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sábado, 17 de julho de 2010

TUCUMÃ - O SURGIMENTO DA NOITE

ABELHA… CERA... A COBRA GRANDE -  TUCUMÃ - O SURGIMENTO DA NOITE

No início não existia a noite. Quer dizer, existia a noite, mas ela pertencia a uma enorme serpente, que a mantinha no fundo das águas.

Um dia a filha da serpente se casou, mas sem a noite, não conseguia consumar o casamento. Então, exigiu que viesse a noite, sem a qual não poderia se deitar.

O esposo então enviou três mensageiros para que a trouxessem. A serpente, senhora da noite, recebeu-os com indiferença. Mesmo assim, entregou-lhes um côco de Tucumã, lacrado com cera de abelha, dizendo-lhe que ali estava o que vieram buscar.

Não deveriam entretanto abri-lo, pois a noite poderia escapar. Na volta, os índios perceberam que do côco saiam ruídos de sapos e grilos. Um deles, o mais curioso, convenceu os companheiros a abrirem o fruto. E assim o fizeram. Logo que derreteram a cera, a noite saiu através do coco, escurecendo o dia.

A filha da serpente aborreceu-se, pois agora ela deveria descobrir como separar o dia da noite. Desta forma, ao surgir a grande estrela da madrugada, criou o pássaro Cujubim, ordenando que este cantasse para que nascesse a manhã. Em seguida, criou o pássaro Inhambu, que deveria cantar à tarde, até que viesse a noite. Criou ainda os outros pássaros para alegrar o dia, diferenciando-o da noite.

Aos mensageiros desobedientes, lançou toda a sua ira, transformando-os em macacos de boca preta -devido à fumaça - e risca amarela – pela cera derretida. Assim, a filha da serpente pôde finalmente se deitar e todos os seres puderam dormir.


Vocês entenderam? A diferenciação entre o dia e a noite só foi possível de ocorrer porque a serpente prendeu a noite em um côco e fechou com cera de abelha, se não tivesse abelha, não teria cera e até hoje ninguém saberia quando era dia e quando era noite. E aí não existiriam os pássaros para alegrar o dia.

Pode até não ser isso que essa lenda quis falar, mas...  sem abelhas... sem plantas... sem plantas.. sem pássaros... sem pássaros... sem nada....




Tucumã - O Surgimento da Noite
Lenda que se funde ao mito, ao início de tudo, princípio da vida e dos encantamentos do mundo, quando tudo falava: o sol, as plantas, os animais e, até mesmo a chuva. Mas não havia noite -- que a Cobra Grande roubou dos homens... Também não existiam os pássaros... somente desafios e segredos ainda a serem vencidos pelas tribos e pela coragem de Arutana.


 CD - Roda de Histórias

Narração: Vanessa Castro
Trilha Sonora: João Cristal
Coordenação de Produção: Lela
Financiado pelo Fundo de Cultura da Prefeitura de Santo André (2002)

Contatos: (11) 4991.7344
vanessacoliveira@hotmail.com
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Retirado do documento:

Mitos Indígenas - Texto informativo sobre mitos e lendas dos índios brasileiros

Adaptação do Texto de Jayhr Gael

Clique aqui para baixar o texto

domingo, 30 de maio de 2010

Ainda Uniawamoni... ou, para sempre Uniawamoni.

Ontem a Rita fez uma postagem linda, sobre uma lenda dos indios Sateré-Mawé. Lendo as palavras da Rita eu me convenci, ainda mais, que sabedoria não é encontrada apenas nas catédras. A Rita vai me perdoar, mas vou pegar carona em sua postagem, para refletir um pouquinho e falar de nossas abelhas sem ferrão.

Bela, muito bela a lenda de Uniawamoni, a irmâ do Sol que preferiu ficar na Terra para proteger nossas florestas.  Mas, mais que beleza, ela reflete uma sabedoria extrema. Prestem atenção no ensinamento de nossos irmãos, ditos selvagens. Para os índios Sateré-Mawé, a grande protetora das florestas é Uniawamoni, irmã do Sol, sem o Sol perdemos a floresta, mas sem a proteção de Uniawamoni  também a perderemos. Uniawamoni é  Abelha, mais... Uniawamoni  é  Abelha Indígena, a Abelha Nativa, a nossa Abelha sem Ferrão

Onde estão nossas autoridades, que não veem, não ouvem, mas falam, ela estão precisando tomar aulas com os Povos da Floresta e se convencer de uma vez por todas que é necessário proteger e multiplicar as nossas Uniawomonis, para que cada vez mais, guardem nossas matas e florestas, preservando-as para nossos filhos.

O guaraná é outro produto muito importante para a cultura religiosa dos Sateré-Mawé, onde ele tem um papel simbólico similar ao do vinho na liturgia católica. Os Sateré-Mawé acreditam que a fruta madura se parece com um olho aberto. A lenda deste povo, conta a história da índia Onhiámuáçabê que, sem o consentimento de seus irmãos, engravidou de uma cobra que lhe tocou a perna, dando à luz a um forte e belo menino. Um dia, ao se alimentar numa árvore sagrada, o curumim foi morto por seus desavisados tios sendo, logo em seguida, enterrado por sua mãe, que lhe plantou os olhos na terra, advertindo que dali nasceria uma planta para "fazer bem a todos os homens e livrá-los de todas as doenças". Daí teria resultado o formato da fruta, que parecem olhos, sempre a espreita para melhor proteger os índios.

 
O mel feito de flores de guaraná é menos comum. Normalmente é produzido por pequenas abelhas silvestres, chamadas abelhas canudo.  Essas pequenas abelhas silvestres sem ferrão são responsáveis pela polinização de uma grande parte da flora na Amazônia. A abelha canudo desempenha um papel especialmente importante. É parte da população local de Scaptotrigona, uma subfamília das Meliponinae, que inclui 300 espécies de abelhas tropicais americanas, todas elas muito pequenas e sem ferrão.  Da mesma forma que os maias que costumavam colher mel silvestre nas florestas úmidas no Yucatán na América Central, os índios Sateré-Mawé se valiam das abelhas canudo para produção de um mel, que é muito líquido, aromático e saboroso. Cada espécie de Meliponinae produz um mel diferente. O mel produzido pelas abelhas canudo tem um alto teor de água e açúcar, um alto nível de acidez e propriedades medicinais.

Hoje, as espécies originais de abelha foram quase que completamente substituída por abelhas melíferas estrangeiras (Apis melifera), para produzir muito mel e polinizar cultivos importados tudo bem mas, para as matas e florestas, precisamos da ação protetora de nossas abelhas nativas. 

Lembrem-se, cada vez mais, é preciso manter e multiplicar nossas abelhas nativas, nossas Uniawamoni, irmãs do sol e guardiãs de nossa flora. Ou aquela profecia atribuída a Einsten pode se tornar realidade.

sábado, 29 de maio de 2010

Lenda indígena dos SATERÉ-MAWÉ

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Segundo uma antiga lenda indígena dos SATERÉ-MAWÉ, quando Anumaré Hit foi para o céu para transformar-se no Sol, ele convidou sua irmã Uniawamoni a segui-lo. Ela porém decidiu ficar na Terra sob a forma de uma abelha para poder ajudar os índios Sateré-Mawé a cuidar das florestas sagradas de guaraná.

Inventores da cultura do guaraná, os Sateré-Mawé domesticaram essa planta silvestre e criaram o processo do seu beneficiamento, possibilitando que o guaraná fosse futuramente conhecido e consumido no mundo inteiro. Veja sobre esse e outros povos indígenas em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/satere-mawe



As ilustrações desta postagem são tiradas dessa linda linda publicação da Terra Indígena Guarita, RS, chamada "Mỹg Pẽ - Abelhas Nativas sem Ferrão"

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a publicação sobre as abelhas indígenas na página