Voltando a nossa série, poesia doce, fui buscar mais dois poemas da lavra do João de Paula, lá do grupo Abena, espero que todos vocês gostem de sua poesia.
Uga,
José Halley Winckler
A JATAÍ
(Tetragonisca angustula)
Se a terra não for deserta
Se a terra não for deserta
A jataí não se aperta.
Ela anda sempre alerta
E encontra a planta certa,
As .flores, o sol e o céu.
Se, porém, não encontrar
Um lugar para morar,
Aí então ela vai ocupar
O espaço que era do ar,
Que enchia o velho pneu.
João de Paula
João de Paula
CASAMENTO TRIGONINI
Preparei uma arapuca,
que é o sistema correto.
de usar enxameação.
Que ocorria ali por perto.
e arranjar mais um enxame.
dessa beleza de inseto.
Está montado o cenário.
o espetáculo começou,
uma campeira solitária.
rodeou, voejou, explorou.
e adentrou na caixa-isca,
depois saiu e se afastou.
Logo voltou acompanhada.
por agentes da vistoria.
esse local foi aprovado.
e teve inicio a correria.
chegou, o povo da limpeza.
e o pessoal da engenharia.
Delimitaram o espaço,
para iniciar as construções.
chegaram muitas obreiras,
e os mestres de operações.
vieram de todas as partes,
alguns milhares de zangões.
A macharada se postaram,
formando aglomerações,
junto ao furo da entrada.
e também nas imediações.
bem como lá nas colméias.
onde havia enxameações.
De repente entrou em cena,
aquela que irá dominar.
uma princesa. uma rainha.
que vai assumir esse lar.
adentrou ao novo ninho.
e já começou a reinar.
Os zangões desapareceram.
foram catar outras mocinhas.
as obreiras fazem os favos.
onde nascerão as larvinhas,
cereiras produzem a cera,
nutrizes fabricam papinha.
Elas buscam na caixa mãe.
os produtos que necessitam.
Tormando-se independentes.
protegem o nicho que habitam,
defendem com unhas e dentes,
o espaço que delimitam.
João de Paula, 2006.
