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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um encontro Inesquecível

Pessoal,

Estava de plantão a trabalho, quando vi o Professor Paulo Nogueira Neto saindo do Hotel Sofitel , em Capacabana.


Corri e me apresentei como participante da AME-RIO e pedi para fazer algumas fotos. Ele me perguntou que abelhas eu criava, quando respondi que criava Mandaçaias, Uruçu amarelas e Jataís, ele então retrucou que as uruçus estão em extinção no Brasil.

Pena que ele precisava  ir para o aeroporto e não pude conversar com ele por mais tempo. Mas foi muito bom apertar a mão de um ícone da meliponicultura e da proteção ambiental e conhecê-lo pessoalmente.

Carlos Ivan/ RJ

Instalação do Meliponário do Parque Chico Mendes

Amigos da AME-RIO,


Hoje eu  vou contar alguma coisa, de como se deu a instalação das primeiras colônias do Meliponário no Parque Chico Mendes. 


Depois daquela primeira visita, que descrevi na postagem anterior, mantivemos contatos constantes com a Coordenação do Mosaico de Áreas Protegidas do Rio de Janeiro e no dia 4 de junho de 2012 a AME-RIO recebeu o sinal verde do Mosaico Carioca, para a efetivação de nosso acordo com os parques. No dia 7 de junho, enviamos nossa proposta formal de Parceria com o PNM Chico Mendes e também com o PNM de Marapendi.

A partir daí, passamos a conviver com a ansiedade da Maíra, que queria ver as abelhas instaladas nos parques o mais rápido possível. Mas ela entendeu quando expliquei que trabalhar com abelhas, não é o mesmo que pegar um cachorrinho numa loja PET e levar para casa na mesma hora, era preciso ter os suportes preparados para receber as colônias, as colônias teriam que ser escolhidas e revisadas, para termos certeza que estaríamos trazendo colônias viáveis e que vão se desenvolver bem no novo ambiente. Marcamos o dia 12 para instalação dos novos meliponários, por ser um dia livre para o Christiano Figueira, que estava nos apoiando.

O Mosaico Carioca e os parques ficaram de instalar os suportes, com isso a AME-RIO só traria as colônias. As abelhas viriam de um meliponário que mantenho em Rio Claro - RJ e fiquei de ir até lá no final de semana, escolher meia dúzia de colônias de mandaçaias (três para cada parque) e trazer para o Rio de Janeiro. Infelizmente esfriou e choveu o final de semana inteiro e eu não consegui cumprir o prometido, mas segunda feira o dia abriu com um sol maravilhoso e uma temperatura bastante amena, com isso eu resolvi  encarar a viagem de 160 km, na tarde de segunda, escolher as abelhas, fechar as colônias no inicio da noite e voltar para o Rio com as abelhas.

Bem, eu fui, mas não tinha andado nem 80 km, quando o tempo começou a fechar, iniciou uma ventania e cheguei ao meu meliponário debaixo de uma chuva forte. Esperei que passasse para poder fazer uma revisão nas abelhas, mas isso não ocorreu e acabei escolhendo 6 caixas que lembrava estarem boas. Casa de ferreiro espeto de pau, se eu mantivesse um histórico completo das colônias, teria certeza do que estava trazendo, mas infelizmente a gente incentiva os outros a fazerem isso e, em casa, acaba não executando as práticas que aconselhamos. De qualquer forma, fechei as caixas ao escurecer, embalei da forma que deu, coloquei dentro carro e voltei para o Rio de Janeiro.

Dia 12 amanheceu chovendo e por causa da chuva dos últimos dias e outros compromissos, os suportes não ficaram prontos, o Christiano também teve um contratempo e teve que trabalhar, com isso remarcamos para instalar no dia 13. No dia 13 também ainda não tínhamos suportes, mas conseguimos combinar com o Antonielli, da SMAC (Secretaria do Meio Ambiente) do Rio de Janeiro, de ir até uma madeireira e comprar  moirões de eucalipto tratado para fazer os suportes, marcamos para a tarde, mas quando chegamos na madeireira escolhida não tinha os moirões, fomos em outra tinha mas não para pronta entrega, procuramos uma terceira e foi a mesma coisa, eu já estava vendo que iria anoitecer e a gente não conseguiria instalar, então eu pedi para o Antonelli comprar caibros de 5x5cm para fazermos suportes provisórios, senão as abelhas iriam dormir dentro do carro pela terceira vez. Fizemos isso e fomos para o PNM Chico Mendes, chegamos lá por volta das 16 hs e ainda fomos instalar os suporte.

Meliponicultor Christiano e o Antonelli , instalando o primeiro suporte.

Christiano, cavando para instalação do segundo suporte.

Contando com ajuda do Dário, vizinho do Christiano, que estava nos ajudando.

Dário e Christiano amarrando a cobertura da primeira caixa.


Segunda caixa instalada.

Terceira caixa instalada e os biólogos Uily e Bruno, do PNM Chico Mendes

Depois disso saímos correndo para o Parque Natural de Marapendi, pois já estava passando da hora de fechar os parques e ainda precisávamos instalar as abelhas de lá. Mas isso já é outra história e vai merecer outra postagem.

A fotografia anterior não é do dia da instalação, já é do dia 15, quando fui revisar e alimentar as abelhas. Nessa revisão descobri que, das colônias instaladas no PNM Chico Mendes, uma estava bastante forte (Caixa azul - segunda caixa instalada), outra era uma colônia bem desenvolvida (terceira caixa instalada) e a outra vai exigir alguns cuidados maiores, pois a população de abelhas está pequena.

Biólogo Bruno, com pessoal de apoio, que também quis conhecer as abelhas.

Também resolvi aparecer em uma foto, ao lado da colônia mais forte e do pessoal de apoio.

No dia 19, quando fiz essas duas últimas fotos, eu alimentei as abelhas e aproveitei para trocar de posição a caixa mais forte, com a caixa mais fraca, de forma a liberar um número maior de campeiras para essa última, agora é acompanhar de perto.

Nunca tive nenhum problema ao fazer a troca de lugar com as minhas abelhas, mas no meu meliponário as abelhas ficam bastante próximas uma das outras, cerca de 20cm, como pode ser observado na próxima foto, com isso acho que elas já formaram um comunidade, não tendo problemas de uma abelha entrar na caixa de outra colônia. Como as do PNM Chico Mendes vieram de lá, acho que não vamos ter problemas.

Bateria de caixas do meliponário em Rio Claro

Na foto acima eu mostro uma das minhas baterias de caixas, já desfalcada de duas das colônias que eu trouxe para os parques. No meu meliponário, eu não amarro as coberturas, uma pedra é suficiente para as lajotas não voarem com um vento mais forte, mas nos parques é preciso amarrar, para que as crianças ou curiosos não retirem as coberturas.

Agora a próxima etapa, para aumentar a quantidade de abelhas no meliponário do parque é preparar iscas, de forma a capturar abelhas nessa próxima primavera. Também estamos aceitando doações ou empréstimo de colônias de abelhas sem ferrão para diversificar o meliponário do parque. Se alguém quiser nos ajudar, por favor, entre em contato.

Bem, por hoje é só, outra hora faço uma postagem mostrando a instalação do meliponáro no PNM de Marapendi.

UGA,

José Halley Winckler

quarta-feira, 20 de junho de 2012

AME-RIO está presente na Rio+20

Prezados(as) associados (as),

É com muita alegria que anunciamos a participação da AME-RIO no evento mais importante da cidade: a RIO+20.

A nossa presença foi garantida através do convite feito pelo Waldir Ribeiro, biólogo e responsável pela Oficina Vida de Inseto do Museu da Vida da Fiocruz, que muito se sensibilizou com a vida das abelhas nativas sem ferrão durante os nossos encontros e conversações sobre o tema. Agradecemos a atenção do Waldir Ribeiro e extendemos esse agradecimento também a Dra. Luisa Massarani, Diretora do Museu da Vida da Fiocruz,

A Fiocruz, como expositora participante da Rio+20, mantém dois estandes localizados no Armazém nº 4, do Pier Mauá, sendo um deles o Museu da Vida, no qual a AME-RIO expõe seu material de divulgação constituído de dois banners e que foram preparados com todo carinho pelo associado Medina e sua espôsa Sandra.


A esposição da Fiocruz na Rio+20 vai até o dia 22/06/2012 e se encerra às 18h. A entrada é livre.


Venham e prestigiem a Rio+20.
Tragam seus familiares, amigos e convidados.
Não percam essa oportunidade.

Andreas Z. Dako
Presidente da AME-RIO

Parceria com Parques do Rio de Janeiro.

Associados da AME-RIO e Internautas,

Eu ando um pouco desaparecido do site da AME-RIO, mas é que estava tentando trabalhar nos bastidores, fomentando parcerias de nossa associação com os parques naturais da cidade do Rio de Janeiro.

Depois das parcerias com o Parque Estadual da Pedra Branca e com o Parque Nacional da Floresta da Tijuca, agora a AME-RIO está iniciando uma parceria direta com o Mosaico Carioca de Áreas Protegidas e através dele com os diversos parques da cidade do Rio de Janeiro.  Um dos principais projetos do Mosaico Carioca é o Projeto Corredores Verdes que visa criar ligações entre os remanescentes florestais da cidade do Rio de Janeiro.


Os remanescentes florestais de nossa cidade  hoje encontram-se isolados por uma densa malha urbana. Esse isolamento tem implicações negativas tanto para a conservação da biodiversidade quanto para a qualidade de vida urbana. A fragmentação da cobertura florestal e o isolamento das comunidades de plantas e animais são consideradas graves ameaças à conservação da biodiversidade. 

Há cerca de um mês, no dia 18 de maio, fui convidado pelo Celso Junius, engenheiro florestal da SMAC - Secretaria Municipal do Meio Ambiente,  principal gestor do Mosaico Carioca e responsável pelo projeto de Corredores Verdes a conhecer o projeto do corredor que ligará os parques de Marapendi e Chico Mendes, projeto piloto a ser implantado. Junto comigo foi o Christiano Figueira, sócio e colaborador da AME-RIO e responsável pelos projetos de meliponicultura do Parque Estadual da Pedra Branca.

Também nos acompanhou a Maíra Mourão, bióloga e auxiliar do Celso Junius no Mosaico Carioca. O primeiro parque que visitamos foi o de Marapendi.


Quem nos recebeu no Parque Natural Municipal do Marapendi foi a Priscila, que é a secretária do Abílio Fernandes, Gestor do Parque.

Christiano, Winckler e Priscila.


Maíra e Christiano, enquanto aguardávamos para ser atendidos pelo gestor do Parque.

O Abilio nos atendeu rapidamente e nos disse que interessava muito ao Parque de Marapendi a utilização de abelhas sem ferrão, principalmente para a prática de Educação Ambiental, que é uma das principais atividades do Parque. Também nos incentivou a fazer um passeio pelo parque, para que pudéssemos indicar áreas onde seria interessante instalar um meliponário.





Depois do passeio no Parque Natural de Marapendi, eu, Maíra e Christiano nos deslocamos para o Parque Natural Municipal Chico Mendes, que fica a cerca de 3 ou 4 km de distância e também prima pela educação ambiental e preservação da fauna e flora local.


Lá, nós fomos recebidos pela gestora do Parque Natural Municipal Chico Mendes , a bióloga Denise Monsores, ela estava às voltas com os preparativos para o evento de aniversário do parque, que no outro dia iria comemorar 23 anos. Mesmo assim, ela nos apresentou maquete do corredor verde que irá ligar o Chico Mendes ao Marapendi e nos disse, também, do seu interesse em implantar um meliponário para utilizar nas atividades de educação ambiental.


Depois disso a Denise nos apresentou o Uily e a Ana, biólogos que iriam nos acompanhar na visita às dependências do parque, para que pudéssemos indicar possíveis locais para a implantação de um meliponário.

Winckler, Uily, Ana e Christiano


O Uily e a Ana também nos mostraram alguns animais que eles mantem no laboratório do Parque ChicoMendes, onde estão sendo tratados.

Jacaré

Jibóia

Coruja

Uily mostra à Maíra, imagens de animais em seu celular, enquanto a Ana observa.

Nos dias posteriores a essas visitas mantivemos contato constante com o Mosaico Carioca, através da Maíra e do Celso Junius e costuramos a parceria, pela qual a AME-RIO se compromete a instalar um meliponário inicial com três colônias de Mandaçaias (Melipona quadrifasciata) nos parques de Marapendi e Chico Mendes e também a ajudar os biólogos de cada um desses parques, na tentativa de captura de outras abelhas, com a utilização de ninhos iscas.

Na semana passada formalizamos nossa proposta de parceria com os dois parques. 

Hoje as mandaçaias já estão instaladas, mas isso já é outra história e fica para uma próxima postagem.

UGA

José Halley Winckler.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Mirei em uma abelha e acertei no IBAMA

Vasculhando a internet acabei me deparando com o texto abaixo, em uma página do IBAMA do ES.

A informação e a lógica utilizada no texto deixa claro o quanto o conhecimento sobre as abelhas sem ferrão precisa ser difundido . Mas um conhecimento bem fundamentado e correto, para isso devemos investir nas crianças, para que elas cresçam sem vícios, inclusive, vícios culturais.

Nos meandres da informática, uma informação divulgada dificilmente pode ser totalmente retirada.
O interessante é que dependendo como seja feita a busca, o texto abaixo pode aparecer como está ou em uma versão corrigida sem o trecho grifado. Eu dei a sorte ou o azar de achar esta versão primeiro, em minha busca, e ficar admirado a ponto de fazer esta postagem. 


Quem entende um pouquinho de abelhas sem ferrão, pode perceber que a pessoa do IBAMA que fez essa postagem, não conhece nossas abelhas nativas sem ferrão e nem sabe que são centenas de espécies e não uma "toda preta".

Medina

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Vitória (10/07/08) - Na tarde de ontem, fiscais do Ibama de Vitória/ES foram até a exposição de animais domésticos e exóticos, realizada em um supermercado da cidade, e verificaram que não existia autorização do Ibama para a fauna silvestre exótica estar exposta no evento.
Os responsáveis pela exposição foram advertidos pelos fiscais que suspenderam a exposição da fauna exótica. Apenas os animais domésticos continuam no evento. Os analistas ambientais do órgão informaram que os responsáveis pela exposição já tinham sido notificados de que não poderiam expor os animais silvestres exóticos sem a devida autorização do Ibama. A criação comercial de animais silvestres exóticos é controlada pelo instituto, pois caso a população desses animais cresça desordenadamente o impacto ambiental pode ser gravíssimo. Alguns tipos de animais exóticos são predadores da fauna silvestre. Em outros casos, o cruzamento de duas espécies pode acabar com as espécies que o geraram, como por exemplo, a abelha encontrada comumente no Brasil, denominada africanizada. A abelha silvestre brasileira original é toda preta e não possui ferrão, a que encontramos hoje é denominada africanizada, pois é uma espécie híbrida. Há também a possibilidade do animal silvestre exótico se tornar portador de doenças e causar danos a vidas humanas. Por isso o Ibama controla toda criação comercial de fauna silvestre exótica e exposição desses animais. Caso a fauna silvestre exótica seja exposta sem a devida documentação, os animais serão apreendidos e os responsáveis multados. Apenas animais considerados domésticos podem ser expostos e comercializados sem a autorização do órgão.
  Luciana Carvalho Ascom Ibama/ES

Abelhas sem ferrão podem proteger Mata Atlântica


Polinizadoras das árvores mais altas, elas ajudariam a conectar fragmentos florestais
Por: Isabel Levy
Publicado em 09/09/2004 | Atualizado em 09/10/2009

       

Pequenas abelhas sem ferrão podem ter papel estratégico na reconstituição de florestas tropicais e preservação da natureza. É o que indica um estudo de Mauro Ramalho, professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em trabalho de campo realizado em dois anos no Parque Estadual da Cantareira, em São Paulo, o pesquisador constatou a predominância desses insetos na copa das árvores mais altas e antigas da Mata Atlântica e seu papel fundamental para a auto-regeneração da floresta primária.
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As abelhas jataí ( Tetragonisca angustula ) são uma das espécies de meliponíneos avaliadas no estudo
Nativas das florestas tropicais úmidas e outros ambientes das Américas, as abelhas sociais sem ferrão do grupo dos meliponíneos já eram observadas e cultivadas pelos maias e por diversos povos indígenas por produzirem mel e outros produtos em grandes quantidades. Hoje, representam cerca de 70% das abelhas em atividade nas flores da Mata Atlântica e são o principal grupo polinizador das árvores do estrato superior da floresta.
O objetivo do estudo era entender a preferência dos meliponíneos pelas árvores mais altas e o efeito de sua concentração nessa área da floresta. Para isso, o pesquisador coletou espécimes em diferentes estratos e observou a concentração maciça de flores nas árvores.
As abelhas foram recolhidas durante o dia, em períodos que variavam entre 5 e 60 minutos, de acordo com a extensão da superfície em que as flores estavam distribuídas. Em superfícies floridas com menos de 2 m², por exemplo, a coleta durou cinco minutos; nas superiores a 9m², uma hora.
null Ramalho concluiu que a concentração de abelhas sem ferrão na copa das árvores mais altas e antigas está ligada à procura de pólen e néctar. Por viverem em colônias numerosas, essas abelhas precisam de muito alimento e coletam essas substâncias em grandes quantidades o ano inteiro. São por isso atraídas pela grande oferta de flores do estrato superior da floresta tropical.
No transporte diário de pólen, realizam um processo de fertilização cruzada, que resulta num maior número de sementes e em flores e frutos de melhor qualidade. Reforçam, assim, a reprodução das flores e contribuem para a auto-regeneração das florestas. "O que ocorre entre os meliponíneos e as árvores do dossel da Mata Atlântica é uma relação de mutualismo não simbiótica, em que ambas as espécies se beneficiam, embora possam viver de maneira independente", explica o professor.
De um lado, as numerosas flores dessas árvores são para as abelhas uma rica fonte de matéria-prima para o mel e um grande estoque de alimento. Em troca, os insetos intensificam a polinização das flores e as multiplicam. Com isso, asseguram a perpetuação das árvores do estrato superior da floresta.
Ramalho conclui que, devido ao papel ecológico que desempenham, os meliponíneos podem ser úteis num projeto de preservação ambiental. "Parte significativa da Mata Atlântica já foi destruída para dar lugar a grandes centros urbanos", afirma. "As abelhas polinizadoras poderiam ajudar no reflorestamento conectando os fragmentos remanescentes da floresta tropical."

O estudo de Mauro Ramalho foi publicado na revista
Acta Botanica Brasilica .
Isabel Levy
Ciência Hoje On-line
09/09/04

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Reunião da AME-RIO em Santa Cruz da Serra - RJ

Amigos da AME-RIO e Internautas,

Como vocês já sabiam, no sábado passado, 21/05/2012, a AME-RIO realizou sua reunião mensal, na casa do Sr. Alcides Carlos de Paiva, mais conhecido como Carlinhos, um dos fundadores de nossa associação e um meliponicultor de mão cheia.

Carlinhos e Winckler


Rua dos Coqueiros, logo na chegada descobri que não poderíamos ter escolhido local melhor, a diversidade de espécies é enorme e não só abelhas, mas pasto meliponícola também.


Fiquei até pensando que estava entrando em uma floresta. E enquanto aguardávamos a chegada de mais sócios, o  pessoal conversava e observava as abelhas e plantas que o Carlinhos tem em seu meliponário.


Logo na entrada o Carlinhos fez questão de nos mostrar uma caixa de abelhas Uruçus amarelas (Melipona rufiventris).


Algumas batidinhas leves na caixa, faz com que as abelhas se precipitem para fora, na tentativa de espantar alguém que está querendo invadir a caixa.


As abelhas formaram uma nuvem ao redor da caixa, depois aos poucos foram voltando para a caixa, mas eram tantas que não conseguiam entrar todas ao mesmo tempo, criando um engarrafamento de abelhas na entrada.


Eu aproveitei para fotografar as abelhas, mais de perto. Tem muita gente que diz que no Rio de Janeiro não tem a M rufiventris só a M Mondury. O Carlinhos nos apresentou como M rufiventris, abelhas amarelas, que tem as pernas e as antenas mais escuras, motivo pelo qual em alguns lugares é chamada de Pata Preta. Já a M mondory tem as extremidades mais claras.


O Carlinhos nos apresentou também  uma caixa com abelhas mandaçaias (Melipona quadrifasciata anthidiodes).


Logo formou um grupo ao redor, agora era engarrafamento de curiosos.


Tinha muita gente querendo fotografar.


Eu consegui a minha foto, era uma divisão recente, as tampinhas são utilizadas para oferecer alimentação, de vez em quando.


Depois deixei que os outros também observassem, mais de perto.


O Andreas se interessou por uma colônia de abelhas alojada em um gomo de bambu.


O Carlinhos fez questão de abrir a porta traseira e mostrar a colônia de mandaçaias.


E depois nos mostrou como cortar o bambu, para que a porta fique de forma que encaixe de forma correta e não tenha como cair para dentro do oco.


Nossa reunião foi iniciada formalmente com as palavras de nosso presidente, que agradeceu ao Carlinhos por ele ter aberto a sua casa para os nossos associados.


O Andreas também falou um pouco sobre o dia a dia da administração e dos projetos que sua diretoria está  tentando viabilizar. Informou, também, que está convocando uma Assembléia Geral Extraordinária (AGE), para o dia 16 de junho de 2012, para decidir sobre as sugestões apresentadas pelo Conselho Fiscal e que não puderam ser discutidas na ocasião por não constarem da pauta da última AGO.


Depois a reunião ficou por conta de nosso anfitrião, que nos mostrou o processo que ele usa para fazer suas divisões.


O Carlinhos sempre usa uma lâmina de cera alveolada para cobrir os discos de cria, utilizados para a divisão.


O Carlinhos também mostrou como ele faz as divisões, utilizando caixas com alças.


Demonstrou a utilização de separadores, que evitam que os potes de mel sejam rompidos, quando das divisões e também mostrou o túnel que ele utiliza, principalmente para abelhas de climas mais quentes, para que estejam preparadas para a temperatura externa, ao sair das caixas.


Nesse ponto, foi aberto para que a platéia fizesse perguntas diretamente ao Carlinhos, de forma que ele pudesse tirar as dúvidas de cada um.


Logo depois o Carlinhos trouxe uma caixa semelhante a que ele estava nos mostrando anteriormente, mas esta habitada por uma colônia de uruçus amarelas.



Ele fez questão de abrir o invólucro para mostrar o desenvolvimento da colônia.


Mesmo com a entrada do inverno, a colônia ainda tem discos de bom tamanho.


Depois o Carlinhos nos convidou para um novo passeio no meliponário, onde ele nos mostraria em mais detalhes as suas abelhas e a sua forma de manejo.


Espalhados pela propriedade existem vários estandes cobertos, com três prateleiras e com capacidade para  cerca de 30 caixas, atualmente nem todos estão completos, pois ele a toda hora vende abelhas.


Acima ele nos mostra uma caixa vertical com abertura pela parte de traz e com dobradiças no fundo, ele disse preferir que as dobradiças fiquem no fundo, para impedir que na abertura as abelhas mais novas saltem para chão, com esse tipo de abertura a maior parte delas fica na tampa.


Ele nos contou que essa é uma matriz que foi dividida há pouco tempo.





Entrada de uma Uruçu boca de renda (Melipona seminigra merrilae).


Não tenho certeza, mas parece ser uma colônia de guaraipos, no tronco ocado.


Detalhes da colônia.


Nessa prateleira podemos ver dois sapos de cerâmica, eles também contém colônias de abelhas.


Acima um outro sapo de cerâmica, contendo uma colônia de Iraís (Nannotrigona testaceicornis), o longo pito de entrada, faz parecer que o sapo está fumando um charuto.


Logo alguém localizou um pé de cacau (Theobroma cacao).


E lá foi o Carlinhos colher alguns frutos para nossos curiosos associados.



Encontramos também uma flor bastante estranha, mas muito interessante.


O nome dela é papo-de-peru ou Aristolochia gigantea, trepadeira originária da América do Sul.


Dizem que o chá de Cipó-mil-homens é diurético, sedativo, antisséptico, estomáquico e é empregado para caso de asma, febres, problemas gástricos, diarréia, gota, hidropisia, convulsões, epilepsia, flatulência e pruridos.


Mas com todas essas qualidades e mesmo sendo encontrada na casa de um meliponicultor, essa flor não é polinizada por abelhas e nem sei se elas a visitam. A flor exala um odor fétido, que atrai as moscas polinizadoras. Pode ser utilizadas em jardins, pois esse odor não é muito forte e só é sentido de perto.

Depois disso, fizemos a pausa para o almoço. A maioria dos sócios foi almoçar em um restaurante próximo, modesto, mas com uma comida muito gostosa.


A tarde, a primeira palestra foi da Júlia Galheigo que, como de costume, nos falou de sua especialidade, as plantas meliponícolas e escolheu falar sobre uma planta que nasceu por conta em seu quintal.


Ela nos apresentou uma planta chamada cabrera ou quitoco e em algumas regiões arnica, a Plucheia sagitalis, uma asterácea. Ela nos disse que essa planta, além de atrair várias espécies de abelhas, também é utilizada como um bioindicador de existência de metais pesados no solo.


A Plucheia sagitalis também é tem propriedades medicinais e é utilizada na medicina popular contra edema pulmonar, inflamação nos brônquios, catarro, distúrbio estomacal, gota, indigestão, desinteria e tosse.



O pessoal pediu e a Júlia voltou a falar do "ora-pró-nobis".



O nome científico dessa espécie é Pereskia aculeata. O ora-pro-nobis pertence a um gênero com dezenas de espécies bem parecidas, são cactáceas suculentas e normalmente com bastante espinhos.


Mas a Júlia nos disse que só o "ora-pró-nobis" verdadeiro ou Pereskia aculeata é comestível, as outras espécies embora bastante atrativas para as abelhas e outros insetos e até mesmo para os morcegos, não devem ter as folhas ingeridas pelos seres humanos, devido ao acumulo de algumas substâncias nocivas em suas folhas e flores.


Depois da Júlia eu fiz uma apresentação, falando de um Manual sobre manejo de abelhas, recém lançado pelo Instituto Sociedade População e Natureza.


Esse manual foi escrito pelo Jerônimo Villas Boas, biólogo e ecólogo especializado em biologia e manejo de abelhas sem ferrão e foi matéria de postagem anterior no nosso site.


Também fiz uma apresentação sobre uma abelha sem ferrão africana chamada Dactylurina, acima uma das fotos apresentadas, retiradas do Flickr. Não vou me estender nesse assunto, pois em breve pretendo fazer uma postagem só sobre elas.


No final o Carlinhos e seu filho nos levaram até o terreno ao lado, também de sua propriedade, onde o Carlinhos ajudou a Júlia a colher algumas sementes de taiuiá (Cayaponia tayuya), a Júlia vai fazer mudas e deverá distribuir algumas nas próximas reuniões.

Adauto, Carlos Ivan, Carlinhos, Júlia e Winckler.

E ainda fizemos o filho do Carlinhos tirar uma foto de seu pai, com alguns diretores da AME-RIO.


Antes de nos despedirmos, o Carlinhos ainda teve que nos ensinar a multiplicar a flor-de-maio, através das sementes de seus pequenos frutos.

Bem, depois de tudo isso, tivemos que dar uma folga para o Carlinhos, mas só saimos de lá, com a promessa de que ele vai nos ajudar nos cursos de capacitação.

Foi um dia muito prazeroso em que aprendi bastante. Muito obrigado, Carlinhos.

Um abraço a todos,

José Halley Winckler
Rio de Janeiro