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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Projeto Uruçu Amarela

Amigos,

Esta semana eu tirei para mostrar algumas de minhas abelhas e já que estou com a mão na massa, vou mostrar uma colônia de uruçus amarelas, fruto de uma divisão feita há pouco menos de 10 meses.
Esta é uma foto do ninho dia 12/02/2010
Ninho aberto
Discos para nova colônia
Isso é o que sobrou da colônia mãe.

O tempo passou.....

Colônia filha dia 03/12/2010
Invólucro aberto, os discos parecem bem.
Mas vendo de cima, estou achando a postura um pouco irregular
Invólucro fechado, na próxima revisão vamos examinar melhor.

....

Caixa mãe, no dia 04/12/2010, quase dez meses depois.
Bastante mel
O ninho, parece estar bem recuperado.
Invólucro aberto, vai dar para dividir de novo.
O disco de tão grande ficou quadrado.
Essa caixa é um pouco mais larga.
Bastante cerume para elas construirem o invólucro e a isca para forídeos.
Caixa no lugar
Agora só alimentar amanhã e examinar daqui a uma semana!
Ah, se alguém perguntar o que é aquilo preto, em cima da caixa, é um saco plástico preto, tem um vidro em cima da caixa, para observação e pode passar um pouco de claridade pela lateral do vidro.

Bem estas foram as ganhadoras, mas para não cantar apenas as vitórias, a outra caixa que recebi do projeto não deu certo, dividi no dia 04/01/2010, a nova colonia parecia estar se desenvolvendo muito bem, a postura iniciou rápido, apenas os discos eram pequenos, em compensação eram muitos, achei que o problema é que estava abrindo demais e resolvi deixá-las se desenvolver por conta, com 3 meses começou a dar prá trás e como eu demorei para abrir o invólucro, quando o fiz, já não tinha mais rainha nem postura, juntei as abelhas que sobraram com a caixa filha da outra divisão e guardei alguns ensinamentos, não perturbe as abelhas a toda hora, mas examine no mínimo uma vez por mês, as caixas em desenvolvimento.

Eu disse que a outra caixa não tinha dado certo? Ela até que se recuperou bem da divisão e no final do inverno estava muito forte, achei que poderia fazer uma nova divisão em outubro. Mas realmente essa caixa era azarada, um final de semana, depois de duas semanas que eu não visitava as abelhas, quando cheguei notei que a tampa lateral estava semi aberta, ao examinar vi que os parafusos da tranca tinham saltado, pois a madeira da caixa apodreceu, com a porta semi aberta, não sei como as formigas acabaram entrando e quando abri a caixa, só tinha abelha morta e formigas vivas. A quantidade de abelhas mortas era muito grande, parecia terem sido envenenadas, mas como tinha muita formiga viva, acho que não foi veneno não.

Uga

José Halley Winckler

terça-feira, 30 de novembro de 2010

RITA, O SEU ENXAME DE SCUTELLARIS, COM 8 DIAS, JÁ ESTA COM DISCO DE POSTURA

Abenautas e Associados da AME-RIO,

Fico feliz de poder dizer que todos os enxames feitos pelos nossos alunos, apresentaram discos de postura com menos de 10 dias.
Este enxame da foto foi realizado domingo passado, feito pela Rita Mello, cujas fotos já foram postadas nesse blog.
Hoje, 8 dias passados, já lá se vê um belo e pequeno disco de postura.
Tambem é notável a recuperação da caixa-mãe, até os potes de mel que foram esvasiados e encheram 2 vidros de 200 ml, ja estão novamente cheios, e o enxame mãe não foi alimentado, só lhe foi dado 2 armadilhas contra forídeos.
Dizem que o professor é sistematico, mas os resultados são excelentes e é o que mais importa.
A caixa inteligente, muitos a criticam por não a usar, nem a conhecer, mas eu mostro o quanto é prática, portanto os iniciantes tratem de aprender meliponicultura e usem a caixa, realmente, não é a caixa inpa, que mesmo que não entendendo as vezes dá certo. Já a caixa inteligente é excelente pra quem é melipolinicultor.
Vejam: nós toda hora mostramos o mel sendo retirado etc, etc, não vejo por aí tanta facilidade....

Pedro Paulo Peixoto
Presidente da AME-RIO




segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Austroplebeia australis

A abelha sem ferrão Austroplebeia australis é exclusivamente australiana e habita desde a costa mais ao norte da Austrália, até bem abaixo no interior de New South Wales. Mais perto da costa a Trigona domina, e elas se sobrepõem, mas no árido interior ela reina suprema. Parece capaz de viver em áreas muito secas e de extremas temperaturas, mas não parece regular a temperatura dos seus ninhos. Muitas vezes escolhe árvores muito pequenas e, aos nossos olhos, de péssima qualidade para construí-los, no entanto ela sobrevive a temperaturas abaixo de 0º C e acima de 40º C. Ela não trabalha se a temperatura estiver abaixo de 20º C ou se estiver ventando muito, ou se o tempo estiver para chuvas. Mais importante, se não houver uma boa fonte de néctar ou pólen ao alcance não vai gastar energia procurando. Ele parece saber quando as plantas são dignas de trabalho em suas áreas e nesses momentos trabalha muito duro. Em outros momentos, pode ser difícil de se ver mais do que uma abelha ocasional deixando a entrada. É muito seletiva nas plantas em que busca o néctar e o pólen. Elas são muito diferentes de nossas Trigonas no comportamento, fascinantes de observar, bem características. Eles são muito tímidas e quando olham para fora da sua entrada discreta e vêem alguém, voltam para dentro. Este estilo de vida permite que individualmente as abelhas Austroplebeia australis vivam em média 6 meses, muito mais do que as nossas Trigonas.
Elas têm a prática incomum de fechar a sua entrada a cada noite com uma parede de resina. Não é sólido, mas é feito de partes que permite a passagem do ar. Na parte da manhã a medida que o dia esquenta, elas gradualmente abrem a entrada e armazenam o material utilizado para a porta na parede do seu tubo de entrada. Em um dia frio ou úmido o tubo permanece fechado.


TRANSFERÊNCIA DE COLÔNIA
Segue uma descrição da transferência de uma colônia de Austroplebeia de um tronco oco resgatado de um local de desmatamento em um dos muitos projetos de caixas utilizadas aqui. Depois, há algumas fotos de uma caixa muito diferente e inusitada que permite que a colônia seja dividida verticalmente. Serve muito bem a essas abelhas, a sua estrutura de ninhada é muito imprevisível.
Esta é a colônia no tronco oco. Vocês podem ver pelo tamanho das mãos, que é muito longo e fino, talvez sete centímetros de diâmetro no interior da cavidade e 1,2 m de comprimento. Como havia poucos depósitos de mel com a colônia, esta é provavelmente apenas uma parte da colônia. O resto pode ter sido perdido no resgate ou foi decidido não trazer os depósitos de mel. Eu já os vi com mais de 2,5 m de comprimento em toras com depressões estreitas.
A foto acima mostra a estrutura do ninho da Austroplebeia australis e como ele estava no tronco, bem menor que a média, por sinal. Quando transfiro essas colônias para uma caixa, sempre uso uma lona ou um pano, de modo que tenho uma boa chance de encontrar a rainha. A rainha é muito difícil e pode se esconder em seu próprio ninho em rachaduras dos troncos ou deixar o ninho junto com as outras. A procura também é feita por rainhas virgens para aumentar as chances de sucesso. Nós encontramos a rainha, nesta transferência, ela estava se escondendo em uma fenda no tronco.
Acima vemos algumas áreas de depósito, principalmente de pólen no presente caso. Cada célula tem apenas um centímetro de diâmetro. O mel é o de melhor qualidade de todas as nossas abelhas sem ferrão e pode ficar muito próximo do mel de Apis em suas características,  mesmo na densidade, o que é incomum para as abelhas sem ferrão. Talvez isso se deva à escolha do local para o ninho. Eles estão freqüentemente localizados em troncos secos de árvores, muito longos e em áreas muito secas o que torna a atmosfera muito seca.Talvez o ar quente subindo através dos galhos ocos faça secar o mel? Parece que as abelhas escolheram construir seu ninho em seu próprio desumidificador. Se A australis estiver forrageando na mesma árvore que as Apis forrageiam, como o “Yellow Box (Eucalyptus melliodora)”, que dá origem a um de nossos melhores méis, o mel resultante pode ser quase indistinguível do de Apis fisicamente mas, ainda têm aquele algo especial que apenas o mel das abelhas sem ferrão podem proporcionar. De todas as nossas abelhas sem ferrão a Austroplebeia é a que usa menos resina em suas construções, por isso a fonte da resina tem um efeito mínimo sobre o sabor do mel. Devido ao pequeno tamanho de cada célula, seria muito lento fazer a colheita através de métodos de sucção e ainda estamos a testando esse método aqui na Austrália. As células de mel freqüentemente se desenvolvem de uma forma que ficam grudadas ao exterior das células mais antigas, mas são muito frágeis quando novas.
Agora vemos o ninho sendo removido gentilmente do tronco aberto. O tronco havia sido previamente cortado com uma serra circular (e parece que as partes foram fechadas novamente) antes da demonstração de modo que somente um trabalho simples de corte foi feito durante a demonstração. Pela primeira vez eu estava observando e fui capaz de tirar fotos sem mel e resina em meus dedos e na CÂMERA.
Esta é uma foto posterior da colônia transferida para uma caixa, com um painel de inspeção. A foto foi tirada através do painel “transparente” e eu fui incapaz de evitar os reflexos. O ninho foi colocado na base de uma caixa cúbica, que tem  cerca de 15 centímetros de lado e de altura, junto com as melhores pedaços dos depósitos de mel e pólen. Há um telado no fundo para ajudar as abelhas se ocorrer algum derramamento de mel na transferência ou mais tarde em caso de um colapso da colônia pelo calor ou falha estrutural.

DIVISÃO DE COLÔNIA
A próxima parte da demonstração foi uma divisão de uma colônia da abelha em um tipo muito diferente de caixa. Esta caixa foi desenvolvida por um dos meliponicultor aqui do sudeste de Queensland, chamado Alan Waters, e é bastante engenhosa. Eu acho que funciona muito bem para a estrutura de ninhos que é mais comum com esta abelha, provavelmente o melhor desenho de nossas caixas, que eu já vi.
Acima visualizamos a colméia vazia e a estrutura interna de apoio da colônia e que torna a sua divisão previsível e segura.
Aqui já vemos uma colônia bem estabelecida no espaço disponível, onde  a área de crias se desenvolveu em forma de bola. Quando a caixa foi "dividida" a maior parte ficou em um dos lados, depósitos de mel e pólen podem ser vistos em torno das bordas e cantos do ninho.
Enquanto observava a menor parte da colônia, tentando avaliar se tinha alguma célula real e se tinha prole suficiente para garantir seu sucesso, tive a sorte de avistar a rainha. Mesmo que essa parte tenha menos crias, tem a rainha assim tudo vai ficar bem.
O próximo passo é adicionar novas metades vazias à cada uma das seções divididas da colônia. As duas seções são unidas quando a tampa é fechada com os parafusos, depois as barras de metal são fixadas nas laterais garantindo a junção correta das partes. Os painéis de inspeção também são divididos em duas metades. Este projeto de caixa necessita de boa precisão em sua construção de modo que as duas metades se encaixem muito bem entre si e de forma segura, para impedir a entrada das nossas duas principais pragas, moscas Syrphidae e é claro forídeos. Este último normalmente entra através da entrada de colméias enfraquecidas ou perturbadas, mas os sirfídeos são uma preocupação especial nesta fase. Estas moscas colocam seus ovos na parte externa da caixa, em uma fenda. Os ovos eclodem e as larvas minúsculas fazem seu caminho para o ninho onde elas podem rapidamente destruir uma colônia, se as abelhas não os detectarem rapidamente. A defesa contra eles é muito difícil. A junção bem apertada e selada é o melhor caminho.
Um comentário final sobre essa abelha é que a maioria das pessoas que as mantêm supõe que têm uma pequena colônia e só precisam de uma pequena caixa. Os registros históricos mostram que estas abelhas foram encontrados pelos primeiros colonizadores, com grandes quantidades de mel, eu os vi com estruturas de ninho muito grande, muitas vezes maiores que os exemplos mostrados nestas fotos. Devido à qualidade do mel, é a abelha que eu mais gostaria de usar para produzir o mel, mas é preciso haver uma forma de incentivar uma massa consistente de crias, visando conseguir uma grande quantidade de forrageadoras para produzir todo o rendimento de mel de que são capazes. Talvez seja genética e seleção para essa característica, talvez seja o projeto da caixa. Eu duvido que nós possamos produzir boas colheitas de mel com uma colônia em uma pequena caixa. Temos muito para aprender, tanta coisa para aprender. Eu tenho um amigo em Tara, com 450 colônias dessas abelhas, e pela primeira vez, ele levou algumas colônias para fora, para uma área onde duas boas espécies de eucalipto estavam florescendo. As espécies eram Tumbledown e Red River. Ambas produzem um bom suprimento de pólen e grande quantidade de néctar. As abelhas poderiam ser colocadas junto das árvores, portanto, não precisariam voar para longe. Vamos ver como elas vão se comportar. Foi um ano muito ruim para o sudeste de Queensland para o pólen nesta temporada por causa dos eventos de chuvas muito freqüentes. Isto está fazendo com que todas as operações das abelhas sem ferrão fiquem mais difícil do que o habitual, mas esperamos que esta primeira tentativa de mudar as abelhas para uma fonte de mel, como as Apis, mostrará se isso pode ser feito.

Bob the Beeman

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O ÚLTIMO MOICANO A RECEBER MANDAÇAIAS

Perdoem o título, mas gostei da relação destes lutadores indomáveis, com a turma que lutou com o nosso estenuante curso de capacitação da AME-RIO.
O Dr. Sergio Magarão é médico peumologista e hábil cirurgião, sem dúvida a acuidade visual e a precisão de movimentos seccionando os escalpos do invólucro, me deixam sempre a certeza que decorrem das suas inúmeras cirurgias.
As fotos seqüenciais, falam por sí, servirão aos iniciantes, e aos veteranos também, para comprovarem a eficiência de se fazer divisões sob rígidas regras tradicionais. Aqui adotou-se discos de um enxame e campeiras de outro, ambos nas fotos.
Vamos aguardar o novo exame gerado pelo amigo Dr. Sérgio, o último associado candidato a receber duas colméias do projeto mandaçaias da AME-RIO.

Pedro Paulo Peixoto
Presidente da AME-RIO







domingo, 21 de novembro de 2010

RITA, DE TERESÓPOLIS ENFRENTA DIVISÃO DE SCUTELLARIS VALENDO DIPLOMA

Hoje tive o prazer de receber a  Rita,  abenauta e associada da AME-RIO, para fazer a divisão de um enorme exame de scutellaris, em caixa inteligente de 20x20x30. O novo enxame será abrigado numa caixa igual, sendo que nesta será usado a melgueira interna (amovível, vide foto), para alimentos e armadilhas. Vejam.

A Rita ficou muito conhecida no grupo ABENA, quando pediu socorro, com todas as letras e ansiedades de alguem que não quer perder sua adorada e primeira jataí. Agora ela já esta diferente, já é uma meliponicultora experiente, sabe o que faz. Habilitou-se até a concluir o curso de capacitação da AME-RIO e ter o direito de levar duas colméias da AME-RIO, pelo pojeto mandaçaia.

Foi a etapa final, quando  o associado é observado em todos os detalhes de uma divisão problemática, enxame fortissimo, potes de mel e pólem atrapalhando, abelhas invasoras atormentando, forídeos também. Enfim se conseguir fazer tudo certinho e tivermos um novo enxame com rainha fisogástrica, estará diplomada, e com aval para receber merecidamente as duas madaçaias da AME-RIO.

Não foi só sua habilidade, nem os 3 vidros de mel que colheu, nem os discos de mais de 600 células cada, nem o tamanho do ninho de 30 cm, mas uma coisa me SURPREENDEU: encontramos 4 discos de postura , DOIS EM CIMA NO TETO , VIDE FOTO, E OUTROS 2 EMBAIXO, Afastados por mais de 6 discos, na verdade  muito difícil de acreditar que possa haver  duas rainhas num mesmo enxame de scutrellaris ou  uma só rainha que consegue fazer esta maratona, ovopositar em 4 discos, 2 no teto e outros 2 embaixo, simultaneamente.

Parabéns Rita e obrigado pelas fotos,

Pedro Paulo Peixoto
Presidente da AME-RIO