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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Uma câmera e um pé de salsinha

É exatamente isso: uma câmera  e um pé de salsinha .

Na verdade não é uma camêra qualquer, mas um ótimo equipamento para fotografias (Canon 50D + Sigma 105 mm EX DG Macro + Ring Flash Canon MR-14EX) e também não é um pé de salsinha qualquer, é o pé de salsinha do Marcos Teixeira de Freitas.


E o Marcos tem isso e muito mais: quilos e quilos de paciência, uma mente aberta e uma capacidade de focar detalhes, como poucos.

Com isso ele conseguiu as melhores imagens de Jataís que eu já vi. E o Marcos fez mais, ele disponibilizou essas imagens na internet para deleite de seus amigos, de outros fotógrafos e dos internautas em geral.

Ontem, passeando na internet, procurando imagens da Jataí da Terra, encontrei uma foto feita pelo Marcos, belíssima, por sinal e eventualmente penso em utilizá-la em uma postagem, sobre essa espécie.

Mas hoje não, hoje minha postagem vai mostrar as belas imagens que o Marcos fez da alemãzinha, a popular Jataí (Tetragonisca angustula angustula).

Não, o Marcos não é meliponicultor, ainda, mas vou tentar convertê-lo, até há pouco ele ainda confundia as Jataís com vespinhas. Mas, se não conhece meliponicultura, ele sabe tudo de fotografia e ainda é uma ótima pessoa, mesmo sem me conhecer, autorizou que eu utilizasse suas fotografias em uma postagem no nosso site.

Bem, chega de blá... blá... blá... Vou deixar vocês e as fotos do Marcos.

Tentei montar uma histórinha com elas, espero que vocês gostem.

Obrigado Marcos.

Uga,

José Halley Winckler



Era uma vez, um pé de salsa...
Muito mal freqüentado....

Era mosquinha.....

Mosca.....

Moscona...
A parentada toda dos forídeos..
...

Perto tinha uma colônia de Jataís.

Certo dia, uma delas achou bastante interessante as flores da salsinha...

- Uhm... que beleza de pólem... bem clarinho

- Oba, aqui tem mais.....

- Muito mais, eh eh eh ...

- Acho que ainda posso pegar mais.... 
- E ainda vou dar um pau nessa formiguinha...

....
- Desgraçada...

Em lugares mal freqüentados é bom estar sempre atento...
Lugar em que qualquer um entra, pode ser um sério problema.


Conheça as fotografias do Marcos Teixeira de Freitas, vale a pena!



  

domingo, 17 de julho de 2011

Criação de abelhas silvestres (meliponicultura) protege colméias na natureza

Para evitar que árvores centenárias sejam abatidas criminosamente com machado ou motosserra para retirada de uma colméia de abelhas silvestres, está sendo estimulada a capacitação dos criadores a fim de preservar os ninhos remanescentes nas áreas de Mata Atlântica, especialmente nas encostas íngremes e às margens do rios de SC.

Para que as espécies de plantas ou animais não sejam alvo da cobiça humana, é necessário que seja desenvolvida a consciência de preservação, e isso é alcançado com a informação e capacitação dos envolvidos. Há também a necessidade de ampliar o numero de áreas protegidas e gerando a cultura dos povos margeantes para que ajudem na vigilância desse patrimônio natural evitando que saqueadores destruam espécies raras em troca de alguns trocados.

Atualmente as abelhas nativas da Mata Atlântica, ou sem ferrão, já contam com muitas pessoas que as defendem, criam racionalmente de forma a recuperar pelo menos um pouco do que já foi destruído, sendo que o comércio pode ser impulsionado como forma de evitar que as pessoas interessadas recorram a natureza, pela falta de opção em desenvolver a atividade.

Devido as modernas técnicas desenvolvidas em parcerias por institutos de pesquisa e criadores pelo país inteiro, as ASF já podem ser exploradas intensivamente para produção de mel, pólen, própolis e polinização, gerando renda complementar e desenvolvendo alternativa socioincluidora, fixação do homem ao campo, turismo ecológico, laborterapia, com promessas de ser uma atividade viável. Pelo menos para os criadores racionais que respeitam não somente o meio ambiente, mas também a potencialidade das colméias, pois dentre as espécies são regidas por regras peculiares.

A criação racional e o manejo técnico visam desestimular a captura em áreas protegidas de matas nativas sendo que a captura através de ninhos-iscas e multiplicação racional de ninhos pré-existentes são permitidos por lei.

Meleiros e mateiros, quando não capacitados, removem ninhos de cavidades naturais, na expectativa de usufruir do mel, descartando os enxames, ou para ganhar dinheiro, no entanto causam a supressão dessas abelhas nativas, exaurindo esses recursos para o futuro.

Para evitar o saque de colméias de abelhas silvestres fora de APP ou RPPN, se difunde as técnicas de divisão racional sem a derrubada das árvores, devendo permanecer no local de origem, parte do núcleo que dará origem a um novo enxame, dando continuidade a espécie, e propiciando que as pessoas possam ingressar na atividade.

Com essa técnica, ou com a técnica de captura apenas de campeiras, como descrito no livro A Jandaíra do Monsenhor Humberto Brunning, sendo que o tronco permanece intacto, e o cortiço não é violado, permitindo que enxames nessa condição possam contribuir perenemente com o avanço da meliponicultura.

A poucas décadas muitas espécie de ASF em SC estavam ameaçada de extinção, no entanto com o trabalho árduo de entidades, Universidades, Associações, ONG's e de criadores anônimos, atualmente a maioria delas, já se encontram em números estáveis, com fortes indícios de franca regeneração, sendo que já há muitos relatos de enxames racionais, enxamearem para matas, contribuindo assim a atividade formal para o retorno desses animais para a natureza, pois são criados livres, e podem optar por escolher qualquer local para nidificarem.

Para que o problema de destruição de vegetação nativa não perdure, o que era preocupante até se ter as técnicas adequadas de manejo, é necessário que as entidades oficias de pesquisa e extensão se engajem fortemente na formatação de cursos e na capacitação dos técnicos agrícolas, para que esses possam estar replicando os conhecimentos, junto ao homem que não tem acesso a essas informações, que infelizmente ainda são de difícil acesso a boa parte da população envolvida.

Ainda temos partes de matas preservadas e precisamos proteger a biodiversidade, para que possam garantir a nossa sobrevivência agora e no futuro.

O manejo racional das abelhas nativas é denominado de meliponicultura, pois são abelhas do gênero Apidae (pertencem a subfamília Meliponinae, que é dividida em Tribos Meliponinae (Meliponini, Trigonini, etc...) e, gêneros (Melipona, Tetragonisca, etc...), sendo que em cada região ocorrem as espécies características (M. bilcolor, T. angustula, plebéias, scaptotrigonas, etc...).


Sabe-se que a domesticação de plantas e animais, tem preservado esses seres da extinção, os quais prestam um serviço importante a manutenção da raça humana, no entanto a manipulação genética e o uso de pesticidas podem alterar as leis da natureza.

O Mel além de alimento é uma iguaria bastante antiga, e se espera que chegue não somente à mesa das pessoas mas também faça parte da merenda escolar e da dieta em academias, hospitais e clínicas de recuperação, pois alem de energético de fácil absorção, encerra em si a energia vital das plantas, levando o equilíbrio da natureza para o beneficio da nossa saúde.

Diferente da Apis mellifera scutellata, de origem africana, que denominamos de africanizada, que possuem em média mais de 50.000 indivíduos por colméias, as ASF possuem poucas centenas ou alguns milhares, sendo que por terem numero menor de indivíduos por colméia, há necessidade de que os criadores, tenham um numero maior de caixas, para poderem ter uma produção equivalente, o que ajuda a natureza a sua volta, devido ao serviço ambiental desenvolvido que é a polinização e a dispersão de sementes.

As ASF não causam problemas ou acidentes pois não possuem aguilhão, ou seja não tem ferrão.

Há muitas opções de explorar abelhas nativas em prol da natureza, mas a mais difundida é o diletantismo, hobie ou PET, pois as espécies sociais de ASF são de fácil manejo e a maioria delas se ambientam facilmente ao meio urbano ou próximo as residências rurais, o que é um fator importante para o envolvimento de mulheres e crianças na atividade, gerando inclusão social dos entes da família, especialmente em horários neutros, que estariam ociosos.

No Brasil não há produção comercial de mel de ASF em larga escala, pois faltam estímulos na formação de pasto melífero, subsídios para o aumento dos planteis, e a divulgação ao público consumidor.

A produção de mel com estas abelhas tem sido em pequena escala, mas é imperiosa a organização dos envolvidos em Associações ou cooperativas, para evitar que pessoas desqualificadas perambulem pelas ruas ofertando mel de abelha de ASF a preços módicos, sem respeito as exigências de higiene e procedência, o que macula gravemente a atividade.

Como argumento de que a produção em pequena escala ajudará na geração de renda de pequenos agricultores (agricultura familiar), tem sido a tônica de muitos projetos de meliponicultura do Brasil, dentre eles o INPA, AMavida, Iraquara, Sebrae, Emater, entre outros, considerando que a dificuldade em vender ao consumidor final é devido a falta de conhecimento do produto, sendo que é relativamente fácil contornar esse óbice, se houver uma produção regular, e o mel for inserido em programa alimentares, de forma a gerar a cultura e o conhecimento desses nobres produtos.

Há de se combater energicamente os méis falsificadores, tanto de Apis como de Nativas, pois isso tem desacreditado o produto o que dificulta a aceitação perante o público.

Devido ao pequeno volume produzido o mercado ainda é muito limitado, mas como as dificuldades de manejo já estão sendo resolvidas em breve, com o melhoramento da oferta de floradas, haverá uma maior democratização e acesso a esses produtos.

Acreditamos que via associativismo será fácil controlar a ganância individual de produtores que agiam isolados, pois em grupo com cursos de capacitação e a vigilância coletiva, se viabilizará o controle do processo, sendo que algumas espécies de ASF produzem méis que podem chegar a R$ 100,00 o quilo, mas é vendido em gramas, sendo que a maioria das espécies de abelha nativas, só toleram que seja retirado de cada vez, uma quantidade que não comprometa o consumo de mel do enxame, exigindo um manejo mais criterioso.

Como não há relato de doenças conhecidas em ASF, não se requer o uso de substancias químicas, o que poderia comprometer a qualidade do mel, que até então seria orgânico, agregando valor ao produto.

Segundo estudos científicos, para evitar ameaça às espécies nativas que se encontrem isoladas geograficamente de outras da mesma espécie, que sejam criadas numa mesma área de alcance de vôo, quantidades o suficiente para que não haja endogamia, viabilizando a variabilidade genética do plantel.

Isso não era preocupação para as ASF que habitam as nossas matas preservadas, pois a permuta gênica ocorre de forma natural. Mas pela situação vulnerável em que as matas se encontram hoje, formando ilhas distantes, favorecendo a endogamia de muitos animais, inclusive das ASF, que poderão desaparecer da natureza, a meliponicultura é uma solução para esse problema.

Nas Matas ocorrem uma interação muito forte entre plantas e animais. A dispersão das sementes e polinização da maioria das plantas são serviços realizados por animais (aves, mamíferos e insetos). Algumas espécies de abelhas silvestres são polinizadores específicos de certas árvores e o declínio ou extinção destes insetos representa a fim para estas árvores e conseqüentemente pode causar um colapso em todo o ecossistema, por isso que os governos e a população devem fomentar a meliponicultura.

EDITORIAL
Abena

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ratones - Uma tarde muito especial

De repente me deu saudade de Ratones...

Vocês sabem o que é Ratones? Não, não estou falando da banda de rock, "Los Ratones Paranóicos", estou falando de um distrito, ou bairro, de Florianópolis - SC.

Ratones fica bem no centro da parte norte da ilha e é um dos lugares mais bem preservados de Florianópolis,  ainda mantém grande parte de sua cobertura vegetal original,  é uma região bastante montanhosa e é privilegiada pela existência de inúmeros riachos.

Em março, desse ano, eu estive em Florianópolis, visitando um irmão meu e acabei descobrindo Ratones. Na verdade não foi nada programado: Alguns dias antes eu estive em Crisciúma visitando o Jean e lhe falei que pretendia passar alguns dias em Florianópolis e queria aproveitar para conhecer algum meliponicultor dessa região. Ele me indicou o Edinaldo, que eu já conhecia de nome por acompanhar suas mensagens no grupo ABENA. Quando eu cheguei em Florianópolis, em um sábado pela manhã, 12/;03/2011, liguei para o Ednaldo, ele não estava, mas deixei recado e à noite ele entrou em contato comigo, se mostrou bastante solícito e se prontificou a me receber e mostrar sua abelhas, infelizmente não poderia fazê-lo no outro dia, a não ser que fosse muito cedo, ele estava escalado para plantão em seu serviço, mas em qualquer outro dia poderia tirar um tempo para me receber, infelizmente eu só iria ficar esse final de semana, em Florianópolis.

Então o Ednaldo lembrou: quem sabe o Pedro? Ele tem uma grande quantidade de abelhas e pelo que conheço, vai ficar bastante contente em lhe receber e em mostrar suas abelhas e seu sítio. O Ednaldo me passou o telefone do Pedro e na mesma hora eu liguei para ele. O Pedro se mostrou bastante simpático ao telefone e fez questão que eu fosse no outro dia visitá-lo. Combinamos de nos encontrar no horário da tarde, no domingo.

O dia amanheceu com muita chuva e eu já estava quase conformado em não visitar abelha nenhuma em Florianópolis, mas no início da tarde a chuva diminuiu, convidei meu cunhado e resolvi ir assim mesmo, rezando para que a chuva parasse até eu chegar no sítio do Pedro. E não é que isso aconteceu? Momentos antes de chegarmos a casa do Pedro a chuva parou. A chuva contínua da noite e da manhã deixou tudo muito molhado, até chegou a provocar deslizamentos na região, ainda assim o Pedro estava lá pronto para me mostrar seu sítio e suas abelhas.

Quando ele veio me receber, uma surpresa, eu já conhecia o Pedro Faria, no ano passado fomos apresentados em Ribeirão Preto, no IX Encontro sobre Abelhas, também no final de semana, após o encontro, também estivemos juntos em visita à Fazenda Aretuzina, do PNN.


Acima, três Pedros,  o Pedro Faria Gonçalves está ladeado pelo João Pedro Cappas e pelo Pedro Paulo Peixoto, no ano passado em Ribeirão Preto, ao final de um dia estafante e de muito estudo. Abaixo as fotos que tirei em 13 de março deste ano, no sítio do Pedro Faria, lá em Ratones. Já foto acima foi copiada de uma postagem em nosso Blog;


O Pedro tem vários meliponários coletivos espalhados pela propriedade, sendo que em cada um ele tenta manter uma espécie de abelha, acima estamos vendo nosso anfitrião no meliponário reservado as Manduris.


Colônia de Manduris (Melipona marginata), também muito interessante o alimentador ecológico, feito de colmo de bambu.


Abrindo outra caixa de Manduris, dá para ver a entrada, em que uma só abelha entra por vez, e os detalhes da caixa, os fechos de madeira e arame, a alça lateral, para pegar a caixa e o plástico entre a tampa e o ninho.


Caixa aberta, dá para ver que o ninho está alcançando a tampa da caixa, também podemos ver outro alimentador ecológico.


Esta caixa hexagonal ele não abriu, pois tinha transferido as abelha há pouco tempo, até esse momento elas estavam presas, mas o Pedro está retirando o graveto que fechava a entrada.


Aqui um outro meliponário, ainda em construção.


Nele serão colocadas as Jataís (Tetragonisca angustula angustula).


Atualmente as Jataís estão alojadas em suportes individuais.


Acompanhando o caminho.


Que nos leva a um viveiro de mudas de especies nativas.


Algumas estão sobre estrados.


Fui presenteado com essa muda, mas o Alzheimer veio me visitar e como eu não escrevi o nome da espécie, agora não consigo lembrar o que é, parece uma goiba do mato, mas vou esperar crescer para descobrir ou então uma hora dessas pergunto ao Pedro, de novo.


O sítio é muito arborizado, mas deve receber muito mais plantas, só de palmeiras jussara ele disse já ter plantado mais de 5.000, nestes últimos anos e pretende duplicar isso.. Acima parece ser uma mirtácea, talvez uma uvaia.
A fixação do Pedro pela recuperação do meio ambiente é evidente, ele me contou que há dez anos atrás o sitio era bem diferente, mas a medida que ele começou a plantar mudas de espécies nativas, outras começaram a nascer por conta própria, provavelmente as sementes foram trazidas por pássaros ou roedores. Agora  aumentou bastante a quantidade de água de um riachinho que corta suas terras, até perenizou esse riacho.


Aqui o Pedro junto a uma caixa de Jataís, em um suporte individual, a caixa parece um pouco grande, mas em Santa Catarina, vi muitas dessas caixas, com esse tipo de abelha, várias delas abarrotadas até a boca.


O Pedro não se preocupa apenas com a Flora e com as abelhas sem ferrão, também quer multiplicar as abelhas solitárias. Em todo o lugar do sitio encontramos esses feixes de bambus, preparados para atraí-las.


Acima estamos vendo uma passarela, utilizada para observação das flores das palmeiras jussaras e de seus polinizadores. Essa passarela foi construída no ano passado, para auxiliar em um projeto de uma aluna de mestrado da Universidade Federal de Santa Catarina. O Pedro além de formado em Agronomia, ter feito mestrado em Agroecologia e agora estar fazendo o doutorado na mesma área, ainda auxilia e empresta seu sítio para diversos projetos de outros alunos da Universidade.


Voltando às abelhas, acima a entrada de uma colonia de bugias (Melipona rufiventris)


Abrindo a caixa podemos ver que a postura está batendo no teto e a colônia está com uma população bem alta.


Bonita entrada de uma colonia de mandaçaias (Melipona quadrifasciata quadrifasciata).


Postura alcançando o teto da caixa.


E bastante alimento, podemos ver ainda o alimentador sem uso a muito tempo.


Com um canudo de bambu, o Pedro resolveu provar o mel das Mandaçaias.


Eu não fiquei para trás e esvaziei o maior pote que eu vi fechado. O mel estava maravilhoso.


Tem tantos butiás no sítio, que o Pedro na maioria das vezes deixa as frutas para os passarinhos e outros animais.

Meu cunhado, Adelson, em frente a um grupo de caixas com diversas espécies.


Uma caixa de mandaçaias, com uma entrada com bastante geo-própolis.


Aqui o Pedro sobre uma pequena ponte no riacho, que leva a "Alameda" das Guaraipos.


Caixa de guaraipos (Melipona bicolor schenki), em um suporte individual.



Ninho de guaraipo. O invólucro aberto expõe os favos de cria. Ao redor encontram-se os potes para estocagem do mel e pólen.


Podemos ver as duas rainhas, ocorrência freqüente em colônias de Guaraipo, abelha onde a poligenia é comum. Podem ocorrer casos de existirem cinco ou mais raiinhas, mas na maioria das vezes encontramos apenas duas.


Outra visão do ninho, com as duas rainhas.


Outras caixas de guaraipo, na parte bem úmida da mata. Esse tipo de abelha exige muita umidade para poder se desenvolver.


Visão da área de ninho de outra caixa de guaraipos.


Vista da área lateral apenas com armazenamento de mel e polén


Entrada de uma colônia de tubunas, caixa alojada em suporte individual.


O Pedro tentou abrir a caixa com um canivete, mas a tubuna é uma abelha que junta muito própolis, dificultando a abertura das caixas.


Mas o Pedro não se deu por vencido e sacou de um outro "canivetinho", aí ficou bem mais fácil.


Visão do ninho das tubunas, ainda bem que já tinha caido a noite, ou elas teriam nos corrido, fácil, fácil.


Mais uma foto do ninho de tubunas, a noite todos gatos são pardos e meliponicultor fica corajoso.


Depois o Pedro nos levou para conhecer o local onde ele faz sua caixas, a oficina de seu pai, que tem uma marcenaria onde fabrica teares.


Com o uso de equipamentos da marcenaria, as caixas ficam com um encaixe perfeito.


E a tampa, fica tão bem fechada, que não permite a passagem de luz, ou de qualquer outra coisa, é um teste que o Pedro está fazendo, se a tampa não permitir nem a passagem de luz, então não vai exigir que as abelhas desenvolvam uma camada exagerada de geoprópolis.


Outro modelo de caixa, feita com sobras de madeiras, para unir as diversas peças são utilizados encaixes macho/fêmea, de forma a não deixar nenhuma fresta. É a grande vantagem de quem tem acesso a equipamentos profissionais, para a fabricação de caixas.


O Pedro também banha as alças e outras peças das suas caixas em extrato de geoprópolis de meliponas.


Acima detalhe da secagem de algumas peças.

Depois de nos mostrar toda a oficina, o Pedro nos chamou para conversar dentro de sua casa e degustar alguns méis de sua produção.



Logo na entrada uma mesa, com uma grande variedade de produtos, segundo ele uma pequena amostra do que é cultivado ou produzido no próprio sítio. O nosso agro-ecologista fez questão de frisar que toda sua produção é totalmente orgânica. Também faz questão de não utilizar qualquer produto que deixe rejeitos não degradáveis. 


No canto da sala, mais produtos do sítio.


Então o Pedro foi até a geladeira e trouxe alguns vidros contendo méis de suas abelhas, que estavam sendo conservados sob refrigeração. Na foto também se pode perceber que por todos lado tem legumes, frutos e sementes produzidos no sítio.


Depois o Pedro foi buscar uma garrafa, contendo mel conservado por fermentação controlada, totalmente fora de refrigeração.


O primeiro mel que ele nos serviu, foi um mel de Mandaçaia, já quase totalmente cristalizado. O Pedro nos falou que esse mel tinha sido colhido a mais de seis meses, mas estava muito bom, o mel de abelhas sem ferrão quando cristalizado parece ficar melhor. Aqui o Pedro aparece oferecendo o mel para meu cunhado, o Adelson.


Depois nos foi oferecido um mel de Guaraipo, também cristalizado, muito bonito por sinal, a cristalização é totalmente branca e o mel estava ainda melhor que o anterior, também tinha mais de seis meses.


A seguir degustamos dois méis relativamente novos e ainda não cristalizados, na época ambos tinham menos de sessenta dias da colheita. O mais claro também era um mel de guaraipo e tão gostoso quanto o cristalizado, mas com um paladar bem diferente. Já o outro era um mel de Bugias, bem mais espesso e brilhante mas não menos gostoso.


No final nos foi servido um mel de mandaçaias, que foi conservado pelo processo de fermentação controlada. Esse mel tinha sido colhido mais de um ano atrás e tinha um paladar excelente, um pouco frutado, levemente ácido e parecendo um pouco gaseificado. Diferente do mel recém colhido, mas muito bom.


O Pedro também tinha algum méis que estão sendo conservados em vasos de cerâmica, onde sofrem um processo de maturação,  não nos ofereceu uma prova, porque o mel ainda não estava pronto. Não sei onde ele aprendeu essa técnica de maturação, mas é possível que tenha sido com os índios Guaranis, pois o Pedro participou de um projeto junto a esses índios.


Falando em índios, na imagem acima nós vemos o Pedro mostrando uma espiga do milho sagrado dos guaranis (AVATI ETE).

Alguns o chamam de milho azul, mas para mim esse milho puxa mais para o roxo. Ele recebeu as sementes do milho diretamente dos guaranis, quando estava trabalhando com eles, e agora as está multiplicando em seu sítio.


O Pedro fez questão também de nos mostrar uma apostila sobre a criação e manejo da abelha maia - Xunan Kab (Melipona beecheii). Vocês devem ter notado em uma das imagens acima, uma apostila do Cappas. São arquivos que o Cappas lhe deu, lá em São Simão, quando da visita à Fazenda do PNN.

Depois disso só restou agradecermos a acolhida e voltar para a casa de meu irmão. Foi uma visita super instrutiva, onde eu aprendi muito, principalmente aprendi a respeitar o Pedro, ele é uma pessoa que realmente faz a diferença. Ganhei o dia e, muito melhor, ganhei um amigo.

Uga,

José Halley Winckler.