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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Encontro com as Abelhas Nativas - 23/02/2013

Amigos da AME-RIO,

Como já tínhamos divulgado anteriormente, nesse mês de fevereiro, nossa reunião mensal foi no Parque Natural Municipal do Bosque da Barra, um dos parques onde mantemos um meliponário para divulgação das abelhas sem ferrão e apoio à Educação Ambiental.

Aproveitando a ocasião, combinamos com o Núcleo de Educação Ambiental do Bosque da Barra, transformar essa reunião em um evento aberto, com uma exposição de abelhas e degustação de méis de abelhas sem ferrão, sem deixar é claro de apresentarmos palestras para aumentar o conhecimento de nossos associados.

Bem não vou me alongar fazendo a descrição de como ocorreu o evento, as imagens, a seguir, retratam melhor o ocorrido.

UGA

José Halley Winckler

Nosso encontro foi aberto pela Dra. Eliana Zanini, bióloga e gestora do Parque Natural Municipal do Bosque da Barra.



A Eliana nos falou sobre o Parque do Bosque da Barra, desde a sua criação, como parque de recreação, até o momento atual em que o Parque foi transformado em um Parque de Preservação Natural da Flora e da Fauna.


Nos contou também que além de pesquisas científicas, o parque tem entre seus objetivos a oferta de Educação Ambiental para os visitantes. E ajudando nesse objetivo, o meliponário instalado em parceria com a AME-RIO, tem funcionado com um dos instrumentos para a Educação Ambiental.



Depois das palavras da Gestora, era hora de ouvirmos as palavras dpessoal do Núcleo de Educação Ambiental do Parque.


Eu tentei frisar a importância do apoio da Gestão e do Núcleo de Educação Ambiental do Bosque da Barra, na divulgação das abelhas nativas, aqui no Rio de Janeiro e apresentei o Felipe Zanini, que foi encarregado de fazer a apresentação das atividades e dos objetivos do Núcleo..





O Felipe nos mostrou a Borboleta da Praia, animal símbolo do Parque do Bosque da Barra e a Jarrinha, unica planta da qual a larva dessa borboleta se alimenta.


O Felipe também falou sobre o uso das abelhas na Educação Ambiental e nos mostrou algumas fotos de grupos de escolares aprendendo sobre as abelhas sem ferrão, em nosso meliponário. Ele falou sobre o entusiasmo das crianças, cada vez que uma caixa era aberta.


Depois da palestra do Felipe, foi a vez de chamarmos a  Maíra Mourão, representando o Mosaico Carioca de Áreas Protegidas e o Projeto Corredor Verde, que tem como objetivo o estabelecimento de corredores verdes, interligando as unidades de conservação e os demais fragmentos florestais nativos.


A Maíra nos contou das atividades do Projeto, principalmente da inclusão das Abelhas Nativas Sem Ferrão, como alternativa de polinização da vegetação das áreas recuperadas.




Depois de agradecermos as palavras da Maíra, chegou o momento de chamarmos o nosso presidente para nos contar um pouco dos seus planos para esse ano, se a gente não insiste, acho que ele ia continuar escondido atrás das caixas de abelhas, que o Medina trouxe para sua apresentação sobre manejo.


O Gesimar não quis se estender muito, mas nos falou da necessidade de continuar expandindo os meliponários, para outros parques da cidade, que já nesse próximo mês é possível que nosso projeto seja implantado também no Parque Natural Municipal do Bosque da Freguesia, em Jacarepaguá, e no Parque Estadual da Chacrinha, em Copacabana. Da implantação de um meliponário-escola e da representação da Meliponicultura, junto ao órgãos federais e estaduais, principalmente o Ministério da Agricultura e o Ibama, em Brasília.


Depois das palavras do presidente, a palavra foi passada para o Luiz Alberto Medina, o prof. Pardal da AME-RIO. 


O Medina se propôs a  mostrar ao pessoal como é uma caixa de abelhas por dentro e como é feita a multiplicação de colônias.






Enquanto nós assistíamos as palestras, quinze caixas de abelhas sem ferrão nos aguardavam, para a exposição prometida.



Foram duas Plebeias droryana (Mirins), três Tetragonisca angustula (Jataís), uma Plebéia remota (Mirim-guaçu), uma Plebeia nigriceps (Mirinzinha preta), duas Nannotrigona testaceicornis (Iraí), uma Melipona seminigra merrilae (Uruçú boca-de-renda), três Melipona scutellaris (Uruçú nordestina), uma Melipona rufiventris mondory (Uruçú amarela) e uma Melipona quadrifasciata (mandaçaia).


Ainda houve tempo de chamarmos o Rodrigo Marins, da Fiocruz, que veio nos mostrar como é o processo de pasteurização lenta, para desidratação de mel de abelhas sem ferrão, com fins de evitar a fermentação dos mesmos.


O Rodrigo deixou a apresentação conosco e breve faremos uma postagem mostrando detalhadamente o processo.



Depois da apresentação do Rodrigo, a palavra foi passada para a Patrícia Forrester e a Flavia Magalhães do Núcleo de Educação Ambiental do Bosque da Barra, que agradeceram a presença de todos e anunciaram que, a tarde, ainda teríamos a parte prática, com a abertura de todas as caixa para que os participantes pudessem observar melhor as abelhas, colheita de mel em algumas colonias do meliponário do Bosque da Barra, palestra da Julia Galheigo sobre plantas meliponículas e palestra do Christiano Figueira, sobre a importância das abelhas sem ferrão e a esperada degustação de mel das abelhas sem ferrão.
Depois disso passaram para o sorteio de diversos brindes oferecidos pelo NEA e também pela AME-RIO.


Após o sorteio dos brindes, o pessoal foi liberado para o almoço, a maioria tinha levado lanches e fizeram um ótimo piquenique coletivo, outros escolheram comer alguma coisa em restaurante próximos. Não temos fotos do piquenique, parece que nossos fotógrafos sucumbiram a fome e esqueceram a câmera. Enquanto isso alguns participantes aproveitaram para conhecer as abelhas. Ah, esquecemos de falar que todas as colônias estavam abertas e as abelhas estavam livres para conhecer as flores do Bosque da Barra.


Enquanto aguardávamos a volta dos participantes, convidamos o pessoal que já estava livre para fazer a colheita de um pouco de mel, no meliponário do Bosque da Barra, pois o  mesmo seria incluído na degustação.



A Claudia Magnanini, da Secretaria do Meio Ambiente e do Mosaico de Carioca, foi encarregada de fazer a coleta do mel. Observada de perto por vários participantes.



Depois da coleta de mel, voltamos ao auditório do Núcleo de Educação Ambiental, para assistir as palestras da tarde.


A primeira palestra foi da Julia Galheigo, sobre plantas meliponícolas.


Dessa vez ela resolveu nos falar sobre plantas de multiplicação espontânea, os famosos matinhos que encontramos nos mais diversos ambientes e que são extremamente procurados pelas abelhas.


Em cima da mesa podemos ver algumas mudas, que no final do evento foram sorteados entre os participantes.


Depois da palestra da Júlia, foi a vez do Christiano Figueira.


O Christiano nos mostrou que além de muito importantes para a polinização das plantas, elas também nos oferecem vários outros serviços.


Um dos serviços oferecidos pelas abelhas é a dispersão de sementes, não são muitos casos, mas existem plantas em que as abelhas sem ferrão auxiliam muito na dispersão de suas sementes. Enquanto o Christiano falava, na mesa estavam mudas das plantas que a Júlia apresentou, e mais a direita as 12 amostras de mel que seriam utilizadas na degustação.


O Christiano mostrou também alguns trabalhos que mostram que as abelhas sem ferrão tem relação direta na sobrevivência de algumas espécies de aves.


Depois da apresentação do Christiano nós fomos para a degustação de méis, com um mini-concurso de méis, informal.


As doze amostras foram distribuídas em duas mesas, sendo seis amostras em cada mesa. Foi colocada uma pipeta em cada amostra, para a coleta de mel do vidro e foram distribuídas colheres plásticas para todos os participantes.


Cada pessoa retirava o mel da amostra com a pipeta e passava para a sua colher, sem que a amostra fosse contaminada, já que só a pipeta tocava no mel. Todos podiam repetir quantas vezes quisessem, ir e voltar entre as amostras de mel até confirmar, qual entre os doze méis apresentados era o que mais lhe agradava ao paladar.


No final cada um escolheu o mel de sua preferência e depositou seu voto em um copinho que tinha ao lado da amostra de mel e os votos foram simplesmente contados.

Houve um empate no primeiro lugar, entre um mel de Uruçu verdadeira, vindo do Meliponário Rei da Mandaçaia, de Cruz das Almas na Bahia, do meliponicultor Marcio Pires e um mel de Jataís, vindo do meliponário do produtor Rafael Voronhuk, de Prudentópolis no Paraná, cada um desses méis teve 8 votos.

Por coincidência os dois méis com maior votação eram os únicos desidratados, sendo que o de Uruçus nordestina foi desidratado, na fonte, em equipamento comercial e o de Jataís foi desidratado por pasteurização lenta, aqui na Fiocruz, no processo que nos foi apresentado pelo Rodrigo.

Os méis não desidratados eram 9 e tiveram no total 30 votos, contra 16 dos desidratados, mas os votos foram distribuídos entre eles, sendo o que mais teve votos foi um mel de mandaçaias do meliponicultor Miguel Campos, de Miguel Pereira, RJ, que alcançou 6 votos.

A última amostra era o xarope de alimentação das abelhas, felizmente não recebeu nenhum voto, todos os participantes conseguiram diferenciá-lo dos méis verdadeiros.


Na foto acima, temos a frente o pessoal do Núcleo de Educação Ambiental do Bosque da Barra, junto com alguns dos integrantes da AME-RIO que trabalharam nesse evento e o pessoal da Fiocruz, nossos parceiros na implantação de um novo meliponário-escola.

Falando em meliponário-escola, no próximo sábado, dia 02/03/2013, vamos fazer a instalação das abelhas no meliponário-escola que estamos montando em parceria com a Fiocruz, estamos convidando os sócios e amigos para participarem dessa instalação e de um mutirão para a limpeza da área e plantio de mudas de espécies melíferas. Esse evento deve começar as 8:30 hs e se estender até o meio dia.

O local é o Campus Mata Atlântica da Fiocruz,  na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá - RJ. Quem não souber como chegar, dê uma olhada na postagem de outubro passado, onde informávamos que a reunião daquele mês seria lá na Fiocruz, nessa postagem tem a explicação completa de como chegar:
http://www.ame-rio.org/2012/10/proxima-reuniao-da-ame-rio-dia-20-de.html

Um abraço a todos e até sábado.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Meliponário da Reserva Natural Serra das Almas

A pedido do próprio amigo Kalhil, que viria este mês de setembro ao encontro da AME-RIO para nos brindar com uma palestra sobre suas atividades em prol da meliponicultura, faço uma postagem dele mesmo que descreve um projeto que vem tocando em Crateús.
Boa leitura para todos:
Medina


O Meliponário da Reserva Natural Serra das Almas

Após percorremos mais de 490km de Mossoró/RN até Crateús/CE, finalmente chegamos a Reserva Natural Serra das Almas. A reserva é mantida pela Associação Caatinga e é considerada pela UNESCO como Posto Avançado da Reserva da Biosfera, devido ao modelo inovador de conservação da Caatinga desenvolvido em conjunto as comunidades do seu entorno.


Reservas da Biosfera são áreas de ecossistemas terrestres internacionalmente reconhecidas pela UNESCO que possuem três importantes funções: conservação, devenvolvimento e apoio logístico às áreas protegidas.


São 6.146 hectares de área protegida que resguardam três nascentes e espécies ameaçadas de extinção. Aqui são desenvolvidas atividades de pesquisa científica, recreação e visitação escolar, além de projetos de educação ambiental e desenvolvimento sustentável junto às comunidades do entorno, combinando preservação com geração de renda e melhoria de qualidade da vida local.




Nossa visita tinha por objetivo montar o meliponário que há meses vinha sendo projetado para alocar 200 colônias de Jandaíra. A entrega das primeiras colônias, que serão mantidas pela Associação dentro da reserva  no intuito de devolver à região uma espécie que atualmente não é mais encontrada naturalmente, foi realizada sob clima de muita alegria pela concretização de um sonho.

Aqui as Jandaíras serão multiplicadas e as colônias filhas serão doadas aos moradores das comunidades assistidas pela Associação, em regime de parceria. O meliponário da reserva tem por objetivo servir de fonte para pesquisas científicas, inspiração para projetos de educação ambiental e acima de tudo, preservação de uma espécie que a cada dia vendo sendo ameaçada.


Distante 100 metros da sede, caminhando na antiga trilha do açude, chegamos ao Meliponário construído de alvenaria em padrões ecologicamente corretos.



O Meliponário é, na minha humilde opinião, o sonho de qualquer meliponicultor. Construído para suportar tranguilamente 400 colônias, está margeado num raio de 10 km em plena mata de caatinga que ao longo dos últimos dez anos vem sendo recuperada pelos esforços da Associação Caatinga.



Construído em formato de heptágono (7 lados), foi pensado para que todo o trabalho com as abelhas fosse desenvolvido dentro das instalações do meliponário. O telhado é uma obra de arte a parte, feito de maneira a sustentar toda a estrutura circular. Possui ótima bancada interna, tela de proteção, iluminação interna e externa e uma pia para lavagem de materiais e utensílios de manejo.



Assim que chegamos as caixas foram postas nas prateleiras e passei as primeiras orientações sobre o processo de soltura das abelhas que ocorreria nos dias seguintes, pois quando estamos diante de tantas colônias reunidas em um novo local é preciso que a liberação das abelhas seja feita aos poucos para evitar tumulto e briga entre as campeiras.



Ainda no primeiro dia conferimos algumas colônias para verificar se tinham chegado bem. A viagem longa na carroceria do carro deixa as abelhas irritadas, mas tudo estava em perfeita ordem, graças ao Grande Arquiteto Do Universo.



Mesmo cansados, todos nós estavamos muito felizes em poder contribuir com um projeto tão importante para as nossas abelhas nativas. Estamos plantando muitas sementes nesse sertão e esperamos que, mesmo diante de tantas adversidades, as próximas gerações possam collher os frutos desses pioneiros.

No dia seguinte, após uma noite muito tranguila nas dependências da sede da reserva, tomamos um café maravilhoso típico do Sertão. Ainda muito cedo, por volta das 5:30h da manhã, me dirigi ao meliponário para soltar o restante das colônias.




Assim que retiramos as telas, as abelhas saiam as centenas realizando, imediatamente, o voo de reconhecimento na nova morada. me sentei junto a velho tronco de angico e fiquei a observar a festa. No início da manhã foi aquela agitação, mas no decorrer do dia todas foram se achando e a harmonia voltou a reinar.


Ainda pela manhã fui conhecer alguns dos vários projetos que são realizados pela Associação. Entre eles está um lindo trabalho de reflorestamento da mata de caatinga, com as mudas de espécies nativas que são criadas em viveiros e estufas da reserva.

 No total, são mais de 40 espécies de árvore da caatinga que são cultivadas para  replantio de áreas degradadas. Ganhei de presente quatro mudas de Ipê roxo e amarelo. Irei plantá-las em Taboleiro Grande-RN, ao lado da antiga Casa Grande, em Homenagem ao Velho José Carneiro, meu querido avô, a quem devo o gosto pelas abelhas Jandaíra. Sei que onde ele estiver, certamente, está muito feliz pela continuação de nosso trabalho.


Sai da reserva com uma imensa vontade de ficar encantado com tudo que vi. Agradeço imensamente a Associação Caatinga, na pessoa de sua Coordenadora Railda Machado, pela maravilhosa oportunidade de conhecer e agora participar de um dos vários projetos realizados pela entidade. Nos próximos dias ocorrerão as primeiras capacitações com os moradores das comunidades locais para formação de novos meliponicultores. 


...
A travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de uma estepe nua. Nesta, ao menos, o viajante tem o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das planuras francas.

Ao passo que a caatinga o afoga; abrevia-lhe o olhar; agride-o e estonteia-o; enlaça-o na trama espinescente e não o atrai; repulsa-o com as folhas urticantes, com o espinho, com os gravetos estalados em lanças; e desdobra-se-lhe na frente léguas e léguas, imutável no aspecto desolado: árvores sem folhas, de galhos estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos pelo solo, lembrando um bracejar imenso, de tortura, da flora agonizante...
...
... Suas árvores, vistas em conjunto, semelham uma só família de poucos gêneros, quase reduzida a uma espécie invariável, divergindo apenas no tamanho, tendo todas a mesma conformação, a mesma aparência de vegetais morrendo, quase sem troncos, em esgalhos logo ao irromper do chão. É que por um efeito explicável de adaptação às condições estreitas do meio ingrato, evolvendo penosamente em círculos estreitos, aquelas mesmo que tanto se diversificam nas matas ali se talham por um molde único. Transmudam-se, e em lenta metamorfose vão tendendo para limitadíssimo número de tipos caracterizados pelos atributos dos que possuem maior capacidade de resistência.
 
Esta impõe-se, tenaz e inflexível.
... (CUNHA, Euclides da. Os Sertões. São Paulo: Três, 1984)




Mossoró-RN, em 10 de setembro de 2012.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão