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sábado, 4 de maio de 2024

8ª EDIÇÃO CONCURSO NACIONAL DE MÉIS DE ABELHAS NATIVAS AME-RIO

 




JULGAMENTO DIA 09 NOVEMBRO 2024

BONDINHO DO PÃO DE AÇÚCAR

Corpo de Jurados

Dr. Rogério Marcos de Oliveira - professor titular aposentado IFBAIANO. (Promoveu e coordenou os primeiros concursos do gênero no Estado da Bahia).

Dra. Mônika Barth - Pesquisadora da FIOCRUZ e especialista em análises laboratoriais de pólen e mel.

Chef Jèrôme Dardillac - Chef executivo do Hotel Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, responsável pelo desenvolvimento dos conceitos gastronômicos do hotel Santa Teresa MGallery.

Chef Rafael Costa e Silva - Chef do Lasai, agraciado com distinção com 1 estrela Michelin.

Eugênio Basile – fundador da Mbee Mel de Terroir, especializada em méis Terroir voltados para apreciadores ou para a alta gastronomia.

 

 

OBJETIVO

Selecionar como MEL CAMPEÃO uma amostra de mel de abelhas Meliponini, tendo como referência critérios sensoriais de melhor percepção da agradabilidade e encantamento à vista dos padrões organolépticos do mel in natura, fresco e recém coletado de abelhas nativas.

“Notas Sensoriais” serão anotadas pelos jurados nas fichas de julgamento, e se requeridas repassadas aos participantes.

 

REGRAS:

O concurso é aberto apenas a méis de abelhas nativas (Meliponini), e poderão concorrer méis processados ou refrigerados.

 

Os concorrentes poderão inscrever seus méis em uma das duas categorias de conservação, a saber: Refrigerado ou Processado.

 

No caso da categoria Processado, na ficha de inscrição, deverá ser identificado o tipo de processamento: “Maturado”, “Desumidificado” ou “Maturado e Desumidificado”.

 

 

A amostra de mel enviada tem que ser produto do meliponário do próprio concorrente.

 

Cada meliponicultor pode concorrer com amostras de diferentes espécies de abelhas ou diferentes categorias e de diferentes datas de coleta.

 

Não se exige que a amostra tenha sido produzida na safra 2024.

 

As amostras serão recebidas até 25 OUTUBRO 2024, e a remessa é por conta do inscrito.

 

Cada amostra deve ter no mínimo 200ml. Havendo caso de espécies de abelhas, reconhecidamente pouco produtivas, será aceita a metade do volume requerido, mas a mostra deverá ser ressalvada/justificada com a descrição da espécie conhecidamente de baixa produtividade de mel. (entrar em contato)

 

As amostras deverão ser acompanhadas com identificação e preenchimento  de ficha, na qual deve constar: 

 Nome do meliponário

 Nome do Meliponicultor;

 Estado do meliponário;

 Cidade do meliponário;

 Espécie da Abelha Nativa;

 Tipo de conservação que estabelecerá a categoria de concorrência (Refrigerado ou Processado);

 Data da coleta; (mês/ano aproximado)

 Florada predominante (opcional);

 Notificar se a amostra procede de uma única caixa ou de diversas;

 Foto/Imagem da entrada da caixa de abelha de onde procede a amostra enviada.

Enviar para por WhatsApp para (21) 99754-0887 

 Localização georreferêncial do ponto de coleta ou da cidade/bairro da coleta. 

- ( Dica: Usar o App: GPS Maps – Basta instalar, ligar a função localização do Smartfone – ativar o App GPS Maps, aguardar localização e clicar na seta azul, anotar e enviar latitude e longitude informada) 

Ou tentar o mesmo com o programa GoogleMaps.

 

TESTES

As amostras passarão por uma análise laboratorial, executada pela Dra Mônica Barth, que atestará a pureza da mesma (condição eliminatória – sanidade - diz respeito apenas à existência de contaminantes).

 

As análises se estenderão após a data do julgamento, mas ficarão em sigilo para fins de pesquisa. Caso algum concorrente queira ter acesso aos resultados totais de sua própria amostra, poderá se manifestar, e a análise será repassada privadamente.

 

JULGAMENTO

De cada amostra participante será separada uma sub-amostra (CEGA) que será disponibilizada sob código, sem identificação sobre o produtor/mel/origem/espécie, aos jurados para degustação no dia 09/11/2024. Cada amostra CEGA poderá ser avaliada por cada jurado, tantas vezes quanto o mesmo necessite para o estabelecimento das pontuações. O restante será arquivado como reserva técnica ou eventuais contra-provas e encaminhamento para atividades prêmio dos classificados.

 

Os jurados realizarão o julgamento simultaneamente no dia 09/11/2024 no Bondinho do Pão de Açúcar às 10 horas, em ambiente reservado e de maneira independente.

 

Método de pontuação: inspirado em Análise Sensorial em Provas de Méis – Antônio Gomes Pajuela - 1996

 

TODOS os parâmetros verificados pelos jurados de cada amostra serão classificados conforme a seguinte pontuação: QUALQUER VARIAÇÃO de NOTA entre “ZERO e DEZ”, até uma casa decimal. 

 

Conforme o item “OBJETIVO” deste edital, os jurados darão seus votos baseados em critérios de palatabilidade pessoal, não levando em consideração características mercadológicas padronizadas para o mel de Apis melífera.

 

PONTUAÇÃO e APURAÇÃO:

A pontuação de cada parâmetro será multiplicado por um peso referencial, a saber:

Persistência: x8 / Aroma: x8 / Intensidade: x2 / Sabor: x10

Assim a nota máxima de cada parâmetro será:

 Persistência: 80

 Aroma: 80

Intensidade: 20

 Sabor: 100

 Resultando em uma nota máxima = 300 pontos

 

Variabilidade dos parâmetros:

Persistência: maior tempo de permanência do sabor agradável do mel depois de degustá-lo.

Aroma: melhor percepção, grau de aceitabilidade/agradabilidade.

Intensidade: o grau de destaque ao primeiro contato gustativo com a amostra, na escala de surpreendente a esperado ou aguardado.

Sabor: melhor grau de aceitabilidade/agradabilidade conforme item "OBJETIVO" desse edital.

 

As fichas de pontuação ainda contam com as anotações dos jurados sobre as notas sensoriais percebidas durante o julgamento, que como nas demais edições ficarão arquivadas e disponíveis aos donos das respectivas amostras.

 

A pontuação final de cada amostra será dada pela média aritmética, até duas casas decimais, da pontuação dos cinco jurados para cada amostra.

 

Tabela de referência sobre a pontuação:

  • 300 a 200: são os méis excelentes, raros ou extraordinários;
  • 199 a 100: são os méis com poucos defeitos;
  • 99 a 50: são os méis, que apesar de serem agradáveis não são muito complexos em sabores, aromas ou corpo; 
  • Abaixo de 50: são os méis regulares aceitáveis para paladares menos exigentes.

 

CLASSIFICAÇÃO

Serão classificados 3 primeiros colocados de cada categoria. Portanto 9 amostras de méis ao todo.

O Mel Campeão será o que tiver maior pontuação, dentre os 9 selecionados.

 

PREMIAÇÃO

Os 9 méis classificados para final receberão Certificados referentes a suas colocações nas respectivas “CATEGORIAS”, bem como o Mel CAMPEÃO.

Certificados emitidos pela AME-RIO (Associação de Meliponicultores do Rio de Janeiro)

 

Somente o detentor do Troféu de CAMPEÃO poderá anexar ao seu rótulo e divulgações o título:

“MEL CAMPEÃO NACIONAL  AME-RIO/2024"

 

O Mel Campeão será premiado com o Troféu de CAMPEÃO, uma Camiseta da AME-RIO e a devida divulgação na página da AME-RIO. O meliponicultor dono do “MEL CAMPEÃO NACIONAL AME-RIO/2024" também ganhará dois ingressos de acesso ao Bondinho do Pão de Açúcar, para serem usados até julho de 2025.

 

Aos demais vencedores, nas suas categorias, será permitido o uso da expressão:

Mel (1º, 2º ou 3º) lugar categoria (nome da categoria)” AME-RIO/2024.

 

Também como premiação, a AME-RIO também estabelecerá um primeiro contato para fins comerciais entre todos os premiados e a “Mbee Mel Terroir”, se eximindo de qualquer outra obrigação entre as partes. As partes poderão estabelecer, a partir da apresentação, uma parceria comercial (a critério e interesse de cada parte) para apresentação de um Mel Gourmet na lista de produtos da empresa Mbee.

   

 

Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora do Concurso.

 

REMESSAS DAS AMOSTRAS PARA:

Rua Visconde de Figueiredo nº 36 apt 406

RJ - Rio de Janeiro _ Tijuca

CEP 20550-050

Dúvidas - WhatsApp para (21) 99754-0887

 

 

ACESSO AO EVENTO

  

O evento será realizado no Bondinho do Pão de Açúcar (1º estágio - Morro da Urca), e a AME-RIO fornecerá passe de acesso pelo teleférico (quantidade limitada) para os associados interessados em comparecer, sob as seguintes condições básicas, a saber:

- Realizar inscrição com a Tesoureira da AME-RIO;

- Ao se inscrever para acesso junto a tesouraria, já estar quite com a mensalidade até mês de novembro;

- Uma vez inscrito, se comprometer a avisar até 25/10 de eventual desistência;

- No dia do evento chegar até 8hs, para pegar com representante da AME-RIO, na portaria do Bondinho, o passe de liberação para subida.

- Os casos omissos serão resolvidos pela Diretoria da AME-RIO.


sexta-feira, 16 de junho de 2023

O Valor das Abelhas Sem Ferrão

A abelha sem ferrão tem vivido ciclos de visibilidade em sua própria terra. Antes de 2000, e do advento das redes sociais, sabiam sobre sua existência somente do cerrado para cima, principalmente todas as regiões norte e nordeste. Conhecimento comum de caboclos, índios, ribeirinhos, sertanejos, matutos e povo circunvizinhos. O seu mel fartamente consumido e admirado por todos. Suas propriedades medicinais valorizadas. Sua proximidade nas lavouras pomares, sempre bem quista. Sua existência é tão normal como cachorros e gatos no quintal!

Na primeira década do século XXI ainda era uma desconhecida dos brasileiros do meridiano 16º S para baixo. As academias diplomavam neófitos que sequer sabiam que abelhas poderiam não ter ferrão. Escolas ensinam as crianças que abelhas Apis melíferas são as polinizadoras de nossas matas nativas. Nos livros didáticos e notícias só figuram as abelhas exóticas.

 A partir dessa época a tecnologia digital abriu espaço para a formação de grupos e forums de pessoas por assuntos de interesse, e assim juntaram-se alguns gatos pingados que de alguma forma conheciam as abelhas nativas: seja por herança cultural, ou viagens para cima do meridiano 16ºS. Período em que foi criado o grupo ABENA no “Yahoo Groups”, e que a AME-RIO foi fundada (2007). 

Apesar das abelhas sem ferrão sempre existirem em todo território brasileiro, foi a partir dessa época que ela passou a ser conhecida nas regiões mais “ricas” do país. Teve matéria até na Forbes! Um novo ciclo de reconhecimento a nível nacional se inicia para as abelhas nativas. Como não poderia deixar de acontecer, o mel maravilhoso produzido pelas nativas despertou interesse geral. São como uma carta de vinhos nobres, e diferenciados a cada safra. Sabores mais complexos foram descobertos pelos Chefs da alta gastronomia, tanto no mel como em seu pólen. 

As abelhas sem ferrão ganharam força e status com as novas redes sociais, mais rápidas e penetrantes, que disseminam a sua existência aos sete ventos na velocidade de um raio. Assim um outro ciclo ganhou espaço, e agora são incontáveis as inserções sobre o assunto em variadas programações televisivas. Escolas primárias ou levam alunos em meliponários públicos, ou criam meliponários em seus próprios pátios recreativos. Na academia cresce a quantidade de pesquisadores interessados em aprofundar o conhecimento sobre elas e seus produtos. Políticos começam a legislar sobre a atividade. Uma onda de associações de meliponicultores cobre os estados federativos. 


A visibilidade aumenta assustadoramente e inicia-se uma elitização dos produtos, bem como muita informação desencontrada, ou mal direcionada.
A AME-RIO participou e influenciou em muitos desses ciclos e procurou atuar em suas consequências. Temos incentivado algumas consideradas positivas, e  combatendo outras que achamos perniciosas.
Mas ainda estamos batendo em uma tecla pouco conhecida: o alto nível de eficiência da polinização provocada pelas abelhas sem ferrão. Apostamos que esse será o próximo ciclo de reconhecimento sobre as nossas nativas. E por isso, que por dez anos, temos mantido um capítulo especial em nossos cursos de capacitação, e temos dedicado tempo e esforço semeando a informação em palestras, workshop, folders de divulgação, no nosso Gibi infantil, ou em qualquer outra oportunidade de comunicação.
E sobre esse assunto, me chamou a atenção uma palestra que ouvi do Dr. Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo M.Sc. em entomologia, pesquisador da Embrapa Soja Londrina. Nessa palestra ele fala sobre a importância da polinização das abelhas em uma plantação comercial de soja. Seu foco não são as abelhas nativas, mas em sua apresentação percebe-se o quanto as abelhas nativas são efetivas quando o assunto é polinização.

Apresentarei a seguir alguns dados e imagens extraídos da palestra do Dr. Décio Luiz Gazzoni, e a partir deles tirarei minhas próprias conclusões:

O primeiro dado interessante da palestra, para nós meliponicultores, é que se pensava que a soja não tivesse potencial melífero, pois não é citada entre as plantas boas para as abelhas. Inclusive a literatura indicava até a realização da pesquisa da EMBRAPA apenas 30 espécies de abelhas como visitantes das plantações de soja. Mas os pesquisadores da EMBRAPA descobriram que mais de 50 espécies de abelhas visitam a soja.

Concluímos a partir desse dado que pelo menos 49 espécies são nativas!   

Outro dado interessante que foi revelado é que as abelhas conseguem produzir quantidades significativas de mel a partir do néctar da soja, e que essa visitação acarreta até 41% de incremento na produtividade da soja.

Abro parênteses para explicar que a soja se auto poliniza, mas conforme explicação Dr. Gazzoni, existe uma “janela” temporal no ciclo da flor em que a atividade de abelhas sobre os estames consegue fertilizar mais um resquício que não é atingido pela autopolinização, acarretando mais alguns grãos em cada vagem a se formar.

A pesquisa traz dados que convencem os mais céticos quanto a diferença que esse “pequeno acréscimo” de grãos em cada vagem representa em uma plantação comercial de soja. Para isso Dr. Gazzoni apresenta inicialmente um gráfico de outra pesquisa, que lista a correspondência em US$ que cada produto agrícola gera na economia brasileira, com dados de 2020.

A tabela revela que a soja, que tem 25% de dependência da polinização, arrecadou aproximadamente 27 bilhões US$, sendo que quase 7 bilhões foram graças aos 25% de polinização efetivada por abelhas. Ou seja, 7 bilhões de US$ entraram em 2020 na balança comercial brasileira em troca de néctar.      

Outro dado interessante é que a produtividade por metro quadrado da soja  tem subido, mas o metro quadrado ocupado não acompanha o aumento da produtividade. E isso ocorre em parte devido a ação das abelhas nessa pequena “janela temporal” em que as flores da soja conseguem ser polinizadas por abelhas, proporcionando alguns poucos grãos a mais em cada vagem colhida. Projetando-se essa variante até 2050, calculam poder aumentar muito a produtividade e ao mesmo tempo poupar terra ocupada com a cultura. 

Dr. Gazzoni descreveu um experimento interessante sobre a influência da polinização no resultado de uma plantação de soja. Delimitou três áreas sob as mesmas condições, sendo que uma primeira área estava isolada da ação de polinizadores externos, a segunda área também estava isolada da ação de polinizadores externos, mas abrigava uma caixa de abelhas Apis melífera, e uma última área estava sem isolamento. 

Observou-se sob essas condições três safras seguidas de soja, concluindo-se que devido a ação das abelhas existentes no campo houve um pico de incremento de produção de 6,3% em relação ao perímetro de plantação isolado da influência de qualquer tipo de polinizador. E a área sob influência de um enxame apenas de Apis houve um pico de incremento de 18,2% na produção.

Considerando a percentagem média de influência nas três safras, de 12,9% devido a presença apenas das abelhas Apis, houve um incremento de 639Kg / ha, que nos valores de cotação de 2020 representa R$1768,00 a mais por hectare!

Como o Dr. Gazzoni faz questão de ressaltar em sua palestra, sem se gastar um real a mais com sementes, fertilizantes, pesticidas, máquinas ou outro custo!      

Em seguida foi apresentada outra pesquisa realizada em campos extensos de soja no Mato Grosso (Campo Novo do Parecis), que possibilitaram medir a distância de influência de abelhas de fragmentos florestais ao longo de um extenso campo de soja, e comparar com a influência da ação de abelhas Apis melífera.

Assim foi escolhido uma plantação homogênea de soja, com sementes de uma mesma variedade de soja, todas plantadas no mesmo dia, com tratamento de solo igual, exposta às mesmas condições climáticas, que apresentava um fragmento florestal centralizado que ocupava aproximadamente 10 hectares de área. 

Para um dos lados (esquerdo) do fragmento florestal foram distribuídas caixas (azul) de enxames de Apis, e esse talhão de plantação é de alta produtividade. Então esse talhão estava sob a influência tanto das caixas de Apis melífera, como das abelhas nativas provenientes do fragmento florestal. 

Para o outro lado do mesmo fragmento florestal (direita), não foram colocados os enxames de Apis, a influência era somente das abelhas nativas provenientes do mesmo fragmento florestal. E esse talhão de plantação era considerado um talhão de variedade de soja de média produtividade.    

E aí vem a cereja do bolo e a grande surpresa, que para a AME-RIO não é surpresa, pois há dez anos temos falado e demonstrado isso sistematicamente por meio de outras pesquisas apresentadas em nossos cursos de capacitação, palestras, apresentações, etc!

Os gráficos desse último experimento do Dr. Gazzoni mostram a quantidade de abelhas por área respectivamente em cada talhão: linha vermelha abelhas nativas, linha azul abelhas Apis, linha verde total geral de abelhas. 

Observa-se o ganho significativo de produtividade, que ocorreu nos dois talhões, até 100 metros de distância do fragmento florestal, atingindo picos de 4287kg/ha em um dos lados e 3316kg/ha no outro lado do fragmento florestal!  

E essa influência significativa até 100 metros de afastamento do fragmento florestal decai a partir dos 100 metros até 200 metros. A redução de produtividade coincide com o aumento da distância do fragmento florestal, e a consequente redução significativa de contagem das abelhas nativas por área. A partir dos 200 metros de distância, com o rareamento das abelhas nativas, a produtividade chega a cair 710kg/ha de um lado e 629kg/ha do outro lado do fragmento folrestal.

Interessante constatar que a presença das abelhas Apis melífera não sustenta o mesmo nível de eficiência de polinização suprido pela presença das abelhas nativas.


Nossas abelhas sem ferrão são fantásticas. Cada espécie de abelha melípona ao buscar o néctar ou pólen em uma flor, produz uma vibração característica no abdômen, que faz com que os estames das flores vibrem como uma corda de violão, e assim os grãozinhos de pólen voam longe fazendo a alegria das flores. Quem quiser se aprofundar sobre esse assunto basta procurar “Buzz Pollination” na internet, que existem vários trabalhos como por exemplo o “Buzz pollination: studying bee vibrations on flowers” de onde foi extraída a imagem a seguir.
   

A AME-RIO tem outras publicações comentando sobre essa capacidade de nossas abelhas, mas o que se deve destacar disso tudo é que no caso da soja a atuação de nossas abelhas nativas sobre a flor da soja é apenas complementar,  pois apesar da alta eficiência devido ao Buzz Vibration a soja se autopoliniza, assim como o café e diversas outras culturas comerciais.

 Mas é essencial que as pessoas compreendam que 90% das nossas plantas nativas, presentes em qualquer dos nossos 9 grandes biomas, a maioria delas só conseguem ser polinizadas se houver o Buzz Vibration produzido pelas abelhas endêmicas de seus respectivos biomas, pois cada espécie de planta evoluiu em simbiose com um grupo específico de abelhas, que são capazes de produzir a frequência certa para a liberação do pólen daquelas espécies de plantas.

Não é atoa que o Brasil tem quase 400 espécies de abelhas sem ferrão, sem contar as solitárias que exercem o mesmo papel!

Assim um bioma brasileiro, mesmo que preservado em sua área, precisa de abelhas nativas que produzam vibração correspondente a necessidade específica de polinização das espécies florais contidas naquele bioma. Se essas abelhas não estiverem presentes nesse bioma, ele estará fadado a extinção, pois suas plantas serão como múmias que não se reproduzem!

Outra conclusão que se obtém dessa pesquisa, e que a AME-RIO também vem batendo na tecla por muito tempo, é que não se deve projetar meliponários baseados em estatísticas de distâncias de alcance de vôo atingidos por cada espécie de abelha nativa. Abelha não desperdiça energia voando 1km, 2 km, 3 km de distância para trazer alimento para casa. Ela quer uma padaria na esquina, o supermercado no próximo quarteirão. Ela não vai gastar combustível para fazer compras em outro bairro!

Então quem quer produção respeite o limite do bom senso, e prepare um pasto melífero na borda do seu meliponário! E quem quiser um pomar farto, providencie caixas de abelhas sem ferrão espalhadas pela plantação!

As abelhas sem ferrão não só fazem o melhor e mais saboroso mel, mas também prepara as melhores frutas e e os maiores grãos de sua mesa! Então ...

Bon appétit, avec la petite abeille!   

Medina