!  Onde está a sintropia, onde está a agregação de utilidade, de coesão, de ordenamento inteligente?  
Então agora vamos analisar a coleta de grãos. É sabido, no milho por exemplo, que a coleta mais eficiente é feita manualmente, e o método manual é inclusive usado como referência padrão nas comparações das máquinas colheitadeiras. Pois bem, a perda aceitável foi determinada em 60Kg/ha, mas na realidade estimam-se perdas nesta operação de até 109kg/ha. Só o município de Jataí que contabiliza 220 mil ha de milho plantado na safrinha de 2017, pode-se chegar a uma perda, só na colheita, de 11881 ton de grãos!! Cadê a sintropia (utilidade/agregação inteligente) nisso tudo?
Não bastasse o desperdício comprovado em toda a cadeia de produção, a tecnologia burra para alimentar 7 bilhões de pessoas conseguiu extinguir 80% do cerrado, o que se traduz de imediato na alteração da capacidade de absorção de água pela terra, e na alteração dos ciclos da chuvas só para começo de conversa...  O arqueólogo Altair Sales Barbosa, que há quase 50 anos estuda o papel do Cerrado na regulação de grandes rios da América do Sul alerta:
“O rio São Francisco está secando, haverá cada vez menos água em Brasília e a cidade de São Paulo terá de aprender a conviver com racionamentos.”
De quebra, o milionário agronegócio ainda levou junto com a extinção dos 80% do cerrado, quase 100% das abelhas nativas.  A visão “tecnológica” destes milionários investidores é que abelhas não são essenciais aos seus negócios! Se não fosse a paixão dos meliponicultores, enfrentando leis e regulamentos distorcidos impostos a nossa classe, muitas abelhas só poderiam ser vistas nos livros de histórias.
Me referi acima só a região central do Brasil, temos agroindústria suicida no sul, sudeste, norte e nordeste! É muito desmatamento! É muita abelha extinta! É muita incoerência!

Aplicação direta da 2ª Lei da Abelhadinâmica, o resultado do trabalho dos polinizadores não consegue fluir para os animais humanos que se mostram cada vez mais devastadores! A fome em diversas partes do planeta continua a existir, não pela falta de alimento, mas pelo egoísmo. A população brasileira e trabalhadores vem contabilizando um aumento de canceres. Tudo altamente entrópico (desordem generalizada)!
Não vou mais cansar ninguém com esta leitura chata, mas não posso deixar de trazer mais um dado para tentar responder a pergunta:

Vamos matar a fome do Mundo?

Soja no Brasil (segundo maior produtor mundial do grão) 
Fonte: CONAB

Produção: 113,923 milhões de toneladas

Área plantada: 33,890 milhões de hectares

Produtividade: 3.362 kg/ha

Consumo interno de soja em grão: 47,281 milhões de toneladas

Exportação de soja em grão: 51,6 milhões de toneladas - U$ 19,3 bilhões
Exportação de farelo: 14,4 milhões de toneladas - U$ 5,2 bilhões

Alimentamos toda a população brasileira (208 milhões) com 47 milhões de toneladas de grãos, e ainda exportamos um excedente de 66 milhões de toneladas somente de grãos e farelo, e pergunto: para onde vão estes grãos todos, o que levam junto deles para fora de nossas terras? Matam a fome das zonas esquecidas e famintas do planeta?

Junto com estes 66 milhões de toneladas de grãos e farelo estão sendo também exportadas a água de Brasilia e de São Paulo. Contabilizando só a região centro-oeste brasileira, cada grão leva junto, parte dos nossos 80% de Cerrado devastado, e a vida das nossas abelhas nativas que viviam lá! Exportam a cada ano nacos generosos dos nossos recursos naturais dos 5 cantos do Brasil que deveríamos entregar aos nossos filhos e netos. 

Proporcional ao crescimento das exportações, crescem casos de câncer que matam os brasileiros.  Isso só focando a produção de grãos, e se contabilizar os demais insumos exportados, carne, frutas, algodão, etc? E o lucro imediato e financeiro destas exportações, onde está? Em qual banco internacional, em qual investimento internacional?
O mais covarde em toda esta entropia é a imposição da ideologia dos “defensivos fitossanitários” às crianças que ainda não constituíram e acumularam informações suficientes para julgar! Lindos e bem editados desenhos animados são produzidos por empresas que fabricam veneno, e já tentam implantar a incoerente ideia nas crianças, de que as abelhas só nos cobram “respeito” e “o uso correto dos defensivos e tecnologias agrícolas” em troca da polinização!
Esta é a informação dada nos últimos segundos de exibição, após uma apresentação linda e impecável sobre a importância das abelhas!

Acho que já pensei e falei demais para demonstrar a incoerência em não se aplicar as 3 Leis da Abelhadinâmica em nosso sistema produtivo de alimentos. Um conjunto de Leis que mostram uma visão bem melipônica dos efeitos sobre nossas abelhas, e sobre nós mesmos, da tecnologia baseada em agrotóxicos!

A tecnologia que querem impor é agressiva à natureza, incoerente, destrói o palco agrícola, todos seus atores diretos (abelhas e produtores) e indiretos. Mata a fome e simultaneamente o próprio consumidor. Gera-se total desordem tanto ao nível micro como macro do sistema. A entropia causada não estabelece uma sintropia em um plano maior, tal como o exemplo das abelhas do Ernst Götsch. Não conseguimos matar a fome do Mundo, no entanto envenenamos milhares de pessoas, bilhões de polinizadores, destruímos centenas cadeias alimentares completas, e implacavelmente destruímos os recursos naturais futuros de nossos herdeiros, estamos transformando vida em deserto!

Não consigo ver qualquer sinal mínimo que seja de equilíbrio entre civilização, natureza e abelhas (1ª Lei), de haver fluência de algum benefício em prol dos polinizadores (2ª Lei), ou de um mínimo de sintropia/equilíbrio inteligente como consequência da ação da nossa civilização sobre a natureza (3ª Lei).

Situação muito triste, mas reversível! 

Existem 3 níveis de atuação dentro do “sistema civilização”, e um deles pode ser alterado trazendo equilíbrio: Dentro do sistema civilização existem os que lutam pela entropia, os que lutam pela sintropia, e os indiferentes.  
A virtude da nossa geração é a atividade intelectual, e nosso vício é a indiferença moral.
Não olhar para os lados é pior que ser cego.
Não olhar para o outro é o mesmo que desconhecer a si mesmo.
Não perceber o que acontece é ignorância, mas, perceber, e não interferir, é egoísmo.

Não sejamos indiferentes às tecnologias que nos matam!
Não sejamos indiferentes ao clamor dos polinizadores que vêm sendo extintos sucessivamente!
Sejamos como as abelhas: Vamos espalhar vida, cooperação, justiça por onde passarmos! 

MEDINA