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domingo, 6 de março de 2011

Catálogo de endereços das abelhas nativas

Amigos da AME-RIO e Internautas,

Vocês conhecem a Megan Alcroft? Ela é uma pesquisadora Australiana, e como nós, entusiasmada por Abelhas sem Ferrão. No caso dela as abelhas australianas, é claro. Mas ela já veio várias vezes ao Brasil, estudar abelhas e no ano passado eu e o Pedro Paulo tivemos o prazer de conhecê-la, no último encontro sobre abelhas em Ribeirão Preto.
Ms Megan Halcroft, pesquisadora de abelhas sem ferrão australiana e Prof. Marilda Cortopassi-Laurino, entre Pedro Paulo Peixoto e José Halley Winckler, da AME-RIO - 9º Encontro sobre Abelhas – Ribeirão Preto - SP

Bem, eu estou falando nela, porque hoje eu li uma notícia na Internet, que ela está montando um banco de dados para a localização de ninhos nativos de abelhas sem ferrão. Isso com certeza vai ser uma ótima ferramenta para a proteção de suas abelhas.

Seria muito interessante que os pesquisadores brasileiros ou o pessoal de nossos orgãos de proteção ambiental copiassem essa idéia e criassem um banco de dados semelhante para nossas abelhas. Se bem que o GPS, equipamento fundamental para que se faça a localização precisa dos ninhos das abelhas, ainda não está plenamente difundido entre os brasileiros, mas muita gente já tem esses aparelhos ou o serviço em seus celulares.

Abaixo reproduzo a matéria publicada no Aussie Bee Homepage, para que vocês a conheçam.

Uga,

José Halley Winckler

Ajude a salvar ninhos de abelhas sem ferrão

Aussie Bee Homepage > Bee Tracker Website

A limpeza de terrenos e o desenvolvimento urbano levam à perda de centenas de ninhos de abelhas sem ferrão a cada ano. Você pode ajudar a proteger essas abelhas usando um novo banco de dados on-line desenvolvido recentemente por Megan Halcroft da University of Western Sydney. 





Você conhece a localização de alguns ninhos de abelhas sem ferrão na sua mata nativa local?
Se você tiver uma unidade GPS, você pode gravar os dados sobre estes ninhos nesse novo banco de dados.
Ao combinar o conhecimento local dos entusiastas pela natureza australiana, este banco de dados irá construir uma imagem da distribuição das espécies de abelhas nativas em todo o continente!

Esta informação será usada para ajudar a proteger e conservar os ninhos de abelhas sem ferrão por: 

- Informar as autoridades os locais exatos onde ficam os ninhos localizados em áreas ameaçadas pela limpeza de terrenos e; 

- Permitir que os conservacionistas possam acompanhar o crescimento e declínio da quantidade de ninhos de nossas abelhas. 

A localização precisa dos ninhos individuais das abelhas sem ferrão só será visível para a pessoa que incluiu a informação e ao pessoal autorizado da Megan's Bees Business Tracker website. Então, as pessoas que pretendam caçar ninhos não serão capazes de usar o site para encontrar ninhos individuais. 

Por favor, apoiem este novo empreendimento e nos ajudem a aprender sobre a distribuição e abundância das nossas preciosas espécies de abelhas sem ferrão em toda a Austrália. 

Para conferir o novo Megan's Bees Business Tracker website, visite:  tracker1.beesbusiness.com.au

Se você tiver qualquer problema de se registrar nesse site, por favor envie um e-mail para a Megan e ela vai ajudá-lo a resolver isso: megan@beesbusiness.com.au
© 2011 Australian Native Bee Research Centre
PO Box 74, North Richmond NSW 2754, Australia
Fax: 02-4576 1196

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Transferência de captura em PET para caixa inteligente

Dez dias depois de colocarmos a isca PET  (garrafa PET bem acondicionada com jornal e forrada com plástico para protegê-la da umidade) ficamos surpresos com a movimentação das jataís que adoraram a casinha nova. Esperamos, segundo recomendações de nossos queridos professores da AME-RIO - Gesimar e Pedro Paulo entre outros - mais de 90 dias para que o enxame estivesse realmente instalado, e somente em abril fizemos a tranferência para a nova caixa inteligente, executada pelo nosso amigo Walter.

Tivemos dois errinhos bobos: colocamos a garrafa inclinada, mas na hora da transferência a mantivemos na mesma posição; e poderíamos ter colocado a tampa com um furinho que reduzisse um pouco o tamanho da boca da garrafa, isso facilitaria retirar a entrada sem danificá-la a fim de recolocá-la na caixa definitiva, pouparia muito trabalho das lindas jataízinhas.

A primeira foto mostra como medimos e marcamos os furos de fixação do suporte da nova caixa, em posição o mais próxima possível da original da PET.

A segunda foto mostra como colocamos outra PET no mesmo lugar, para que as abelhinhas não ficassem perdidas enquanto fazíamos a transferência.


Éramos três, Fernando, Felipe e eu. Todos bastante tranquilos e cuidadosos.

Preparamos uma "estação de trabalho" para termos todas as ferramentas à mão: recipiente para apoiar os favos de mel e aparar os respingos, estilete para cortar gentilmente os apoios de cera do ninho na garrafa, tesoura, câmera, além da própria caixa. Isso foi fundamental para trabalharmos com conforto e portanto calmamente.
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O ninho retirado da PET tinha 8cm de diâmetro, mantivemos o invólucro intacto, separando os favos de mel e pólem, para colocá-los na caixa um par de dias depois. Porém, como algumas abelhas se esconderam nesses favos e não era possível colhê-las, no dia seguinte os coloquei na colméia para poupá-las. Pareciam bêbadas de tanto mel!

Como fazia frio passaram a noite dentro de uma caixinha plástica na qual guardei os favos e ainda as protegi da luz e do frio em uma caixa de sapatos. Só faltei colocar um cachecolzinho em cada uma!
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Eu tremia enquanto retirava o invólucro com os discos da PET, tamanha a fragilidade e delicadeza do ninho. Apoiamos o conjunto sobre quatro tampinhas e colocamos um alimentador com o mel que escorreu dos favos e umas folinhas de manjericão de rampa para as gulosas abelhas.

A caixa revelou-se bastante grande e deveríamos ter colocado o alimentador na parte de cima para retirá-lo mais facilmente.

Tomamos o cuidado de colocar uma folha de acetato transparente como vitrine, por trás da porta.

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Assim ficou a entrada no mesmo dia, deu trabalho para as danadinhas!
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A caixinha foi colocada debaixo do telhado, apesar de não parecer na foto ao lado, está perfeitamente protegida da chuva, debaixo de uma nespereira muito produtiva, as jataís usaram muito os exudados das samambaias, da flor de maio e das orquídeas que cercam de perto o local. Foi lindo acompanhar a construção do ninho. Em breve faremos outra inspeção... já daremos mais notícias!
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E a última foto mostra como estava a entrada nove dias depois. Hoje o enxame vai de vento em popa, temos um jardim muito florido, inclusive no inverno!
As jataís se divertem!

Foto: Fernando Gonçalves

Será que fizemos tudo certo? Por favor, comentem!

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depois de conhecer a AME-RIO!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Os Aborígenes e as Abelhas sem Ferrão


An Australian Aborigine Playing a Didgeridoo Impressão giclée emoldurada
Os aborígenes australianos são hábeis coletores e fazem a festa quando encontram uma colméia de abelhas sem ferrão. Embora suas abelhas nativas não sejam maiores do que uma mosca, são ótimas provedoras de alimentos. Uma vez encontrada uma colméia, os favos são devorados ansiosamente – cera, mel, pupas, abelhas mortas, formigas, tudo. O galho que é utilizado para retirar a colméia da árvore é jogado no fogo, e por esse simples ato os espíritos das abelhas vão para o céu, o Paraíso dos Espíritos, onde ficam até que Mayra, o Vento da Primavera, sopre vida dentro das flores novamente. Então as abelhas retornam ao Paraíso da Terra para recolher o mel e encher as barrigas da humanidade.

Bees and Honey

Não acredito que as abelhas tenham sido criadas apenas para fornecer alimento para homens e mulheres. Em suas curtas e ocupadas vidas elas se dedicam a recolher mel e armazená-lo para a próxima geração e os seus ninhos ficam bem escondidos entre os galhos e troncos ocos de árvores. Os aborígenes têm vários métodos de descobrir onde estão escondidos os ninhos, mas talvez o mais engenhoso é o caminho que foi descoberto pelos irmãos Naberayingamma. 





Day 5 (26.3.07) - Oodnadatta Track

Estes dois homens Numerji viveram há muito tempo atrás. Eles eram gigantes barbudos que participavam de uma longa caminhada pela terra. Eles nunca tinham visto abelhas, até que chegaram a uma árvore coberta de resina vermelha onde estas pequenas criaturas estavam ativamente envolvidas em seu trabalho.




"Olhe aqui uma coisa maravilhosa", disse o irmão mais novo. "Estes bichinhos estão tirando mel das flores e voam com ele. Gostaria de saber para onde eles estão levando".
"Nós vamos descobrir em breve", disse o irmão mais velho. "Vou mostrar-lhe como descobrir seu ninho. Quando o acharmos teremos mel em abundância  para nós dois. Vá e corte uma forquilha e traga-a para mim".
O irmão mais novo tinha aprendido a confiar sagacidade do seu irmão. Enquanto ele estava procurando por um ramo apropriado, o outro encontrou um galho que continha uma teia de aranha. Ele puxou a teia, e quando o irmão voltou com a forquilha, ele a usou para pegar a teia, e logo subiu nos galhos da árvore vermelha.
"Eu vou colocar pedaços da teia sobre as abelhas", ele gritou para o irmão. "Você então será capaz de enxergá-las claramente. Veja para onde elas vão".
Por algum tempo ele ficou ocupado colocando minúsculos fragmentos da teia de aranha sobre as abelhas que ele conseguiu pegar.
De repente, seu irmão voltou correndo.
"Eu encontrei", ele gritou. "Eles voam para uma árvore oca lá em baixo. É onde o ninho deve estar.
"O Naberayingamma mais velho desceu e os irmãos foram juntos para a árvore oca. Eles quebraram a casca com os seus bastões, retiraram o ninho com o mel e o comeram com avidez.
Desde esta descoberta os aborígines aprenderam a arte de colocar nas abelhas um pedaço minúsculo de teia de aranha ou algum outro material facilmente distinguível  para orientá-los na busca de seus ninhos.
A.W. Reed,  Aboriginal Fables

As imagens dessa postagem foram retiradas da Internet